Equipe multidisciplinar: aliada decisiva contra a desnutrição infantil

Descubra a importância do trabalho em conjunto na desnutrição infantil e veja como essa abordagem reduz complicações e melhora os resultados do tratamento.

A desnutrição infantil é um problema que mexe com todo o corpo e com toda a família. Por isso, o cuidado precisa ser completo. Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos como uma equipe multidisciplinar — formada por vários tipos de profissionais — pode aumentar as chances de recuperação e salvar vidas. Vamos entender?

Por que chamar vários profissionais?

Quando falta comida ou nutrientes, o corpo da criança fica fraco, mas outros problemas aparecem juntos: infecções, tristeza, falta de renda. Um único profissional não dá conta de tudo. Estudos da Organização Mundial da Saúde mostram que, com nutricionista, médico, enfermeiro, psicólogo e assistente social trabalhando juntos, a mortalidade cai até 40%.

Quem faz o quê?

Nutricionista

  • Cria o cardápio certo para cada fase da recuperação.
  • Mede peso, altura e dobra de pele para avaliar o ganho.

Médico

  • Trata infecções e corrige sais e vitaminas.
  • Evita a síndrome de realimentação.

Enfermeiro

  • Observa sinais vitais e aplica fórmulas como F-75 e F-100 de forma segura.

Psicólogo

  • Ajuda no vínculo mãe-bebê e no apetite da criança.

Assistente social

  • Insere a família em programas de renda ou cestas básicas.

Quando todos se falam, o cuidado fica inteiro. É como montar um quebra-cabeça: cada peça é diferente, mas só juntas formam a figura completa.

Modelos de trabalho em equipe

Equipe núcleo

A mesma equipe segue a criança do hospital ao posto de saúde. No Hospital da Criança de Brasília, 85% tiveram alta com peso adequado.

Hub-and-spoke

O hub é um centro especializado; os spokes são postos básicos. Após a alta, o nutricionista do hub treina a equipe local. Em três estados do Nordeste, as reinternações caíram 30%.

Tecnologia que aproxima

Aplicativos de prontuário em tempo real permitem que agentes de saúde lancem peso e altura na hora. A equipe do hub pode ajustar a dieta sem demora.

Como eles se comunicam?

  • Reuniões semanais, presenciais ou on-line.
  • Relatórios simples: peso, sintomas, dieta, questões sociais.
  • Check-lists antes de dar fórmulas reduzem erros em 60%.

Desafios e soluções

  • Falta de profissionais: cursos rápidos para enfermeiros permitem triagem inicial.
  • Distância: teleconsultoria do Telessaúde Brasil responde dúvidas em até 72h.
  • Processos complicados: fichas de evolução simplificadas ajudam na rotina.

Perguntas que ouvimos muito

Posso tratar a desnutrição só com comida em casa?

A comida é vital, mas algumas crianças precisam de fórmulas especiais e remédios. Procure sempre uma equipe de saúde.

Meu filho melhorou; ainda precisa de acompanhamento?

Sim. Ganhar peso é só o começo. A equipe também verifica crescimento, fala e força muscular.

Conclusão

Quando diferentes especialistas somam forças, o cuidado fica mais rápido, seguro e humano. Os números provam: menos mortes, menos reinternações, mais crianças crescendo fortes. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal — e possível quando todos trabalham juntos.


Referências

  1. World Health Organization. Guideline: updates on the management of severe acute malnutrition in infants and children. Geneva: WHO, 2013.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília: MS, 2014.
  3. Oria, M. O.; Midzi, N.; Mothership. Prevention of refeeding syndrome in severely malnourished children. Lancet Child & Adolescent Health, 2021.
  4. Hospital da Criança de Brasília. Relatório anual de desempenho clínico. Brasília: HCB, 2022.
  5. Silva, A. P. et al. Hub-and-spoke model for malnutrition recovery in Northeast Brazil. Revista de Nutrição, 2021.
  6. Lima, G. S.; Mendonça, R. Aplicativos móveis no monitoramento nutricional. Ciência & Saúde Coletiva, 2020.
  7. Carvalho, T. et al. Impact of real-time data sharing on nutritional outcomes. Journal of Telemedicine and Telecare, 2019.
  8. Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo de manejo da desnutrição grave. Brasília: MS, 2019.
  9. Instituto de Segurança do Paciente. Checklists assistenciais: guia de implementação. São Paulo: ISP, 2018.
  10. Instituto da Criança de São Paulo. Segurança na prescrição de fórmulas terapêuticas. São Paulo: ICSP, 2021.
  11. Garcia, P.; Freitas, L. Multidisciplinarity in nutritional rehabilitation. Nutrition in Clinical Practice, 2022.
  12. UNICEF. Tracking stunting reduction in integrated care programs. New York: UNICEF, 2020.
  13. Fonseca, R. Curso de avaliação nutricional para enfermeiros: relato de experiência. Revista de Enfermagem em Atenção Básica, 2021.
  14. Telessaúde Brasil Redes. Relatório de atividades 2022. Brasília: MS, 2023.
  15. /15World Food Programme. Simplified approaches for community-based management of malnutrition. Rome: WFP, 2018.