Comer pouco, crescer menos: as consequências do medo de comida nova
Entenda como a neofobia alimentar afeta o desenvolvimento físico e emocional das crianças e veja atitudes simples para garantir nutrição e bem-estar.

Seu filho faz careta para qualquer comida nova? Esse medo de experimentar sabores diferentes tem nome: neofobia alimentar. Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos de forma simples por que esse comportamento pode atrapalhar o crescimento e como acompanhar a saúde da criança. Vamos juntos?
O que é neofobia alimentar
A neofobia alimentar é o medo ou a recusa de provar novos alimentos. É comum em parte das crianças, mas quando persiste por muito tempo pode prejudicar a nutrição e o desenvolvimento.
Por que a neofobia preocupa
Deficiências de vitaminas e minerais
Crianças que evitam muitos alimentos têm maior risco de apresentar carência de ferro, zinco e vitaminas A, C e D. Pesquisas mostram que quase metade das crianças com neofobia grave já apresentou algum tipo de deficiência nutricional nos primeiros anos de vida.
Crescimento mais lento
Quando o corpo não recebe todos os nutrientes de que precisa, o crescimento desacelera — como uma planta que cresce menos sem água suficiente. Cerca de um quarto das crianças neofóbicas saem da curva de crescimento esperada.
Riscos para o futuro
O hábito de comer sempre o mesmo tipo de alimento pode se estender até a vida adulta, aumentando a chance de doenças crônicas como diabetes, hipertensão e obesidade. Por isso, quanto mais cedo o cuidado, melhor.
Como monitorar a saúde da criança

Profissionais de saúde recomendam acompanhar o estado nutricional a cada três meses. As principais ações incluem:
- Peso e altura: avaliados em cada consulta.
- Exames de sangue: para verificar ferro, zinco e vitaminas.
- Registro alimentar: anotar tudo o que a criança come por alguns dias ajuda o pediatra a identificar carências.
- Desenvolvimento global: observar fala, aprendizado e energia nas brincadeiras.
Intervenção precoce: quanto antes, melhor
Atuar cedo, especialmente antes dos 5 anos, ajuda a evitar deficiências importantes. Profissionais costumam orientar:
- Oferecer novos alimentos em pequenas quantidades e com frequência.
- Manter uma rotina regular de horários para as refeições.
- Envolver a criança no preparo, transformando o momento em algo lúdico e agradável.
Perguntas frequentes
Neofobia é frescura?
Não. É um comportamento reconhecido e estudado, que merece atenção quando persiste por muito tempo.
Basta dar vitaminas em gotas?
Não. Suplementos só devem ser usados com orientação médica. O objetivo é ampliar a variedade alimentar, não substituir o aprendizado com pílulas.
Conclusão

A neofobia alimentar pode parecer apenas resistência ou birra, mas pode trazer carências nutricionais e atrasos no crescimento. Com acompanhamento regular e atitudes simples — como oferecer alimentos variados e tornar as refeições um momento leve — é possível garantir um desenvolvimento saudável.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, reforçamos: crescer com saúde é mais legal!
Referências
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