Quando o cuidado vira time: a força das redes contra doenças crônicas infantis

Saiba como equipes multiprofissionais fortalecem o cuidado infantil e reduzem o impacto de doenças crônicas com ações integradas e apoio às famílias.

Você sabia que o pediatra não cuida da saúde da criança sozinho? Nutricionistas, enfermeiros, professores e até aplicativos de celular fazem parte do time. Neste texto do Clube da Saúde Infantil, mostramos como essa grande equipe ajuda a prevenir doenças crônicas em crianças. Vem com a gente!

Por que trabalhar em equipe importa

Doenças como obesidade, asma e diabetes precisam de cuidado diário. Um único profissional não dá conta de tudo. Quando vários especialistas atuam juntos, cada contato vira uma oportunidade de prevenir problemas.

Como funciona na prática

Equipes de Saúde da Família

No SUS, as unidades básicas de saúde contam com médicos, nutricionistas, enfermeiros e outros profissionais. O pediatra faz o diagnóstico; o nutricionista avalia a alimentação; o enfermeiro mede peso, altura e pressão da criança.

Quando a equipe está completa para cada quatro mil habitantes, as internações por asma podem cair até 15%.

Clínicas de obesidade infantil

Hospitais universitários criaram espaços especiais para crianças com sobrepeso. Lá, médicos, cozinheiros e professores de educação física trabalham juntos.

Em Porto Alegre, o índice de massa corporal das crianças caiu 6,3% após 12 meses de acompanhamento multidisciplinar.

Telessaúde

Quando falta especialista na cidade, a internet ajuda. Plataformas como o Teleconsulta-RJ permitem que o pediatra da UBS converse com endocrinologistas à distância. Isso aumenta a adesão ao tratamento e economiza até R$ 480 por criança por ano em viagens.

Quando saúde e escola se encontram

Programa Saúde na Escola (PSE)

As crianças passam grande parte do dia na escola. O PSE mede peso, altura e pressão anualmente em quase todos os municípios brasileiros.

Se algo sai da curva, o sistema envia um alerta para a unidade de saúde. Em 2022, 27% dos alunos com sobrepeso começaram acompanhamento nutricional graças a esse encaminhamento.

Esporte com receita médica

Cidades como Aracaju e Curitiba reservam horários em centros esportivos para turmas indicadas pelo pediatra. Em Aracaju, crianças asmáticas que praticaram natação reduziram o uso de broncodilatadores em 12% em seis meses.

ONGs que fazem diferença

O Projeto Corujas, no Rio de Janeiro, doa aparelhos para medir glicose e treina pais de crianças com diabetes tipo 1. A hemoglobina glicada caiu 32 mg/dL entre os participantes.

Três passos para integrar melhor

  1. Criar protocolos iguais para todos os setores — todos falam a mesma língua.
  2. Usar prontuário eletrônico único — informações em tempo real.
  3. Garantir financiamento constante para equipes multiprofissionais.

Treinamentos que juntam profissionais de saúde, professores e gestores criam confiança e deixam claro quem faz o quê.

Dúvidas comuns

“Só o pediatra já basta?”
Não. Ele precisa de apoio de outros especialistas.

“Telessaúde é seguro?”
Sim. Os dados mostram bons resultados e economia.

“A escola não é lugar de exames.”
Na verdade, a escola é ideal para detectar problemas cedo.

Como você pode ajudar

Se você é pai, mãe ou cuidador, pergunte na UBS sobre programas em equipe. Se é professor, participe das ações do PSE. E se é profissional de saúde, registre todas as informações no prontuário eletrônico.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que união faz força — e faz saúde!

Conclusão

Quando pediatras, nutricionistas, escolas e tecnologia trabalham juntos, as crianças ganham um futuro melhor. Crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de alimentação: orientação para alimentação do lactente, do pré-escolar, do escolar, do adolescente e na escola. 4. ed. Rio de Janeiro: SBP, 2018.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Protocolos de uso do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional – SISVAN na Atenção Primária. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
  3. Organização Pan-Americana da Saúde. Guia de implementação de equipes multidisciplinares na Atenção Primária.Washington, DC: OPAS, 2019.
  4. Fisberg, M. et al. Abordagem multidisciplinar da obesidade infanto-juvenil: experiência de 10 anos em hospital universitário brasileiro. Revista Paulistana de Pediatria, v. 38, e2019132, 2020.
  5. Rodrigues, D.; Almeida, C.; Rocha, M. Telehealth for pediatric chronic disease management: systematic review.Jornal de Pediatria, v. 98, n. 2, p. 123-133, 2022.
  6. Brasil. Ministério da Saúde; Ministério da Educação. Programa Saúde na Escola: relatório de resultados 2018-2021. Brasília: Ministério da Saúde, 2022.
  7. Silva, J. A. et al. Impacto de programa intersetorial de atividade física sobre crianças asmáticas: estudo de coorte em Aracaju. Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde, v. 27, p. 1-9, 2022.
  8. Instituto Desiderata. Projeto Corujas: relatório de avaliação de impacto. Rio de Janeiro, 2019.