Comida que afeta o humor: desequilíbrio alimentar e saúde mental infantil
Descubra como o desequilíbrio alimentar pode impactar o comportamento e o bem-estar emocional infantil e veja formas de garantir uma nutrição equilibrada.

Você sabia que o que a criança come pode mudar como ela se sente, pensa e aprende? Estudos mostram que faltar vitaminas e minerais simples, como ferro ou vitamina B12, aumenta o risco de depressão, ansiedade, TDAH e até psicose. Neste artigo do Clube da Saúde Infantil, vamos explicar de forma clara como a comida conversa com o cérebro e como pequenos ajustes no prato podem fazer muita diferença.
Por que a comida importa para a nossa mente?
O cérebro usa nutrientes como a gasolina de um carro. Sem gasolina, o carro falha. Sem vitaminas e minerais, o cérebro também falha. Resultado: mais tristeza, medo ou dificuldade de atenção.
Depressão e ansiedade: quando falta nutriente, o risco dobra
Estudos mostram que pessoas com pouca vitamina B12 e folato têm 2,5 vezes mais chance de depressão. Até 30% dos casos difíceis de tratar têm folato baixo. A falta de magnésio e zinco aparece em muitos quadros de ansiedade, e a melhora acontece depois da suplementação correta.
Vitaminas do complexo B (B12 e folato)
- Função: ajudam a fazer serotonina, o “hormônio do bem-estar”.
- Sinais de falta: cansaço, mau humor, esquecimento.
- Fontes simples: feijão, folhas verdes, carne, ovo.
Magnésio e zinco
- Função: acalmam o sistema nervoso.
- Sinais de falta: irritação fácil, dificuldade para dormir.
- Fontes simples: castanhas, sementes, grãos integrais.
TDAH e psicose: ligação com ferro, vitamina D e ômega-3
No TDAH, mesmo pouco ferro abaixo do ideal piora os sintomas. Imagens do cérebro mostram menos receptores de dopamina, o sinal da atenção. Na psicose, faltas de vitamina D e ômega-3 na gravidez e nos primeiros anos elevam o risco de esquizofrenia mais tarde.
Ferro
- Função: leva oxigênio ao cérebro.
- Fontes: carnes, feijão, couve, farinha enriquecida.
Vitamina D
- Função: protege neurônios e reduz inflamação.
- Fontes: sol de manhã, ovos, peixes gordos.
Ômega-3
- Função: forma a capa protetora dos neurônios.
- Fontes: sardinha, salmão, linhaça.
Como a falta de nutrientes mexe com o cérebro
A carência de vitaminas e minerais causa:
- Inflamação em todo o corpo, como uma febre escondida.
- Falha na “passagem de mensagens” entre neurônios.
- Mudanças nos “botões” do DNA (epigenética) que ligam ou desligam genes importantes.
O que pode ajudar? Suplementar e comer melhor
Quando médicos somam suplementos ao tratamento normal, a resposta cresce 40%. Mas suplemento não é automedicação: precisa de avaliação profissional.
Dicas simples:
- Ofereça cinco cores de frutas e verduras por dia.
- Inclua feijão ou lentilha e uma fonte de proteína animal ou vegetal.
- Use peixe gordo duas vezes na semana.
- Mantenha consulta regular com pediatra e nutricionista.
Quando procurar ajuda
- Tristeza que dura mais de duas semanas.
- Medo que atrapalha a rotina.
- Falta de atenção que prejudica escola e convivência.
Procure um profissional de saúde. Uma avaliação de sangue pode mostrar a raiz do problema.
Principais lições
- Comer bem protege o humor e a atenção.
- Vitaminas B, ferro, magnésio, zinco, vitamina D e ômega-3 são aliados da mente.
- Suplemento só com orientação médica.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação simples ajuda famílias a tomar decisões melhores.
Conclusão

Alimentar o corpo é também alimentar a mente. Quando nutrientes faltam, o risco de depressão, ansiedade, TDAH e psicose cresce. Com um prato colorido, sol na dose certa e orientação profissional, damos às crianças a base para aprender, brincar e sentir-se bem. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
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