Diagnóstico precoce revela desnutrição oculta em crianças

Descubra como identificar a desnutrição oculta infantil além do peso e da altura, com exame físico, diário alimentar e exames básicos de sangue.

Você sabia que a criança pode ter falta de nutrientes mesmo com peso e altura normais? Esse problema recebe o nome de “desnutrição oculta”. Aqui no Clube da Saúde Infantil, queremos ajudar pais e profissionais a reconhecer o problema cedo. Vamos explicar, de forma bem simples, como fazer o diagnóstico correto.

Por que peso e altura não bastam?

Medições como peso e altura são importantes, mas não contam toda a história. Estudos indicam que parte relevante das deficiências de vitaminas e minerais não aparece nesses números. É como olhar só a capa de um livro e achar que conhece toda a história.

Passo a passo do diagnóstico completo

1. Exame clínico detalhado

O profissional observa pele, cabelo, unhas e olhos. Mudanças nesses locais podem indicar falta de ferro, vitamina D ou zinco.

2. Investigação da alimentação

Faz-se um “diário” do que a criança come. Isso ajuda a descobrir alimentos que faltam ou sobram no prato.

3. Biomarcadores no sangue

Alguns exames são essenciais:

  • Ferritina para avaliar ferro.
  • 25‑OH vitamina D para status de vitamina D.
  • Zinco sérico.
  • Retinol para vitamina A.

Esses testes mostram a reserva real de nutrientes. Se houver infecção ou febre, o resultado pode mudar. O médico sempre avalia o conjunto das informações.

Quando e com que frequência rastrear?

Existem protocolos que orientam quando pedir esses exames. Crianças pequenas, prematuras ou com dieta restrita precisam de mais atenção. No Brasil, apenas uma parte das unidades de saúde segue o protocolo completo. Seguir o calendário evita problemas futuros.

Barreiras e soluções no SUS

Muitos postos não têm todos os exames disponíveis e o custo no setor privado pode ser alto. Boas notícias: projetos de telemedicina e sistemas de triagem eletrônica já mostram resultado positivo. Eles conectam famílias, unidades básicas e especialistas, mesmo em cidades distantes.

Dúvidas comuns

Meu filho come bem. Ele pode ter desnutrição oculta?
Sim. Mesmo comendo bastante, a dieta pode faltar nutrientes-chave como ferro ou vitamina D.

A coleta de sangue dói muito?
É rápida, como uma picada de formiga. Explicar antes deixa a criança mais tranquila.

Posso dar suplemento sem exame?
Não. Suplemento em excesso também faz mal. Sempre consulte um profissional.

Mitos e verdades

  • Mito: “Se a criança está gordinha, está bem nutrida.”
    Verdade: Gordura não garante vitaminas e minerais.
  • Mito: “Só crianças pobres têm desnutrição oculta.”
    Verdade: Pode acontecer em qualquer família.

Conclusão

Detectar a desnutrição oculta exige olhar além do peso e da altura. Um bom exame físico, perguntas sobre a alimentação e exames de sangue formam o trio de ouro. Assim, tratamos cedo e evitamos problemas no futuro. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que, com informação simples e correta, crescer com saúde é mais legal.


Referências

  1. World Health Organization. Guidelines on clinical assessment of nutritional status in children. Geneva: WHO, 2021.
  2. Martinez-Torres, J. et al. Biomarkers for micronutrient deficiencies in pediatric populations. Pediatric Research, v. 88, n. 4, p. 567-575, 2020.
  3. Ministério da Saúde (BR). Pesquisa Nacional de Saúde: avaliação nutricional infantil. Brasília: MS, 2021.
  4. Costa, M. B. et al. Telemedicina no diagnóstico nutricional: experiência brasileira. Journal of Telemedicine and Telecare, v. 28, n. 2, p. 115-122, 2022.