Transformar custa menos do que parece: o lado econômico das cantinas saudáveis

Saiba por que investir em uma cantina saudável é mais acessível do que parece e como equilibrar custos, lucro e benefícios para os alunos.

Você sonha com uma cantina que sirva frutas frescas e lanches feitos na hora? A boa notícia: isso é possível e pode sair mais barato do que parece. Neste guia do Clube da Saúde Infantil, mostramos quanto custa, de onde vem o dinheiro e como medir o sucesso. Tudo em linguagem simples e direto ao ponto.

Por que mudar a cantina vale a pena?

Quando a escola troca refrigerante por suco natural, todos ganham. Estudos do FNDE mostram que, após quatro anos, cada real investido gera três reais em benefícios, como menos faltas e melhor desempenho escolar. Gestores também relatam imagem positiva da escola e menos lixo no pátio.

Quanto custa e quando o investimento volta?

No primeiro ano, o gasto com ingredientes pode subir de 8% a 12% porque entram frutas, verduras e proteínas de melhor qualidade. Mas o equilíbrio chega entre o 14.º e o 18.º mês graças a:

  • Compra de alimentos na época certa (mais barato).
  • Menos desperdício.
  • Treinamento da equipe em vez de terceirizar tudo.

Três jeitos de gerir a nova cantina

  1. Autogestão com apoio dos nutricionistas da prefeitura.
  2. Concessão a microempreendedor local, com contrato exigindo cardápio saudável.
  3. Cooperativa escolar, onde parte do lucro volta para projetos da escola.

Todos usam compras coletivas, cardápios que seguem as estações do ano e contratos longos para dar segurança aos agricultores.

Como começar sem susto

Mudar tudo de uma vez pode assustar alunos e pais. A dica é oferecer o “lanche do dia saudável” duas vezes por semana e aumentar aos poucos até um ano. Assim, a escola testa receitas, coleta opiniões e ajusta tempero e preço.

Fontes de dinheiro para a mudança

  • PNAE: já exige 30% comprados da agricultura familiar. Pode chegar a 60% com editais especiais.
  • Parceria público-privada: empresas cedem fornos ou processadores em comodato.
  • Fundos regionais: crédito com juros baixos para cooperativas escolares.
  • Crowdfunding: campanhas online engajam a comunidade. Uma escola em Florianópolis juntou R$ 32 mil para trocar plástico por inox.

Como medir se deu certo

Use planilhas simples ou aplicativos gratuitos para acompanhar:

  • Ticket médio (quanto cada aluno gasta).
  • Taxa de desperdício.
  • Margem bruta por produto.

Meta de saúde e ambiente:

  • IMC médio dos alunos cair até 5% em dois anos.
  • Consumo diário de frutas subir 20%.
  • Lixo orgânico diminuir 30%.
  • Pais felizes: 80% de aprovação nas enquetes.

Dicas finais para não perder o ritmo

  • Publique balanços simples em murais e redes sociais.
  • Faça reuniões com a Associação de Pais e Mestres.
  • Mostre fotos do antes e depois da cantina.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que transparência cria confiança e atrai novos parceiros.

Conclusão

Transformar a cantina custa um pouco mais no começo, mas o retorno chega rápido: saúde para as crianças, menos lixo e contas no azul. Com planejamento, parcerias e participação da comunidade, crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. BERTOLINI, L.; RODRIGUES, E. Cantinas escolares: guia de boas práticas. Brasília: FNDE, 2021.
  2. BRASIL. Ministério da Educação. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Relatório de gestão do PNAE 2022. Brasília, 2022.
  3. CARVALHO, J. F. et al. Impacto de lanches escolares em indicadores de saúde. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 37, n. 9, e00012321, 2021.
  4. FAO – Food and Agriculture Organization. School food and nutrition framework. Rome, 2019.
  5. FREITAS, C.; SOUZA, D. Ferramentas digitais de gestão em cantinas escolares. Revista Brasileira de Nutrição, São Paulo, v. 15, n. 2, p. 45-58, 2022.
  6. SILVA, M. A. et al. Avaliação econômica de cantinas escolares saudáveis no Brasil. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 55, 2021.
  7. WFP – World Food Programme. School feeding: investment case. Rome, 2020.