Do ultrassom à biópsia: veja como descobrir a miosite infantil
Veja como ressonância magnética, ultrassonografia e biópsia muscular ajudam a confirmar a miosite infantil e orientar a conduta médica.

Quando o músculo de uma criança fica inflamado, como acontece na miosite, é preciso olhar lá dentro para entender o que está acontecendo. Mas como ver algo que está escondido sob pele, gordura e ossos? A boa notícia é que hoje existem exames seguros, pouco dolorosos e muito detalhados. Neste post do Clube da Saúde Infantil, vamos explicar, em linguagem simples, três ferramentas que os médicos usam: ressonância magnética (RM), ultrassonografia (ultrassom) e biópsia muscular.
Por que olhar dentro do músculo?
Quando o músculo inflama, ele pode inchar, perder força e sofrer alterações internas. Os exames ajudam o médico a:
- Confirmar se é miosite ou outro problema.
- Medir o quanto a doença está ativa.
- Escolher o melhor tratamento e acompanhar a evolução.
Ressonância magnética: fotos detalhadas sem radiação
O que é a RM?
A ressonância magnética usa um grande ímã e um computador para gerar imagens em “camadas”, como se o corpo fosse fatiado. Não usa raio X, por isso não expõe à radiação.
Como ajuda na miosite?
- Detecta inflamação ativa em mais de 90% dos casos.
- Mostra inchaço (edema), perda de massa (atrofia) e acúmulo de gordura.
- Pode examinar o corpo todo em uma única sessão.
Vantagens para a criança
- Não causa dor.
- Sem radiação.
- Com protocolos rápidos, muitas vezes dispensa sedação.
Ultrassonografia: imagem em tempo real
O que é o ultrassom?
Um aparelho encosta na pele e emite ondas de som, que retornam formando imagens na tela. É indolor e funciona como um “mapa ao vivo” do músculo.
Por que é útil?
- Exame rápido e sem radiação.
- Permite ver o músculo em movimento.
- Estudos apontam até 85% de concordância entre o ultrassom e os sintomas da criança.
Quando é escolhido?
- Em consultas de rotina, para acompanhar o tratamento.
- Quando a RM não pode ser feita, como em crianças com próteses ou aparelhos metálicos.
Biópsia muscular: o exame de confirmação

Como é feita?
Com anestesia local ou leve sedação, o médico retira um pequeno fragmento do músculo, geralmente do tamanho de um grão de arroz.
O que o laboratório analisa?
- Presença de células de defesa no músculo.
- Áreas mais finas próximas dos vasos sanguíneos.
- Alterações específicas que confirmam a miosite.
Técnicas mais modernas
- Agulhas menores, que reduzem desconforto.
- Corantes especiais, que aumentam a precisão.
Tecnologias que estão chegando
Pesquisas investigam exames combinados, como o PET-MRI, que ajudam a diferenciar inflamação ativa de cicatrizes antigas. Ainda em fase experimental, mas promissor.
Perguntas frequentes
A ressonância magnética faz mal?
Não. É segura e não utiliza radiação.
Meu filho vai sentir dor na biópsia?
Com anestesia adequada, a dor é mínima. Pode haver sensibilidade depois, controlada com analgésicos simples.
O ultrassom substitui a biópsia?
Não sempre. Ele é muito útil, mas em casos de dúvida a biópsia continua sendo o exame de referência.
Equívocos comuns
- “Se a RM veio normal, não é miosite.” → Nas fases iniciais, alterações podem não aparecer; o diagnóstico envolve vários exames.
- “Biópsia deixa cicatriz grande.” → O corte é pequeno e muitas vezes fechado apenas com um ponto ou cola cirúrgica.
Resumo rápido
- RM: imagens detalhadas, sem dor nem radiação.
- Ultrassom: rápido, barato e mostra o músculo em movimento.
- Biópsia: confirma o diagnóstico ao analisar o tecido diretamente.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação simples ajuda famílias a participar do cuidado. Converse sempre com o médico da sua criança para decidir o melhor exame.
Conclusão

A ressonância magnética, o ultrassom e a biópsia são aliados fundamentais no diagnóstico da miosite infantil. Eles permitem identificar a inflamação, guiar o tratamento e acompanhar os resultados. Com tecnologia cada vez mais segura e precisa, cuidar da saúde muscular das crianças ficou mais fácil. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
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