A despedida do pediatra: o primeiro passo rumo à autonomia
Entenda por que a saída do pediatra representa um marco de crescimento e descubra como apoiar o adolescente nessa nova etapa com leveza e segurança.

Chega uma hora na vida de todo adolescente em que surge a dúvida: “Quando devo parar de ir ao pediatra?” Essa é uma pergunta muito comum entre pais e jovens. A transição do cuidado médico da infância para a vida adulta é como mudar de escola: precisa de preparo e planejamento.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que entender esse processo ajuda toda a família a crescer com mais saúde e segurança.
O que é a transição médica
A transição médica acontece quando o adolescente deixa de ser acompanhado pelo pediatra e passa a ser cuidado por médicos de adultos. É como passar de uma turma para outra na escola — cada uma tem suas próprias regras e formas de funcionamento.
Esse processo não acontece de uma hora para outra. É como aprender a dirigir: primeiro se aprende as regras, depois se pratica com alguém experiente ao lado.
Quando é o momento certo
O que dizem os especialistas
Segundo a Academia Americana de Pediatria, o preparo para a transição deve começar entre 12 e 14 anos, mas a mudança efetiva costuma ocorrer entre 18 e 21 anos. É como preparar-se para o vestibular: o estudo começa bem antes da prova.
No Brasil, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda que cada caso seja avaliado individualmente, mas que a transição geralmente ocorra após os 16 anos.
A realidade brasileira
Estudos mostram que, no Brasil, a maioria dos adolescentes deixa o pediatra entre 15 e 17 anos — mais cedo do que em outros países. Isso acontece por vários motivos: pressão do sistema de saúde, pouca oferta de especialistas e também fatores culturais e familiares.
Como saber se seu filho está pronto
A idade não é o único critério. Um jovem de 18 anos pode não estar preparado, enquanto outro de 16 já pode estar pronto. É como dirigir — alguns aprendem mais rápido, outros precisam de mais tempo.
Sinais de que está preparado
Seu filho demonstra prontidão quando consegue:
- Explicar sua própria saúde: sabe quais remédios usa e por quê.
- Marcar consultas sozinho: consegue agendar sem ajuda.
- Fazer perguntas ao médico: participa ativamente da conversa.
- Lembrar de tomar remédios: mantém rotina sem precisar de lembrete.
- Entender sua condição: se tem alguma doença, sabe explicar o básico.
Ferramentas para medir a prontidão

Existem instrumentos que ajudam a avaliar se o adolescente está preparado. Um dos mais utilizados é o TRAQ (Transition Readiness Assessment Questionnaire), que mede autonomia e responsabilidade sobre o próprio cuidado. É como um teste para tirar carteira de motorista — só que para dirigir a própria saúde.
Por que a transição planejada é melhor
Pesquisas mostram que, quando a transição é bem planejada, os jovens mantêm o tratamento 40 % melhor do que quando a mudança é feita sem preparo.
É como a diferença entre se mudar de casa com organização ou de última hora: quem planeja leva tudo o que precisa e chega mais seguro ao novo destino.
Casos especiais: doenças crônicas
Para adolescentes com doenças crônicas — como diabetes, asma ou epilepsia —, a transição requer atenção redobrada. É como mudar de escola com necessidades específicas: é preciso um plano detalhado, com apoio de toda a equipe de saúde.
Dicas para uma transição bem-sucedida
Para os pais
- Comece a conversar sobre o tema cedo.
- Deixe seu filho fazer perguntas nas consultas.
- Ensine-o a cuidar dos próprios remédios.
- Não tenha pressa — cada um tem seu tempo.
Para os adolescentes
- Aprenda sobre sua saúde e tratamentos.
- Faça perguntas ao médico sempre que tiver dúvidas.
- Pratique marcar consultas e se comunicar com profissionais.
- Peça ajuda quando precisar — isso também é sinal de maturidade.
O papel da família
A família é como o técnico de um time de futebol: orienta, apoia, mas não joga no lugar do atleta. Os pais ajudam o adolescente a conquistar autonomia, mas sem retirar a supervisão.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, observamos que as famílias que participam do processo de forma equilibrada têm transições mais tranquilas e seguras.
Conclusão

A transição do pediatra para o médico adulto é um marco importante na vida de todo jovem. Não existe uma idade certa para todos — cada adolescente amadurece em seu ritmo.
O essencial é que essa mudança seja planejada, acompanhada e dialogada. Quando família, pediatra e médico adulto trabalham juntos, o resultado é uma vida adulta mais saudável e independente.
Se restarem dúvidas sobre o momento certo, converse com o pediatra: ele conhece seu filho e pode indicar o melhor caminho. E lembre-se: crescer com saúde é mais legal!
Referências
- White PH; Cooley WC. Supporting the health care transition from adolescence to adulthood in the medical home.Pediatrics, v. 142, n. 5, e20182587, 2018.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Diretrizes para a transição do adolescente com necessidades especiais de saúde.São Paulo: SBP, 2019.
- McManus M; White P; Prior M. Measuring the Triple Aim in Transition Care: A Systematic Review. Pediatrics, v. 145, n. 4, e20192709, 2020.
- Wood DL et al. The Transition Readiness Assessment Questionnaire (TRAQ): Its Factor Structure, Reliability, and Validity. Academic Pediatrics, v. 14, n. 4, p. 415–422, 2014.
- Silva MEA; Reichenheim ME; Souza ER. Transição do cuidado pediátrico ao adulto: tendências e determinantes no Brasil. Revista de Saúde Pública, v. 55, p. 12, 2021.
- Gabriel P et al. Outcome Evidence for Structured Pediatric to Adult Health Care Transition Interventions: A Systematic Review. Journal of Pediatrics, v. 188, p. 263–269, 2017.