Alimentar o futuro: as próximas metas do Brasil na luta contra a desnutrição

Descubra o que o Brasil já alcançou e o que ainda falta para garantir uma infância bem nutrida. Avanços, desafios e estratégias que inspiram esperança.

Você sabia que o Brasil já reduziu pela metade a desnutrição infantil, mas ainda tem milhões de crianças em risco? Neste artigo do Clube da Saúde Infantil, vamos mostrar o que deu certo, onde ainda falta avançar e quais são as novidades que podem garantir que toda criança cresça forte e feliz.

O que mudou no Brasil nos últimos 20 anos

Entre 1996 e 2019, o número de crianças com atraso de crescimento caiu de 13,5% para 6%. Esse avanço veio de três grandes ações simples de entender.

Mais renda nas famílias

Programas como o Bolsa Família colocaram dinheiro direto no bolso de quem mais precisa. Com isso, a comida chegou à mesa de muitas crianças.

Atenção básica de saúde forte

Unidades de Saúde da Família passaram a pesar, medir e acompanhar as crianças de perto, detectando riscos cedo.

Incentivo à amamentação

Campanhas como a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil ajudaram mães a oferecer o leite materno, alimento perfeito para o bebê.

Onde ainda estamos falhando

Impacto da pandemia e cortes de verba

A COVID-19 trouxe de volta a fome para milhões de brasileiros. No Norte e Nordeste, quase uma em cada quatro crianças pequenas vive insegurança alimentar moderada ou grave. Além disso, o orçamento para vigilância alimentar caiu quase 40% na última década.

Programas que não conversam entre si

Cada ministério cuida de uma parte do problema e ainda falta juntar tudo em um só plano que acompanhe a criança da gestação até os dois anos de idade.

Falta de dados completos

O sistema SISVAN cobre pouco mais de um terço das crianças atendidas. Sem dados, é como dirigir no escuro: não sabemos onde investir e quem ajudar primeiro.

Ideias que estão dando certo no mundo

Janela dos 1.000 dias

Países como Peru e Senegal mostram que focar da gestação até os dois anos, com vitaminas, água limpa e carinho, reduz o nanismo em até 40%.

Tecnologia no bolso (m-Health)

Agentes de saúde usam o celular para pesar e medir a criança. Um teste no Maranhão identificou quase 30% mais casos de baixo peso na hora certa, evitando complicações.

Nutrição de precisão

Pesquisas da Fiocruz estudam o DNA para ajustar a dose de nutrientes para cada criança. É como regular a receita de um bolo para ficar perfeita para cada forno.

Quatro passos para o futuro do Brasil

1. Fundo fixo para a primeira infância

Um cofre separado, que não possa ser cortado todo ano, garante recursos estáveis para comida saudável e acompanhamento.

2. Dados integrados

Juntar SISVAN, Cadastro Único e e-SUS para acompanhar cada criança do nascimento até a escola.

3. Cuidado completo

Unir suplemento de vitaminas, brincadeiras que estimulam o cérebro e apoio à saúde mental das famílias, seguindo modelos como o Programa Criança Feliz.

4. Inovação na comunidade

Parcerias público-privadas podem levar testes rápidos e aplicativos de saúde para zonas rurais e periferias, onde o problema é maior.

Perguntas frequentes

Por que os primeiros 1.000 dias são tão importantes?
Porque é o período em que cérebro e corpo crescem mais rápido. Falta de nutrientes nessa fase pode causar problemas para toda a vida.

Amamentar realmente ajuda a evitar desnutrição?
Sim. O leite materno tem tudo que o bebê precisa até os seis meses e continua importante até os dois anos ou mais.

Meu município pode usar m-Health?
Sim. Muitos aplicativos brasileiros são gratuitos e funcionam mesmo offline. Procure a Secretaria de Saúde local.

Como posso ajudar como cidadão?
Divulgue programas de apoio, participe do Conselho de Alimentação Escolar e cobre dos gestores o uso correto do orçamento.

Conclusão

O Brasil já mostrou que é possível diminuir a desnutrição infantil, mas o caminho ainda é longo. Com financiamento estável, dados melhores e inovação perto das famílias, podemos zerar a fome dos pequenos. Aqui no Clube da Saúde Infantil acreditamos que, com informação clara e ação de todos, crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher – PNDS. Brasília, 2019.
  2. Rede PENSSAN. II Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia. São Paulo: Fundação Friedrich Ebert, 2022.
  3. UNICEF. Situação da Criança Brasileira 2022: Nutrição. Brasília: UNICEF, 2022.
  4. Tribunal de Contas da União. Relatório de Auditoria Operacional: Políticas de Nutrição Infantil. Brasília, 2021.
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.943, de 10 de agosto de 2021. Institui o Programa PROTEJA. Diário Oficial da União, 2021.
  6. Brasil. Ministério da Saúde. Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional – Relatório Anual 2022. Brasília, 2023.
  7. Victora, C. G.; De Onis, M. et al. The Lancet, 395(10217), 77-90, 2020.
  8. Silva, L. J.; Assis, A. M. O uso de m-Health na detecção precoce da desnutrição: estudo-piloto no Maranhão.Revista de Saúde Pública, 56, 1-9, 2022.
  9. Fiocruz. Relatório Técnico: Polimorfismos genéticos e recuperação imune pós-desnutrição grave. Rio de Janeiro, 2023.
  10. World Bank. Repositioning Nutrition as Central to Development: A Strategy for Large-Scale Action. Washington, DC: World Bank, 2021.