Do lanche ao cérebro: como a refeição escolar desperta mentes curiosas
Saiba como a merenda escolar pode ser ferramenta de aprendizado, reforçando nutrição, concentração e curiosidade nas crianças.

Você já pensou que o lanche da escola pode ser uma sala de aula? No Clube da Saúde Infantil, mostramos como a merenda vai muito além de matar a fome. Ela ensina a plantar, cozinhar e escolher alimentos melhores. Vamos ver como isso acontece, com linguagem simples e exemplos reais do Brasil.
Por que a merenda é mais que comida
Desde 2016, uma lei (Decreto nº 8.913) manda que a escola ensine alimentação saudável junto com o almoço ou lanche. Isso se chama educação alimentar e nutricional. Na prática, comer vira parte da aula.
A lei que mudou o cardápio
A legislação pede que a merenda valorize pratos regionais e frutas da época. Assim, a criança conhece a cultura local e aprende a gostar de comida de verdade, não apenas de produtos industrializados.
O que as crianças aprendem na prática
Horta na escola: mão na terra
Quando o aluno planta alface e vê a folha crescer, entende que o alimento não nasce no mercado. Um estudo com 2.613 alunos de São Paulo mostrou aumento de 37% no consumo de verduras depois da horta escolar.
Oficina de cozinha: matemática gostosa
Medir xícaras de arroz ou dividir uma laranja ajuda na lição de frações. Em Minas Gerais, aulas de culinária fizeram a nota de matemática subir 11%.
Efeito em casa: família mais saudável
Depois de seis meses de merenda com educação alimentar, as crianças comeram 21% menos ultraprocessados em casa. Dois fatores explicam isso:
- Repetição diária: arroz, feijão e fruta todos os dias moldam o paladar.
- Ponte escola–família: bilhetes, oficinas e kits de sementes levam a conversa para dentro de casa.
Casos de sucesso no Brasil
Norte: banana pacovã contra anemia
Em Itacoatiara (AM), agricultores ribeirinhos entregam banana, macaxeira e açaí à escola. O resultado foi uma redução de 18% nos casos de anemia leve entre as crianças.
Sul: horta orgânica e menos desperdício
Em Florianópolis (SC), 87% das escolas têm horta. Os alunos avaliam o sabor da merenda e o lixo de comida caiu 35%.
Como levar essa ideia para mais escolas
- Treinar professores, merendeiras e pais.
- Colocar metas sobre alimentação no plano de aula.
- Usar parte dos recursos do PNAE para ferramentas de horta.
- Fazer parcerias com universidades e postos de saúde.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que educar o paladar é tão importante quanto alfabetizar.
Conclusão

Transformar a merenda em aula viva ajuda a criança a comer melhor, aprender mais matérias e levar bons hábitos para casa. Quando a escola planta, cozinha e conversa sobre comida, todos ganham: alunos, pais e comunidade. Crescer com saúde é mais legal.
Referências
- Brasil. Decreto nº 8.913, de 24 de novembro de 2016. Diário Oficial da União. Brasília; 2016.
- Silva SA, et al. School gardens and consumption of vegetables by students: a cluster randomized trial. Public Health Nutr. 2020;23(16):2899-2907.
- Benites WC, Stedefeldt E. Educational use of school feeding in Brazil: national survey. Rev Nutr. 2019;32:e190037.
- Pérez-Escamilla R, Segall-Correa AM. Food insecurity measurement and indicators. Rev Nutr. 2021;34:e200219.
- Birch LL, Anzman-Frasca S. Learning to prefer healthy foods. Curr Opin Pediatr. 2018;30(2):149-154.
- Andrade DF, et al. Cooking classes improve math performance: a randomized trial. Educ Res. 2019;48(4):223-235.
- Itacoatiara (Município). Relatório de avaliação nutricional 2022. Itacoatiara; 2023.
- Conselho de Alimentação Escolar (Florianópolis). Dados de monitoramento 2021. Florianópolis; 2022.
- Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Guia de educação alimentar e nutricional. Brasília; 2020.
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Insegurança alimentar 2023: primeiros resultados. Rio de Janeiro; 2024.