Comensalidade: desafios modernos das refeições em família

Só 47% das famílias brasileiras conseguem se reunir à mesa. Entenda os obstáculos atuais e por que eles importam para a saúde infantil.

Você já percebeu como é cada vez mais raro reunir todo mundo à mesa? Segundo o IBGE, apenas 47% das famílias brasileiras conseguem fazer refeições juntas com frequência. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que comer em família é um momento de afeto, conversa e cuidado. Vamos entender por que essa prática tão importante está em perigo?

O que é comensalidade

Comensalidade é o ato simples de comer junto. É dividir a comida e também histórias, olhares e carinho. Quando isso falta, perdemos uma parte importante da nossa saúde e do nosso bem-estar.

Barreiras que afastam a família da mesa

Ritmo de vida acelerado

  • Cerca de 68% dos pais dizem que o trabalho atrapalha o horário das refeições.
  • Em grandes cidades, o deslocamento pode somar mais de duas horas por dia.
  • O resultado é menos tempo em casa e mais lanches rápidos, muitas vezes sozinho.

Telas que distraem

  • Aproximadamente 73% das famílias usam celular, tablet ou TV durante a refeição.
  • Isso cria o fenômeno “jantar sozinho junto”: pessoas estão na mesma mesa, mas cada uma presa à sua tela.
  • A conversa, o olho no olho e a atenção plena desaparecem.

Novos arranjos familiares

  • Famílias compostas por apenas um adulto já somam 30% no Brasil.
  • Quem cuida de tudo sozinho tem menos tempo para planejar e sentar junto com as crianças.
  • Pesquisas internacionais chamam esse processo de “adaptação criativa” para manter a essência da comensalidade.

Pandemia: ganho e perda

Durante o isolamento, 52% das famílias comeram juntas com mais frequência. Mas, com o fim das restrições, o hábito vem caindo outra vez. Manter o que foi bom é o grande desafio.

Por que isso importa para a saúde infantil

Quando a família come junta:

  • A criança vê exemplos de alimentação equilibrada.
  • Há mais troca de afeto e segurança emocional.
  • O risco de comportamentos alimentares desordenados é menor.

Especialistas alertam que perder esse momento é uma das maiores ameaças à saúde familiar na sociedade contemporânea.

Perguntas frequentes

Preciso proibir celulares totalmente? O ideal é guardar os aparelhos durante a refeição para garantir atenção plena.

Só jantar juntos já ajuda? Sim. Mesmo uma refeição por dia faz diferença.

Família monoparental consegue? Consegue, mas exige organização: horários fixos e participação ativa da criança na preparação podem ajudar.

Equívocos comuns

  • “Se cada um comer no seu tempo, é mais prático.” Praticidade nem sempre significa saúde.
  • “Telas entretêm as crianças, então tudo bem.” A distração impede a percepção de saciedade e a conversa em família.

Conclusão

Reunir a família à mesa é simples como um abraço, mas hoje exige esforço consciente. Trabalho, trânsito, telas e novos formatos de família criam barreiras, mas entender esses desafios é o primeiro passo para vencê-los. Aqui no Clube da Saúde Infantil, lembramos: cada garfada compartilhada é um investimento em afeto e saúde. Crescer com saúde é mais legal.


Referências

  1. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018. Rio de Janeiro; 2019.
  2. Revista de Saúde Pública. Padrões alimentares na sociedade contemporânea. 2020;54:23.
  3. Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos. Tempo de trabalho em São Paulo. São Paulo; 2021.
  4. Sociedade Brasileira de Pediatria. Uso de dispositivos eletrônicos durante as refeições. São Paulo; 2022.
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira. Brasília; 2021.
  6. Journal of Family Studies. Contemporary challenges to family meals. 2021;15(2):45-60.
  7. Fundação Oswaldo Cruz. Impactos da pandemia nos hábitos alimentares brasileiros. Rio de Janeiro; 2022.