O momento certo: quando e como a avaliação de colesterol protege a saúde do seu filho
Saiba quando testar o colesterol infantil, como o exame de sangue é feito e como interpretar os resultados. Orientações claras para acompanhar o crescimento com segurança.

O colesterol não é um assunto exclusivo dos adultos. Avaliar esse indicador desde cedo ajuda a prevenir problemas no futuro e acompanhar como o corpo da criança está funcionando. Aqui no Clube da Saúde Infantil, explicamos de forma simples quando fazer o exame de colesterol, como ele é realizado e o que seus resultados significam.
Por que testar o colesterol das crianças
Alterações no colesterol podem favorecer o acúmulo de gordura nas artérias ainda na infância. Identificar esse desequilíbrio cedo facilita ajustes na rotina, alimentação e cuidados preventivos, reduzindo riscos ao longo da vida.
Quando fazer o exame
O rastreamento do colesterol infantil segue duas orientações principais recomendadas por sociedades médicas:
• Todas as crianças devem testar uma vez entre 9 e 11 anos, em uma etapa conhecida como rastreamento universal.
• Crianças com fatores de risco, como histórico familiar de doença cardiovascular precoce ou obesidade, podem iniciar o exame a partir dos 2 anos.
Pesquisas nacionais apontam que aproximadamente uma em cada cinco crianças brasileiras já apresenta alguma alteração nas taxas.
Como é feito o teste
O exame consiste em uma coleta simples de sangue. Geralmente realizada pela manhã, ela permite a análise completa do perfil lipídico, que inclui:
- Colesterol total.
- LDL.
- HDL.
- Triglicerídeos.
A necessidade de jejum varia conforme a orientação médica e a rotina da criança.
O que significam os resultados

Para facilitar a compreensão, abaixo estão os principais valores de referência usados na infância:
|
Componente |
Desejável |
Limítrofe |
Alto |
|---|---|---|---|
|
Colesterol total (mg/dL) |
abaixo de 170 |
170 a 199 |
200 ou mais |
|
LDL (mg/dL) |
abaixo de 110 |
110 a 129 |
130 ou mais |
Os valores de HDL e triglicerídeos variam conforme a idade, e o pediatra interpreta cada caso considerando o histórico da criança.
Com que frequência repetir o exame
• Perfil normal: repetir após cinco anos.
• Perfil limítrofe: repetir em um a dois anos.
• Perfil alto: repetir conforme orientação médica, com acompanhamento de hábitos, alimentação e atividade física.
Mitos comuns sobre colesterol infantil
Mito 1: Crianças não têm colesterol alto.
Fato: Estudos mostram que cerca de 20% das crianças brasileiras já apresentam alteração.
Mito 2: Apenas crianças obesas precisam testar.
Fato: Alterações genéticas podem ocorrer mesmo em crianças com peso adequado, justificando o rastreamento universal na faixa dos 9 aos 11 anos.
Dúvidas frequentes
O exame dói?
A coleta é rápida e semelhante a qualquer exame de sangue.
Meu filho precisa de jejum?
Depende da orientação médica. Muitas vezes o exame pode ser feito sem jejum, para não alterar a rotina da criança.
Se o exame vier alto, meu filho precisará de remédio?
Na maioria dos casos, o tratamento inicial envolve ajustes de alimentação e atividade física. Medicamentos são usados apenas em situações específicas e com acompanhamento médico.
Conclusão

Testar o colesterol infantil é uma medida simples e importante para proteger o coração desde cedo. Marcar o exame na idade recomendada e acompanhar os resultados ajuda a orientar escolhas mais saudáveis ao longo da infância. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal — e isso inclui cuidar do colesterol com atenção e informação.
Referências
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Diretrizes de Prevenção da Aterosclerose na Infância e na Adolescência. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 95, n. 4, supl. S1-S19, 2019.
- Santos, R. D. et al. Prevalence of dyslipidemia in Brazilian children and adolescents: A systematic review. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 23, e200089, 2020.
- Xavier, H. T. et al. V Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 101, n. 4, supl. 1, p. 1-22, 2018.
- Giuliano, I. C. B. et al. I Diretriz de Prevenção da Aterosclerose na Infância e na Adolescência. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 96, n. 3, supl. 1, p. 1-24, 2021.