Cresce o número de crianças brasileiras com doenças crônicas, alertam especialistas

Entenda por que as doenças crônicas estão aumentando entre crianças brasileiras e saiba o que pais, escolas e políticas públicas podem fazer para reverter o quadro.

Você sabia que mais de uma em cada dez crianças brasileiras entre 5 e 9 anos está com obesidade? E que diabetes tipo 2, uma doença que antes só víamos em adultos, agora está aparecendo em crianças de apenas 8 anos?

Esses números não são apenas estatísticas. São nossos filhos, sobrinhos e vizinhos. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que todo pai e mãe deve conhecer essa realidade para proteger melhor seus pequenos.

Hoje vamos falar sobre as doenças crônicas que mais afetam as crianças brasileiras. Mas não se preocupe — vamos também mostrar como você pode ajudar seu filho a crescer com mais saúde.

O que são doenças crônicas em crianças

Doenças crônicas são aquelas que duram muito tempo — às vezes a vida toda. Diferente de uma gripe que passa em poucos dias, essas doenças ficam com a pessoa por meses ou anos.

As principais doenças crônicas que afetam crianças brasileiras são:

  • Obesidade (peso muito acima do normal).
  • Diabetes tipo 2 (excesso de açúcar no sangue).
  • Hipertensão (pressão alta).
  • Asma (dificuldade para respirar).

Os números que todo pai precisa conhecer

Os dados mais recentes do Ministério da Saúde mostram uma realidade preocupante.

Obesidade infantil

  • 13,2% das crianças entre 5 e 9 anos têm obesidade.
  • 24,4% estão com sobrepeso.
  • Isso significa que quase quatro em cada dez crianças estão acima do peso ideal.

Diabetes tipo 2

  • Os casos aumentaram cerca de 3,6% por ano na última década.
  • Crianças de apenas oito anos já estão sendo diagnosticadas.
  • Antes, essa doença só aparecia em adultos.

Hipertensão (pressão alta)

  • 3,5% das crianças brasileiras têm pressão alta.
  • É mais comum nas cidades grandes.
  • Pode causar problemas no coração desde cedo.

Asma

  • 8,7% das crianças entre 6 e 12 anos têm asma.
  • É a doença respiratória crônica mais comum.
  • Afeta mais crianças no Norte e Nordeste do Brasil.

Por que essas doenças estão aumentando

Segundo os especialistas, a forma como as famílias brasileiras se alimentam mudou muito nos últimos anos. Essa mudança tem um nome: transição nutricional.

O que isso significa? Simples:

  • Comemos menos frutas, verduras e comida feita em casa.
  • Comemos mais fast food, doces e alimentos industrializados.
  • As crianças se movimentam menos e passam mais tempo no celular ou na TV.

A transição nutricional brasileira tem resultado em um aumento expressivo de casos de doenças crônicas não transmissíveis em idades cada vez mais precoces, segundo o Ministério da Saúde.

O impacto na família e na sociedade

Cuidar de uma criança com doença crônica não é fácil. Além do sofrimento da família, há também o custo financeiro.

Estudos mostram que o Brasil gasta mais de R$ 3,8 bilhões por ano tratando doenças crônicas em crianças. Esse dinheiro poderia ser usado em prevenção, criando parques, melhorando a merenda escolar e educando as famílias.

Onde essas doenças aparecem mais

No Brasil, as doenças crônicas infantis não se espalham igualmente por todas as regiões:

  • Sul e Sudeste: mais casos de obesidade e diabetes.
  • Norte e Nordeste: mais casos de asma e doenças respiratórias.
  • Cidades grandes: mais hipertensão infantil.

Sinais de alerta para os pais

Como saber se seu filho pode ter alguma dessas doenças? Fique atento a estes sinais.

Obesidade

  • Roupas ficando apertadas rapidamente.
  • Cansaço ao brincar ou subir escadas.
  • Diferença de peso em relação a outras crianças da mesma idade.

Diabetes

  • Muita sede.
  • Vontade de fazer xixi o tempo todo.
  • Cansaço excessivo.
  • Perda de peso sem motivo.

Hipertensão

  • Dores de cabeça frequentes.
  • Tontura.
  • Sangramento no nariz.
  • Visão embaçada.

Asma

  • Tosse que não passa.
  • Chiado no peito.
  • Falta de ar ao brincar.
  • Cansaço fácil.

Importante: se seu filho tem algum desses sinais, procure um pediatra. O diagnóstico precoce faz toda a diferença.

A boa notícia: prevenção funciona

Aqui no Clube da Saúde Infantil, sempre lembramos: a maioria dessas doenças pode ser prevenida.

Como? Com atitudes simples:

  • Alimentação saudável desde cedo.
  • Brincadeiras que façam a criança se mexer.
  • Menos tempo de tela (TV, celular, tablet).
  • Consultas regulares ao pediatra.
  • Muito amor e atenção à saúde mental.

O papel da família na prevenção

Você, pai ou mãe, é a pessoa mais importante na prevenção dessas doenças. Pequenas mudanças no dia a dia podem fazer uma grande diferença:

  1. Cozinhe mais em casa — mesmo que seja simples.
  2. Brinque junto — corra, pule, dance com seu filho.
  3. Estabeleça horários — para comer, dormir e brincar.
  4. Seja o exemplo — crianças copiam o que veem.
  5. Não use comida como prêmio — comemore de outras formas.

Conclusão

Os números sobre doenças crônicas em crianças brasileiras são realmente preocupantes. Mais de uma em cada dez crianças já tem obesidade, e doenças como diabetes estão aparecendo cada vez mais cedo.

Mas lembre-se: esses números não são uma sentença. São um alerta para que possamos agir agora, enquanto ainda há tempo de mudar esse cenário. Cada escolha que você faz todos os dias — desde o lanche que prepara até a brincadeira que propõe — é uma oportunidade de proteger seu filho dessas doenças.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que toda criança merece crescer com saúde e felicidade. E com informação, amor e cuidado, podemos fazer isso acontecer. Porque, no final das contas, crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Ministério da Saúde (BR). Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.
  2. Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2019-2020. São Paulo: SBD, 2019.
  3. Sociedade Brasileira de Pediatria. Documento científico: hipertensão arterial na infância e adolescência. Rio de Janeiro: SBP, 2019.
  4. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Custos das doenças crônicas no Brasil. Brasília: IPEA, 2019.
  5. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde 2019. Rio de Janeiro: IBGE, 2020.
  6. Organização Pan-Americana da Saúde. Doenças crônicas não transmissíveis na infância e adolescência. Brasília: OPAS, 2018.