Dupla jornada: famílias que cuidam de um bebê e de uma criança com doença crônica
Descubra como equilibrar o cuidado entre o bebê e a criança com doença crônica, mantendo o tratamento em dia e fortalecendo o vínculo familiar.

Quando nasce um bebê em uma família que já tem uma criança com doença crônica, os pais se veem diante de um grande desafio: como dar atenção para os dois filhos e manter o tratamento em dia? Aqui no Clube da Saúde Infantil, sabemos que essa situação é como equilibrar duas bolas ao mesmo tempo — parece difícil, mas com organização e apoio, é totalmente possível.
O que muda quando o bebê chega
A atenção fica dividida
É natural que o foco da família se volte para o recém-nascido, mas isso pode afetar o cuidado com o filho que já tem uma condição crônica. Muitas famílias relatam dificuldade em manter o tratamento nos primeiros meses após o nascimento do bebê. Por isso, é importante reconhecer o desafio e se planejar para enfrentá-lo com calma.
O tratamento pode ficar bagunçado
Nos primeiros meses, a rotina muda completamente — horários, sono, alimentação. É comum que remédios atrasem ou consultas sejam adiadas. O segredo é lembrar que essa fase é temporária e pode ser ajustada com pequenas estratégias diárias.
Como manter o tratamento em dia
Use a tecnologia a seu favor
Aplicativos e alarmes ajudam muito a lembrar horários de remédios e consultas.
Dicas práticas:
- Programe alertas no celular para cada medicamento.
- Use o calendário digital para registrar consultas e retornos.
- Peça para alguém da família ajudar a conferir as tarefas do dia.
Famílias que adotam essas ferramentas relatam maior regularidade e menos esquecimentos.
Organize quem faz o quê
Com o bebê em casa, é essencial dividir responsabilidades.
Monte um plano simples:
- Defina quem administra o remédio em cada horário.
- Mantenha rotinas previsíveis, mesmo que ajustáveis.
- Confirme sempre se o remédio foi dado e anote em um caderno ou aplicativo.
Essa clareza evita falhas e dá segurança a todos.
Peça ajuda
Você não precisa fazer tudo sozinho. Apoio de familiares, amigos ou vizinhos é valioso. Quem pode ajudar:
- avós, tios e padrinhos;
- amigos próximos para buscar remédios ou acompanhar consultas;
- profissionais de saúde, orientando e revisando o plano de cuidado.
Ter uma rede de apoio reduz o estresse e mantém o tratamento estável.
A importância do acompanhamento médico

Consultas mais frequentes
Nos primeiros três meses com o bebê, o acompanhamento deve ser mais próximo. Consultas quinzenais ou mensais ajudam a ajustar doses e prevenir recaídas. Pense como na manutenção de um carro em viagem longa — checar com frequência evita problemas maiores.
Sinais de alerta
Procure o pediatra se notar:
- irritação ou apatia fora do comum;
- piora dos sintomas da doença;
- esquecimentos recorrentes de medicação;
- adiamento de consultas.
Detectar cedo essas mudanças ajuda a agir antes que a situação se complique.
Dicas práticas para o dia a dia
Organize o ambiente
- Deixe os remédios em local visível e seguro.
- Tenha um kit de emergência sempre pronto.
- Mantenha os contatos médicos anotados em lugar de fácil acesso.
- Prepare o que for possível na noite anterior.
Cuide de você também
Pais cansados cuidam pior — e não por falta de amor, mas por exaustão. Lembre-se de que autocuidado é parte do cuidado com os filhos.
- Durma sempre que possível.
- Aceite ajuda quando oferecida.
- Converse com outros pais na mesma situação.
- Busque apoio médico ou psicológico se sentir sobrecarga.
Histórias que inspiram
Muitas famílias brasileiras já passaram por essa fase e conseguiram equilibrar os cuidados com sucesso. O segredo está na paciência, na rotina adaptável e na disposição para pedir ajuda quando necessário. Cada família encontra seu próprio ritmo — e isso é o que faz a diferença.
Conclusão

Cuidar de duas crianças, sendo uma com doença crônica, não é fácil, mas é possível. Com planejamento, divisão de tarefas, apoio familiar e acompanhamento médico constante, você consegue garantir bem-estar para todos.
Os primeiros meses são os mais intensos, mas logo a rotina se ajusta e o equilíbrio aparece. Aqui no Clube da Saúde Infantil, lembramos: crescer com saúde é mais legal — para todos os irmãos da família!
Referências
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