Cuidar antes de engravidar ainda é privilégio? O retrato do pré-concepcional no Brasil

O cuidado antes da gravidez ainda é distante para muitas mulheres. Entenda o papel do SUS, os desafios regionais e o que pode mudar esse cenário.

Você pensa em ter um bebê? Cuidar da saúde antes da gravidez é o primeiro presente para a criança. Aqui no Clube da Saúde Infantil, explicamos de forma simples por que o planejamento pré-concepcional é importante, como encontrar ajuda no SUS e o que o Brasil ainda precisa melhorar. Vamos lá?

Planejamento pré-concepcional: o que é?

Planejamento pré-concepcional é o cuidado da mulher e do casal antes da gravidez. É como preparar o solo antes de plantar uma semente. O objetivo é prevenir doenças, ajustar medicamentos e garantir um começo saudável para o futuro bebê.

Por que isso importa tanto?

  • Reduz riscos de diabetes gestacional e pressão alta.
  • Diminui obesidade e outras doenças crônicas na criança.
  • Cada R$ 1 investido economiza cerca de R$ 4 em tratamentos futuros.

Como está o Brasil hoje

O SUS já tem programas de pré-natal fortes, mas o cuidado antes da gravidez ainda é limitado. Em 2020, apenas 14% das mulheres receberam orientação pré-concepcional. A oferta de ácido fólico, por exemplo, passa de 60% no Sul/Sudeste, mas não chega a 25% no Norte.

Na saúde privada, exames como hemoglobina glicada não estão no rol obrigatório, e casais gastam em média R$ 700 do próprio bolso.

Novos passos do governo

Em 2022, o Ministério da Saúde colocou um checklist pré-concepcional no sistema e-SUS. Alguns estados, como Pernambuco, já treinam enfermeiros para esse atendimento.

O que podemos aprender com outros países

  • Holanda: cada mulher tem direito a duas consultas específicas. Resultado: 20% menos bebês grandes demais e 13% menos pré-eclâmpsia.
  • Reino Unido: clínicas de saúde sexual precisam oferecer avaliação de estilo de vida antes da concepção.
  • Chile: com o programa “Chile Crece Contigo”, o baixo peso ao nascer caiu 15% em cinco anos.

Barreiras que ainda temos

  1. Falta de informação para a população.
  2. Pouco treinamento de médicos e enfermeiros.
  3. Exames limitados pelo SUS e pelos planos.
  4. Ausência de indicadores nacionais claros.

Como superar esses obstáculos

  • Informar: campanhas usando rádio, WhatsApp e influenciadores. Um teste em Recife aumentou a procura por consultas em 35%.
  • Treinar profissionais: incluir o tema nos cursos da Universidade Aberta do SUS.
  • Ampliar exames: a CONITEC avalia incluir hemoglobina glicada e vitamina D no SUS.
  • Medição e incentivo: municípios que atingirem 60% de checklists completos podem ganhar recursos extras, como no programa Previna Brasil.

Telemedicina: o futuro que já chegou

Plataformas públicas, como o TeleNordeste, fazem consultas a distância para planejar gestações. Isso ajuda quem mora longe do posto de saúde e pode reduzir pela metade a diferença entre Norte e Sul. Mas é preciso internet gratuita em áreas rurais e linguagem bem simples.

Como você pode agir agora

  1. Marque uma consulta na Unidade Básica de Saúde e peça o checklist pré-concepcional.
  2. Comece a tomar ácido fólico três meses antes de engravidar.
  3. Controle doenças crônicas, como diabetes, com ajuda da equipe de saúde.
  4. Peça ao seu plano de saúde cobertura para exames essenciais, citando a norma da ANS.
  5. Compartilhe essa informação com amigas e familiares. Informação salva vidas!

Conclusão

Planejar a gravidez é simples, barato e traz benefícios para toda a família. O Brasil já tem estrutura; falta colocar as regras em prática. Procure sua UBS, converse com profissionais e garanta um começo de vida mais saudável para seu futuro bebê. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Informações de Atenção Básica – DATASUS. Brasília, 2021.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Relatório de Monitoramento da Rede Cegonha. Brasília, 2022.
  3. AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR. Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde 2021. Rio de Janeiro, 2021.
  4. HESLEHURST, N. et al. Impact of Dutch Preconception Health Consultation on Maternal and Child Outcomes. European Journal of Public Health, v. 29, p. 340-347, 2019.
  5. INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Avaliação Econômica de Estratégias de Prevenção Pré-concepcional. Brasília, 2021.
  6. GOBIERNO DE CHILE. Evaluación del Programa Chile Crece Contigo 2016-2021. Santiago, 2022.
  7. SILVA, A. L. et al. Uso de WhatsApp para promoção de saúde pré-concepcional em área urbana de Recife. Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, v. 18, e3456, 2023.
  8. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Relatório TeleNordeste: tele-APS no Brasil. Brasília, 2022.