Cuidar junto nem sempre é fácil: os desafios das equipes contra a obesidade infantil
Entenda os principais obstáculos do cuidado em equipe no tratamento da obesidade infantil e veja experiências reais que mostram caminhos possíveis.

Você já ouviu que “cada criança é um mundo”? Quando falamos de obesidade infantil, esse mundo precisa de um time completo: pediatra, nutricionista, psicólogo, educador físico e muito mais. Mas colocar todo mundo jogando junto ainda é um grande desafio no Brasil. Neste post, o Clube da Saúde Infantil mostra, em linguagem bem simples, por que isso acontece e o que já está dando certo. Vamos lá?
Por que tratar a obesidade infantil em equipe?
A obesidade não é só “comer demais”. Ela envolve emoções, rotina da família, escola, hormônios e até o bairro onde a criança vive. Por isso, precisamos de vários profissionais. É como um time de futebol: cada jogador tem sua função, mas todos querem o mesmo gol — a saúde da criança.
Principais desafios que atrapalham esse cuidado
1. Dinheiro curto e estrutura fraca
No SUS, muitas vezes a criança passa por profissionais em dias diferentes e sem prontuário único. Falta gente: um nutricionista ou psicólogo para várias Unidades Básicas de Saúde. Nos planos de saúde, o problema é o reembolso: pagam consultas separadas, mas não pagam a reunião de equipe. Gestores veem só o gasto inicial e esquecem que menos internações lá na frente economizam dinheiro.
2. Acesso difícil e abandono do tratamento
Famílias de áreas rurais ou periferias viajam muito tempo até o posto de saúde. Quando conseguem internet, a teleconsulta ajuda, mas nem sempre o sinal é bom. Sem retorno rápido, quatro em cada dez crianças desistem do programa em até seis meses. Metas curtas e grupos de apoio ajudam a segurar a motivação.
3. Resistência entre os próprios profissionais
Alguns ainda pensam que obesidade é só “contar calorias”. Cada especialista defende seu “território” e a criança fica no meio de orientações diferentes. Cursos de educação continuada, onde todos aprendem juntos, já reduzem esse conflito.
Boas ideias que já funcionam
Projeto Crescer Saudável (Paraná)
Pediatras, nutricionistas e educadores físicos se reúnem todo mês na Escola de Saúde Pública. Resultado: menos 12% de obesidade grau I em dois anos. O segredo foi dinheiro dividido entre prefeitura, estado e universidade, prontuário eletrônico único e pais treinados como “facilitadores”.
Clínicas privadas com “pacote assistencial”
O plano cobre todas as consultas do trimestre. Assim, a família paga uma vez só e a equipe se organiza melhor. Houve queda de 18% nos custos administrativos e menos exames repetidos.
Teleconsulta em grupo
Nutricionista e psicólogo entram na mesma chamada de vídeo. Planejam cardápio e comportamento ao mesmo tempo. Estudos mostram mais autoestima na família e menos desistência.
O que precisa mudar no Brasil
- Mais verba para reuniões de equipe e material educativo.
- Protocolos nacionais com número de consultas, metas claras e registro único.
- Módulos sobre trabalho em equipe nos cursos de Medicina, Nutrição, Psicologia e Educação Física.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que políticas alinhadas transformam vidas. Quando todos falam a mesma língua, a criança se sente em um caminho único e seguro.
Conclusão

Cuidar da obesidade infantil é um jogo coletivo. Precisamos vencer as barreiras de dinheiro, acesso e comunicação. Bons exemplos já mostram que, com união, a balança pode ficar mais leve. Compartilhe este texto e ajude outras famílias a descobrir que crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Benicio MH, Novaes AG. Fragmentação do cuidado na obesidade infantil: análise em serviços do SUS. Rev Baiana Saúde Pública. 2021;45(2):345-357.
- Conselho Federal de Nutrição. Perfil dos nutricionistas na atenção primária brasileira. Brasília: CFN; 2020.
- Agência Nacional de Saúde Suplementar. Rol de procedimentos e diretrizes de cobertura assistencial. Rio de Janeiro: ANS; 2022.
- Martins CE, Souza RV. Custo-efetividade de programas multidisciplinares no manejo da obesidade pediátrica. J Pediatr (Rio J). 2021;97(6):667-675.
- Oliveira DP, et al. Percepções de gestores sobre financiamento de equipes multiprofissionais. Cad Saúde Coletiva. 2021;29(4):550-562.
- IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: mobilidade e acesso a serviços de saúde. Rio de Janeiro: IBGE; 2022.
- Ministério da Saúde. Conecte SUS: relatório de implantação 2023. Brasília: MS; 2023.
- Rosa LH, Almeida SC. Fatores associados ao abandono de tratamento da obesidade infantil. Rev Paul Pediatr. 2022;40:e2022010.
- Santos AC, Pires MM. Visões biomédicas e psicossociais no tratamento da obesidade. Physis. 2021;31(3):e310314.
- Ferreira TR, et al. Conflitos e colaboração em equipes multiprofissionais. Saúde Debate. 2022;46(134):896-909.
- Secretaria de Estado da Saúde do Paraná. Relatório do Projeto Crescer Saudável 2020–2022. Curitiba: SESA-PR; 2023.
- Costa JM, Moura AC. Modelos de pagamento em clínicas de obesidade pediátrica. Rev Adm Saúde. 2022;22(1):101-112.
- Albuquerque GL, et al. Telemedicina no manejo da obesidade infantil: estudo controlado. Telemedicine Journal. 2023;8(2):45-53.
- Observatório de Saúde da Criança e do Adolescente. Dossiê sobre obesidade infantil: desafios e recomendações.Belo Horizonte: UFMG; 2023.