Gestantes de baixa renda sofrem mais com poluição e agrotóxicos, mostra pesquisa

Pesquisas no Brasil mostram que grávidas de baixa renda estão mais expostas a contaminantes ambientais. Veja medidas simples de proteção para mãe e bebê.

Você sabia que o lugar onde a gestante mora pode aumentar o risco de problemas para o bebê? Estudos no Brasil mostram que poluição, falta de saneamento e uso de agrotóxicos atingem mais quem vive em bairros pobres ou no campo. Aqui no Clube da Saúde Infantil, explicamos esse tema de forma simples para que toda família possa entender e agir.

O que é injustiça ambiental na gestação?

Injustiça ambiental ocorre quando determinados grupos ficam mais expostos à poluição do ar, da água ou do solo. Em 14 capitais brasileiras, gestantes de bairros de menor renda apresentaram até 35% mais chumbo no sangue em comparação com áreas ricas. Já no campo, grávidas da Amazônia mostraram níveis três vezes maiores de agrotóxicos na urina.

Quem corre mais risco?

  • Moradores de baixa renda: têm menos acesso a água tratada e coleta de lixo.
  • Pessoas negras ou pardas: concentram 68% das casas em áreas contaminadas por solventes em São Paulo.
  • Comunidades quilombolas: apresentam índice de parto prematuro até 1,8 vez maior.
  • Trabalhadoras rurais: contato diário com inseticidas aumenta 2,6 vezes o risco de parto prematuro.

Como esses riscos chegam ao bebê?

Ao respirar ar com fumaça ou metais pesados, a mãe leva essas substâncias ao sangue, que alcançam o feto. Pesquisas no Rio Grande do Sul relacionaram a exposição ao benzo[a]pireno a pulmões 14% menores em crianças de sete anos. Além disso, a queima de lixo a céu aberto pode aumentar em 30% a presença de dioxinas no ar, e o uso de fogão a lenha em casa gera quatro vezes mais fumaça fina do que o limite recomendado pela OMS.

O que podemos fazer já?

Mesmo sem grandes obras, algumas medidas reduzem muito os riscos:

  • Filtro de barro com prata: remove até 99% de bactérias e diminui resíduos de agrotóxicos.
  • Captação de água de chuva com descarte inicial: evita impurezas da primeira enxurrada.
  • Educação durante o pré-natal: treinamentos aumentam a oferta de informações sobre riscos químicos.
  • Direitos trabalhistas: gestantes podem ser afastadas de atividades insalubres sem prejuízo.

Para ampliar os cuidados, veja nosso conteúdo em Pré-natal seguro.

Dúvidas comuns

Moro perto de indústria. Devo me preocupar?
Sim. Procure a vigilância sanitária e solicite exame simples de água ou ar. Se possível, use filtro doméstico.

Usar máscara ajuda?
Sim. Máscaras PFF2 reduzem a inalação de partículas finas e são úteis em dias de muita fumaça.

Grávida pode trabalhar na lavoura?
Pode, desde que não haja contato direto com agrotóxicos. A lei garante troca de função ou afastamento.

Que equívocos precisamos evitar?

  • “Fumaça de fogão a lenha é natural, não faz mal.” → Mesmo natural, contém partículas que prejudicam o pulmão do bebê.
  • “Água de poço sempre é limpa.” → Poços rasos podem ter metais pesados e agrotóxicos. Testes de qualidade são necessários.
  • “Só adultos sofrem com poluição.” → O feto é ainda mais sensível, pois está em pleno desenvolvimento.

Conclusão

Garantir um ambiente saudável significa oferecer um começo de vida mais protegido. Com filtros simples, informação acessível e respeito aos direitos da gestante, é possível quebrar o ciclo da desigualdade ambiental. No Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal!


Referências

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