Asma infantil no SUS: garantindo diagnóstico e tratamento

Entenda os desafios do SUS e descubra como assegurar acompanhamento médico e prevenção de crises em crianças.

Você já ouviu aquele apito no peito da criança e ficou preocupado? A asma infantil é comum e pode ser controlada. Mas, no Sistema Único de Saúde (SUS), o caminho do primeiro chiado até o remédio certo ainda é longo. Hoje vamos mostrar, em linguagem simples, o que dizem os estudos sobre diagnóstico e tratamento e como a família pode ajudar. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação salva fôlego e infância!

Por que o diagnóstico ainda demora?

Em média, a confirmação de asma no SUS leva de 18 a 24 meses. Esse tempo é maior nas regiões Norte e Nordeste. O motivo principal é a falta de espirometria – o “teste de sopro”. Só 28% das Unidades Básicas de Saúde (UBS) têm o aparelho. Sem ele, muitos casos viram rótulos como “bronquiolite” ou “pneumonia” repetidas vezes.

Como o atraso afeta a criança?

  • Mais visitas ao pronto-socorro.
  • Internações caras: 63% acontecem em crianças sem diagnóstico prévio.
  • Interrupção das aulas e brincadeiras.

O que é a espirometria e por que ela importa?

Pense na espirometria como um “teste do bafômetro” do pulmão. A criança sopra forte dentro de um tubo. O aparelho mede quão bem o ar entra e sai. É simples, sem dor, e mostra se o pulmão está apertado como um canudo ou livre como um cano largo.

Soluções que já funcionam

Centros regionais de espirometria e teleconsultas em Minas Gerais e Paraná reduziram internações em 34%. A ideia é aproximar o especialista da UBS pela internet.

Remédios: quando o SUS falha na entrega

O Protocolo do Ministério da Saúde garante budesonida, beclometasona e salbutamol. Porém, quase metade das farmácias do SUS faltou com ao menos um desses remédios. Resultado: 37% dos pais pararam o corticoide nos últimos três meses.

Como manter o tratamento mesmo na falta?

  1. Peça ao profissional de saúde a Declaração de Falta. Ela ajuda na busca em outra unidade.
  2. Use o DATASUS para saber onde há estoque.
  3. Se comprar na farmácia privada, guarde a nota: algumas prefeituras reembolsam.

Espaçador: o acessório que faz diferença

Sem o espaçador, grande parte do remédio fica na boca e não chega ao pulmão. Apenas 35% das UBS oferecem o dispositivo. Uma solução de emergência é o espaçador caseiro com garrafa plástica, mas ele só funciona se for bem ensinado.

Casos graves e imunobiológicos

Para asma grave, existe o omalizumabe. Ele chegou ao SUS em 2021, mas só quatro centros aplicam. Dos 30 000 brasileiros que precisam, menos de 5% recebem a dose. A família pode pedir encaminhamento a esses centros e acompanhar a vaga pelo aplicativo ou site da secretaria estadual de saúde.

Educação em saúde: pequena ação, grande resultado

Oficinas em UBS de São Paulo, conduzidas por enfermeiros, reduziram idas à emergência em 45%. Aprender a usar o inalador é tão importante quanto ter o remédio.

Força da comunidade e da tecnologia

Teleconsultas entre pediatras da UBS e pneumologistas diminuíram visitas ao pronto-socorro em 29% em Santa Catarina. Além disso, integrar programas sociais como o Bolsa Família aumentou em 15% a regularidade do uso do corticoide. Cuidar da asma exige remédio e também casa sem mofo, comida na mesa e ar limpo.

Perguntas frequentes

1. Meu filho precisa de exame de sangue para confirmar asma?
Não. O principal é a espirometria e a avaliação do médico.

2. O corticoide inalatório vicia?
Não. Ele é diferente do corticoide em comprimido e é seguro quando usado na dose certa.

3. Posso parar o remédio se a criança melhorar?
Não pare sem falar com o médico. A melhora pode ser resultado do remédio. Interromper pode trazer novas crises.

Conclusão

Diagnóstico rápido, remédio no dia certo e educação simples evitam crises e internações por asma infantil. Se a UBS perto de você não tem espirometria ou falta remédio, use as dicas deste texto e cobre seu direito. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal!


Referências

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