Cantina escolar saudável: participação faz a diferença

Aprenda como a participação da comunidade escolar transforma a cantina, aumentando frutas, reduzindo ultraprocessados e incentivando hábitos saudáveis.

Você sabia que a merenda melhora quando toda a escola ajuda a escolher o cardápio? Pesquisas mostram que envolver pais, alunos e professores aumenta a oferta de frutas e reduz refrigerantes. Vamos ver como essa união funciona na prática e o que você pode fazer hoje mesmo.

Por que a participação importa

A cantina funciona como um time: quando cada pessoa colabora, os resultados melhoram. Escolas que escutam a comunidade servem 23% mais frutas e verduras e 18% menos bebidas açucaradas. No Brasil, o Conselho de Alimentação Escolar (CAE) já existe para isso, mas muitos municípios ainda realizam poucas reuniões ou não incluem os alunos.

Resultados que a ciência mostra

Escolas com CAE ativo apresentam menos problemas sanitários. Quando as reuniões são frequentes, o cardápio segue melhor o Guia Alimentar para a População Brasileira. Posicionar frutas na altura dos olhos aumenta em 12% a venda de opções saudáveis sem reduzir a receita.

Três passos para agir já

1. Governança clara

Faça rodízio de membros no CAE, incluindo pais, estudantes e funcionários da cozinha. Cidades como Sobral (CE) criaram pequenos grupos para definir cardápio, compras e higiene, resultando em 40% melhor uso do dinheiro do PNAE.

2. Formação rápida

Oficinas curtas com nutricionistas ensinam a ler rótulos e planejar pratos simples. Após as oficinas, membros do CAE ficaram 30% mais atentos a erros na cantina. Cursos on-line e jogos também ajudam quem mora longe.

3. Comunicação que dá gosto

Mostre as mudanças usando cartazes com o “prato do dia”, murais da horta e histórias de agricultores locais. Quando a criança vê a mesma couve na horta, no livro e no prato, cria-se um vínculo com o alimento.

Exemplos que inspiram

Em Campinas (SP), o projeto “Cantina Viva” ampliou o conselho escolar e estabeleceu metas simples, como contar “quantas cores há no prato”. Em dois anos, houve 35% menos ultraprocessados e 1,2 kg/m² a menos de desperdício.

Nos Estados Unidos, o programa “Farm to School” promove degustações com agricultores, e 65% das escolas relatam maior consumo de vegetais em um ano.

Na França, o “Conseils de Restauration” envolve alunos que provam novas receitas a cada trimestre, aumentando a aceitação de pratos com feijão e lentilha.

Perguntas que sempre aparecem

O cardápio perderá dinheiro se o refrigerante for removido? Não. Estudos mostram que a venda total não cai quando frutas são destacadas.

Se meu filho não gosta de verdura, vale insistir? Sim, a participação da criança no processo faz com que ela experimente mais vezes e passe a gostar.

O CAE é só burocracia? Não. Ele também testa receitas, visita agricultores e avalia sabor, cor e temperatura dos alimentos.

Como começar na sua escola

Pergunte se o CAE existe e quando será a próxima reunião. Defina metas simples, como incluir duas frutas regionais no cardápio em 90 dias. Crie um grupo de mensagens para enviar fotos e opiniões sobre a merenda em tempo real.

Conclusão

Quando a comunidade cuida da cantina, a merenda fica mais colorida, saborosa e nutritiva. Pais, alunos e professores juntos formam um círculo de apoio que se estende além da escola. Crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. BRASIL. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Resolução nº 6, de 8 de maio de 2020. Dispõe sobre o Programa Nacional de Alimentação Escolar. Diário Oficial da União, 2020.
  2. JAIME, P. C.; PRADO, R. R.; RAUBER, F. Ambiente alimentar escolar e consumo de ultraprocessados entre adolescentes brasileiros. Public Health Nutrition, v. 21, n. 3, p. 1-9, 2018.
  3. FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION. Good practices for the participation of the school community in school feeding programmes. Roma: FAO, 2021.
  4. CASTRO, I. R. R.; CARDOSO, L. O.; POFAHL, C. Avaliação da implementação do Programa de Alimentação Escolar no município do Rio de Janeiro. Revista de Nutrição, v. 28, n. 1, p. 65-75, 2015.
  5. PEREIRA, M.; ASSIS, A. M. O. Conselhos de alimentação escolar e qualidade da merenda: estudo multicêntrico. Cadernos de Saúde Pública, v. 35, n. 4, p. e00123418, 2019.
  6. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Caderno de Monitoramento e Avaliação do PNAE. Brasília: MEC/FNDE, 2022.
  7. UNITED STATES DEPARTMENT OF AGRICULTURE. Farm to School Census. Washington: USDA, 2019.
  8. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2. ed. Brasília: MS, 2014.