Do consultório à mesa: como diferentes profissionais ajudam na aceitação alimentar

Entenda como o trabalho em equipe entre profissionais de saúde transforma a relação das crianças com a comida e reduz o estresse familiar nas refeições.

Seu filho fecha a boca quando vê algo novo no prato? Calma, isso tem nome: neofobia alimentar. Aqui no Clube da Saúde Infantil, explicamos de forma simples quando procurar ajuda e como uma equipe de especialistas pode transformar a hora da refeição em um momento leve.

O que é neofobia alimentar

Neofobia é o medo de provar alimentos novos. A criança aceita poucos itens e recusa o prato antes mesmo de experimentar. Esse comportamento pode afetar o crescimento, o bem-estar e até a vida social.

Sinais de que é hora de buscar ajuda

• Perda ou interrupção no ganho de peso.
• Cardápio muito restrito por mais de três meses.
• Estresse em festas, cantinas ou passeios por causa da comida.
• Pais cansados e preocupados com a situação.

Por que uma equipe faz diferença

A recusa alimentar costuma ter várias causas: sensoriais, emocionais e nutricionais. Por isso, o tratamento isolado raramente resolve. Trabalhar com pediatra, nutricionista, psicólogo e terapeuta ocupacional permite que cada profissional cuide de uma parte do problema, somando forças.

Como funciona o tratamento em equipe

1. Reeducação nutricional

O nutricionista avalia o que falta na alimentação e cria um plano gradual. Primeiro, são incluídos alimentos semelhantes aos que a criança já aceita; depois, novas cores e texturas entram no cardápio.

2. Terapia comportamental

O psicólogo usa jogos e técnicas de exposição progressiva: olhar, cheirar, tocar, lamber e, por fim, experimentar. Cada avanço é reconhecido e comemorado, o que ajuda a diminuir o medo.

3. Dessensibilização sensorial

O terapeuta ocupacional trabalha com brincadeiras que envolvem diferentes cheiros, cores e texturas. Assim, a criança aprende que o alimento é seguro e divertido de explorar.

4. Treino com a família

Os pais aprendem a oferecer comida sem pressão e a dar o exemplo. Refeições em família, sem telas e com clima tranquilo, aumentam a chance de aceitação de novos alimentos.

5. Acompanhamento médico

O pediatra monitora peso, altura e exames básicos, ajustando suplementos quando necessário. O acompanhamento garante que o processo de reintrodução alimentar ocorra com segurança.

Resultados que a ciência mostra

Pesquisas apontam que programas multiprofissionais aumentam a aceitação de alimentos e melhoram o estado nutricional das crianças em poucos meses. O trabalho conjunto favorece o ganho de peso, a variedade no prato e o prazer de comer.

Perguntas que sempre aparecem

Meu filho vai comer de tudo?
Nem sempre, mas tende a aceitar muito mais alimentos.

O tratamento é caro?
Alguns centros públicos oferecem atendimento completo, e há opções de teleconsulta que reduzem custos.

Pressionar funciona?
Não. A pressão aumenta o medo. A exposição gradual e o incentivo positivo são mais eficazes.

Equívocos comuns

• “É frescura.” — Não é. É um medo real que precisa de cuidado.
• “Se a criança tiver fome, ela come qualquer coisa.” — Nem sempre. Esse pensamento pode levar à desnutrição.

Como começar hoje mesmo

  1. Marque uma consulta com o pediatra para avaliação inicial.
  2. Procure um serviço que reúna nutricionista, psicólogo e terapeuta ocupacional.
  3. Em casa, mantenha refeições em família, sem pressão e sem telas.

Conclusão

Com o apoio certo, a criança pode descobrir novos sabores, ganhar saúde e confiança à mesa. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal.


Referências

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