A escola que respira movimento: políticas que transformam aprendizado em saúde
Saiba como leis e iniciativas brasileiras estão estimulando o movimento nas escolas e melhorando o desempenho e o bem-estar dos alunos.

Seu filho passa muito tempo sentado na escola? Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que mexer o corpo faz parte de aprender. Vamos mostrar, em palavras simples, o que as leis brasileiras já fazem — e o que ainda falta — para garantir mais movimento no dia a dia das crianças.
Por que mexer o corpo na escola?
A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 60 minutos de atividade física moderada a vigorosa por dia para crianças e adolescentes. No Brasil, só 28,9% dos estudantes chegam a essa meta. Ficar sentado demais pode atrapalhar a saúde, o humor e até as notas.
O que as leis brasileiras dizem hoje?
Educação Física obrigatória: a Lei 10.793/2003 garante a disciplina em toda a educação básica.
BNCC: o currículo nacional de 2017 fala em “experiências corporais” além do esporte tradicional.
Mas nenhum desses textos define quanto tempo do dia escolar deve ser ativo, nem explica como adaptar salas e corredores para incentivar o movimento.
Onde ainda falta peça nesse quebra-cabeça?
• Não há meta nacional clara de tempo ativo por dia ou semana.
• Saúde e Educação quase não planejam juntas.
• Professores ainda aprendem pouco sobre aulas ativas na universidade.
Exemplos que já funcionam no Brasil

Pernambuco – Programa Escola Ativa (2021): define minutos mínimos de “tempo ativo” por turno e libera verba para piso demarcado e móveis leves.
Florianópolis (2022): decreto obriga cada escola a criar um “Plano de Atividade Física Escolar” que inclui recreios com brincadeiras e circuitos nos corredores.
Caminhos para avançar
Pesquisadores sugerem um Marco Legal da Escola Ativa com:
- Metas graduais, por exemplo, 120 minutos/semana em 2026 e 200 minutos em 2030.
- Dinheiro federal para adaptar espaços, priorizando escolas em áreas vulneráveis.
- Indicadores de movimento no Censo Escolar, para medir resultados.
Espaços que convidam a se mexer
O Conselho de Arquitetura e Urbanismo estuda um manual com larguras maiores de corredores, escadas abertas e móveis flexíveis. Escolas de Nova Iorque que seguiram regras parecidas reduziram em 32% o tempo sentado.
Ganhos que vão além da saúde
No Ceará, escolas com recreios estruturados tiveram 18% menos problemas disciplinares e subiram 7 pontos no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) em dois anos. Movimento também ajuda a aprender melhor.
O que você pode fazer hoje
• Pergunte na escola do seu filho quanto tempo ele fica ativo por dia.
• Incentive o uso de escadas e brincadeiras no recreio.
• Compartilhe este artigo com outros pais e profissionais. Quanto mais gente souber, mais rápido as mudanças acontecem.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, estamos de olho nas novidades e vamos trazer sempre informações claras para você.
Conclusão

Políticas públicas já mostram que é possível ter escolas cheias de movimento, saúde e aprendizado. Com metas claras, bons espaços e professores preparados, nossas crianças terão mais energia e alegria para estudar. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Brasil. Lei nº 10.793, de 1º de dezembro de 2003. Diário Oficial da União, 2 dez. 2003.
- Brasil. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.
- World Health Organization. Guidelines on physical activity and sedentary behaviour. Geneva: WHO, 2020.
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar 2019. Rio de Janeiro: IBGE, 2020.
- Instituto Ayrton Senna. Movimento e aprendizagem: revisão de evidências para políticas públicas. São Paulo: IAS, 2021.
- Pernambuco. Secretaria de Educação. Programa Escola Ativa: manual de implementação. Recife: SEE-PE, 2022.
- Florianópolis. Prefeitura Municipal. Decreto n. 23.405, de 4 de abril de 2022. Diário Oficial do Município, 5 abr. 2022.
- Danmarks Idrætsforbund. 45 minutes of daily physical activity in Danish schools: evaluation report. Copenhagen: DIF, 2020.
- Centro de Excelência em Inovação para a Primeira Infância. Marco legal da escola ativa: proposta de anteprojeto de lei. Brasília: CEIPI, 2023.
- Active Design Advisors. Active schools: design guidelines for movement-rich learning environments. New York: ADA, 2019.
- Pontes, W.; Moura, A.; Silva, J. Impacto de recreios estruturados no comportamento e no desempenho acadêmico. Revista Brasileira de Educação, v. 27, 2022.
- Fundação Itaú para Educação e Cultura. Corpos que aprendem: movimento, inclusão e desempenho escolar. São Paulo: Itaú Social, 2021.