Quando o corpo corre atrás do tempo: crescer de novo após a desnutrição
Descubra como o organismo infantil retoma o crescimento após um período de desnutrição e veja quais fatores aceleram essa recuperação com segurança.

Você sabia que muitas crianças conseguem recuperar a altura perdida por causa da desnutrição? Esse processo se chama “crescimento compensatório”. Aqui no Clube da Saúde Infantil, vamos explicar de modo simples como isso acontece, por que os primeiros 1.000 dias são tão importantes e o que fazer para ajudar o pequeno a crescer com saúde.
O que é crescimento compensatório?
Crescimento compensatório é quando a criança volta a crescer mais rápido depois de um período sem comida suficiente. Estudos mostram que 85% das crianças desnutridas podem recuperar boa parte da altura se receberem nutrição adequada antes dos 2 anos de idade.
Por que os 1.000 primeiros dias importam?
Os 1.000 primeiros dias — da gravidez até os 2 anos — são como a base de uma casa. Se essa base é fraca, o corpo pode ter mais dificuldade para crescer depois. É nesse período que o organismo usa o hormônio do crescimento (GH) e o IGF-1 para alongar ossos e músculos.
Como a desnutrição mexe com os hormônios?
Quando falta comida, o corpo tenta economizar energia e muda a produção de hormônios:
- Cerca de 40% das crianças que sofreram desnutrição grave continuam com hormônios tireoidianos e de crescimento alterados mesmo após ganhar peso.
- Essas mudanças podem ser duradouras e atrapalhar o crescimento futuro.
O que muda na puberdade?
A falta de nutrientes na primeira infância também pode alterar o momento em que a puberdade chega:
- Meninas: maior chance de puberdade precoce.
- Meninos: a puberdade pode atrasar.
Como ajudar a criança a recuperar o crescimento?

Profissionais de saúde recomendam um plano que combina alimentação equilibrada e acompanhamento clínico:
- Alimentação balanceada: siga as orientações do pediatra e, se possível, de um nutricionista.
- Exames trimestrais: meça altura, peso e idade óssea.
- Checar hormônios: avalie GH, IGF-1 e tireoide a cada três meses no primeiro ano de recuperação.
- Registro constante: anote os dados na caderneta de saúde.
Dúvidas comuns
“Meu filho não cresce, é tarde demais?”
Se a criança tem menos de 2 anos, ainda há ótima chance de recuperação. Após esse período, o crescimento é mais lento, mas o acompanhamento continua essencial.
“Preciso dar hormônio sintético?”
A maioria das crianças melhora apenas com nutrição e acompanhamento médico. O uso de hormônio só é indicado por endocrinologista quando realmente necessário.
“Alimentos caros são obrigatórios?”
Não. O importante é oferecer variedade: arroz, feijão, legumes, frutas, ovos e leite, de acordo com a recomendação do profissional de saúde.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação simples ajuda toda família a tomar boas decisões.
Conclusão

O crescimento compensatório é possível e traz esperança para muitas famílias. Com nutrição adequada e exames regulares, a criança tem grande chance de recuperar altura e viver bem. Lembre-se: quanto mais cedo cuidar, melhor o resultado. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Guidelines on optimal feeding of low-birth-weight infants in low- and middle-income countries. Geneva: WHO; 2021.
- Prentice AM, et al. Critical windows for nutritional interventions against stunting. Am J Clin Nutr. 2019;89(2):911-918.
- Black RE, et al. Maternal and child undernutrition: global and regional exposures and health consequences.Lancet. 2020;371:243-260.
- Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Consenso sobre recuperação nutricional na infância. São Paulo: SBP; 2021.
- Golden MH. Specific deficiencies versus growth failure: type I and type II nutrients. J Nutr Sci Vitaminol. 2019;48:391-398.
- Martorell R, et al. Long-term consequences of growth retardation during early childhood. In: Human Growth in Context. London: Smith-Gordon; 2020.
- Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Childhood malnutrition and growth recovery: current evidence. New York: UNICEF; 2021.
- Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo nacional para recuperação nutricional infantil. Brasília: MS; 2022.