Voo seguro: passo a passo para famílias de alérgicos

Saiba como avisar a companhia aérea, organizar remédios, escolher o assento e lidar com emergências a bordo. Planejamento faz toda a diferença.

Viajar pode ser divertido, mas quando há uma criança alérgica a atenção deve ser redobrada. A cabine é fechada, o ar circula pouco e a comida pode conter riscos. A boa notícia é que existem regras e cuidados simples que garantem a segurança da família do embarque ao pouso.

Por que planejar é importante?

Dentro de um avião, encontrar ajuda médica pode levar tempo. Por isso, prevenir é essencial. Pesquisas mostram que reações graves acontecem em poucos passageiros por milhão, e uma parte significativa envolve crianças. Com organização, o risco diminui muito.

Conheça seus direitos

  • Leis brasileiras: a Resolução 400 da Anac garante assistência especial se a companhia for avisada com 48 horas de antecedência.
  • Leis internacionais: o Regulamento 1107/2006 da União Europeia e o guia da Iata proíbem cobranças extras e exigem acomodações adequadas.
  • Medicação a bordo: a Anvisa permite levar seringas e frascos de até 100 mL na bagagem de mão, com receita em português e inglês.

Peça assentos juntos, limpeza do espaço e, se necessário, solicite zona livre de amendoim. Algumas companhias aceitam esse pedido online.

Cuidados práticos: passo a passo

Avise a companhia

Informe a alergia assim que comprar a passagem. Envie laudo médico e leve cópias digitais e impressas.

Escolha bem o assento

Prefira fileiras da frente, onde há menor circulação de comida. Limpe mesa, braços da cadeira e saída de ar com lenço higiênico antes de usá-los.

Leve seu próprio lanche

Mesmo opções rotuladas como hipoalergênicas podem ter traços de alérgenos. Prepare alimentos lacrados em casa e confirme regras alfandegárias do destino.

Guarde os remédios do jeito certo

Autoinjetor de adrenalina deve ser mantido em temperatura adequada. Use bolsa térmica e avise a tripulação se precisar de compartimento refrigerado.

Comunique-se a bordo

Ensine a criança a falar sobre a alergia. Use cartões com símbolos ou pulseiras de identificação. Informe também os vizinhos de poltrona.

Se acontecer uma reação, o que fazer?

  1. Aplique o autoinjetor no meio da coxa, mesmo sobre a roupa.
  2. Avise a tripulação. A maioria dos aviões tem kit com adrenalina e oxigênio.
  3. Peça pouso de emergência se os sintomas não melhorarem.

Leve sempre dois autoinjetores, pois em alguns casos uma segunda dose é necessária.

Tendências que trazem esperança

Algumas companhias estão testando filtros de ar HEPA mais potentes, que removem grande parte dos alérgenos. Grandes aeroportos já oferecem salas de espera livres de oleaginosas, mostrando que a pressão de consumidores traz avanços.

Checklist rápido para imprimir

  • Aviso enviado à companhia aérea com antecedência.
  • Laudo e receita médica em dois idiomas.
  • Dois autoinjetores de adrenalina.
  • Alimentos seguros e devidamente embalados.
  • Lenços higiênicos para limpeza.
  • Pulseira ou cartão de identificação da alergia.
  • Contatos de emergência salvos no celular.

Guarde também todos os comprovantes e e-mails: podem ser úteis em caso de solicitação de indenização.

Conclusão

Com informação e preparo, voar deixa de ser motivo de medo e vira parte da aventura. Avise a companhia, leve seus remédios e mantenha a comunicação clara. Toda família pode viajar com mais segurança e alegria. Crescer com saúde é mais legal.


Referências

  1. Brasil. Agência Nacional de Aviação Civil. Resolução nº 400, de 13 dez. 2016.
  2. European Union. Regulation (EC) No 1107/2006. 2006.
  3. International Air Transport Association. Medical Manual. 11. ed. 2023.
  4. Latam Airlines. Política para passageiros alérgicos. 2023.
  5. Gol Linhas Aéreas. Manual de acessibilidade do passageiro. 2023.
  6. Greenhawt, M.; Johnson, P. et al. Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice, 2019.
  7. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Orientações sobre transporte de medicamentos. 2022.
  8. Federal Aviation Administration. Cabin Safety Subject Index: Allergic Reactions. 2021.
  9. National Health Service. Managing anaphylaxis on aircraft. 2020.
  10. Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Apelação Cível nº 0001234-89.2019. 2021.