Cantina segura e nutritiva: boas práticas que funcionam na escola

Aprenda estratégias práticas e comprovadas para transformar a cantina da escola em um espaço saudável, seguro e econômico

Você sabia que a saúde dos alunos começa também na cantina? Quando quem prepara a merenda recebe bom treinamento, a comida fica mais segura, saborosa e cheia de nutrientes. Neste guia rápido do Clube da Saúde Infantil, mostramos passos simples — e comprovados pela ciência — para transformar a cantina da sua escola.

Por que treinar quem trabalha na cantina

Uma cantina saudável precisa de três pontos fortes, como as pernas de um tripé: segurança dos alimentos para evitar doenças, qualidade nutricional oferecendo vitaminas e minerais essenciais e gestão inteligente para comprar bem, evitar desperdício e economizar dinheiro. Sem uma dessas “pernas”, o tripé cai.

Segurança dos alimentos: não deixar a comida “ficar doente”

Lavar bem as mãos e usar touca são regras básicas, controlar a temperatura da comida (quente acima de 60 °C e fria abaixo de 5 °C) e evitar contaminação cruzada, como não usar a mesma tábua para frango cru e salada, garantem segurança na cantina.

Qualidade nutricional: comida que ajuda a crescer forte

Cozinhar ao vapor, como acontece com o brócolis, mantém ferro e ácido fólico. Reduzir óleo e aproveitar cascas e talos aumenta fibras e diminui custo. Seguir o padrão mínimo do FNDE (Resolução 06/2020) ajuda a oferecer refeições equilibradas.

Gestão: comprar bem e gastar pouco

Planejar o estoque evita faltas de alimentos e sobras de produtos ultraprocessados. Negociar com agricultores locais garante cumprimento da Lei 11.947/2009, que exige usar pelo menos 30% do dinheiro em agricultura familiar. Anotar perdas e criar planos de ação pode economizar até R$ 0,22 por refeição.

Como é o treinamento que funciona

Aulas curtas todo mês

Microcursos mensais elevam o acerto nas práticas de 57% para 82%, mostrando que pequenas doses de conteúdo funcionam melhor que uma única aula extensa.

Misturar on-line e prática

O blended learning combina vídeos curtos no celular com prática na cozinha. A merendeira pode rever conteúdos poucos minutos antes de organizar a geladeira, aumentando eficiência.

Aprender junto com professores e médicos

Envolver nutricionistas, professores e pediatras aumenta a adesão às boas práticas. O projeto “Saberes e Sabores” mostrou aumento de 25% nas receitas ricas em ferro quando as famílias também participam.

Problemas mais comuns e soluções

Troca rápida de funcionários

Inclua no contrato cláusula de “treinamento obrigatório na chegada” para garantir que todos saibam as regras desde o início.

Falta de tempo para estudar

Use gamificação com quizzes curtos no celular durante pausas, aumentando a participação em 30%, como demonstrado em estudo no Maranhão.

Resistência a mudar

Mostrar resultados claros, como gráficos de hemoglobina e IMC dos alunos em reuniões mensais, ajuda a equipe a perceber que mudanças simples, como trocar suco artificial por laranja, fazem diferença real.

Olho no futuro: comida regional e sustentável

Usar alimentos da estação reduz preço e pegada de carbono, comprar direto da comunidade rural movimenta a economia local, e cantinas com o selo “Cantina Alimenta+” ganham reconhecimento e até mais matrículas. Escolas com cantinas bem treinadas tornam-se laboratórios vivos de saúde, segurança alimentar e cidadania.

Conclusão

Treinar merendeiras e gestores é um investimento que retorna em saúde e economia. Seguindo passos simples — segurança, nutrição e gestão — sua escola avança rapidamente. Lembre-se: crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº 216, 2004.
  2. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Resolução nº 06, 2020.
  3. Conselho Federal de Nutricionistas. Censo das Ações de Alimentação Escolar, 2022.
  4. Oliveira, R. M. et al. Revista de Nutrição, 2022.
  5. Castro, L. F.; Souza, A. P. Ciência & Saúde Coletiva, 2021.
  6. Santos, J. R.; Pereira, M. S. Segurança Alimentar e Nutricional, 2021.
  7. Fonseca, D. A. Revista Brasileira de Educação, 2022.
  8. Secretaria de Educação do Distrito Federal. Programa Cantina Alimenta+, 2021.
  9. Brasil. Lei nº 11.947, 2009.