Novas articulações entre escolas e saúde expõem como a lei pode proteger crianças sob risco
Veja como normas nacionais ajudam a organizar respostas mais rápidas ao bullying e fortalecem o apoio à saúde física e emocional das crianças.

Você sabia que o bullying pode causar problemas de saúde que vão além das emoções? No Brasil, existem leis que ajudam a proteger crianças e orientar escolas e serviços de saúde. Neste conteúdo do Clube da Saúde Infantil, explicamos em linguagem simples o que essas regras dizem e como cada grupo pode agir.
O que é bullying e por que faz mal?
Bullying é a repetição de agressões físicas ou verbais entre colegas.
• Pode causar tristeza, medo e baixa autoestima.
• O corpo também sofre, com aumento de hormônios do estresse que elevam o risco de obesidade, pressão alta e diabetes.
As principais leis que protegem seu filho
Lei 13.185/2015 – Programa de Combate à Intimidação Sistemática
• Define o que é bullying.
• Obriga a escola a registrar casos e informar as famílias.
• Permite incluir ações de saúde dentro da escola.
ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente (1990)
• Garante o direito da criança a crescer sem violência.
• Permite denunciar agressões ao Conselho Tutelar.
BNCC – Base Nacional Comum Curricular (2018)
• Incentiva que as aulas desenvolvam empatia, respeito e autocontrole.
• Ajuda a prevenir brigas, xingamentos e exclusões.
PNPS – Política Nacional de Promoção da Saúde (2014)
• Enxerga o bullying como um problema de saúde pública.
• Permite que Unidades Básicas criem planos de cuidado para crianças agredidas, incluindo exames simples como glicemia e pressão arterial.
Desafios que ainda precisamos vencer
- Financiamento irregular, que faz muitos projetos acabarem cedo.
- Falta de preparo para identificar sinais físicos do estresse.
- Falta de integração entre escola e saúde, o que impede acompanhamento contínuo.
Dicas práticas para cada grupo agir
Famílias
• Conversar diariamente com a criança sobre a escola.
• Observar mudanças no sono, apetite e humor.
• Procurar a direção da escola e registrar tudo por escrito.
Escolas
• Promover rodas de conversa sobre respeito.
• Criar um canal anônimo para denúncias.
• Enviar relatórios mensais ao posto de saúde local.
Profissionais de saúde
• Perguntar sobre amizades e conflitos durante a consulta.
• Solicitar exames simples, como glicemia, pressão e IMC, quando houver sinais de estresse.
• Encaminhar para psicólogo quando necessário.
Exemplos que inspiram

• Finlândia: o programa KiVa reduziu casos de bullying ao incluir ações de saúde que melhoraram o bem-estar dos alunos.
• Fortaleza – Projeto Pulsar: a parceria entre escola e posto de saúde reduziu o nível de cortisol das crianças ao longo de dois anos.
Perguntas comuns
- Bullying é só brincadeira? Não. Para ser bullying, precisa ser repetitivo e causar dor.
- A escola é obrigada a agir? Sim, pela Lei 13.185.
- Posso denunciar no posto de saúde? Sim. Bullying afeta a saúde e pode ser notificado.
Equívocos que devemos evitar
• “Quem apanha é fraco.” Ninguém merece violência.
• “Meninos precisam brigar.” A lei protege todas as crianças.
• “Vai passar sozinho.” Sem apoio, o estresse pode virar doença crônica.
Como o Clube da Saúde Infantil pode ajudar
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação salva vidas. Compartilhe este conteúdo, envolva outros pais e converse com a escola. Juntos, podemos interromper o ciclo de agressão e doença.
Conclusão

Quando lei, escola, família e saúde caminham juntas, o bullying perde força e as crianças ganham segurança, alegria e bem-estar. Observar, conversar e agir cedo faz toda a diferença. Crescer com saúde é mais legal.
Referências
- ABRAPEE – Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional. Violência escolar e formação docente: relatório nacional. São Paulo, 2022.
- BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei n. 8.069, de 13 jul. 1990. Diário Oficial da União, 16 jul. 1990.
- BRASIL. Lei n. 13.185, de 6 nov. 2015. Diário Oficial da União, 9 nov. 2015.
- BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde. Brasília, 2014.
- CONASS – Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Boletim de Vigilância da Violência Escolar. Brasília, 2022.
- IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Financiamento municipal de programas de prevenção ao bullying. Brasília, 2021.
- LIMA, F. C. et al. Projeto Pulsar: avaliação de cortisol e circunferência abdominal em vítimas de bullying. Cadernos de Saúde Pública, v. 39, e00012323, 2023.
- SALMIVALLI, C.; POSKIPARTA, E. KiVa antibullying program: overview of effectiveness and development. International Journal of Conflict and Violence, v. 6, n. 2, p. 294-302, 2012.