Escolas em alerta: como evitar crises de alergia alimentar entre crianças
Descubra cuidados essenciais, protocolos e atitudes preventivas para manter crianças seguras na escola.

Você sabia que 35% das reações alérgicas graves em crianças acontecem na escola? Este dado pode assustar muitos pais, mas aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que conhecimento é proteção. Quando entendemos os riscos, podemos agir para manter nossos pequenos seguros.
A escola deveria ser um lugar seguro para aprender e brincar. Mas para crianças com alergia alimentar, pode ser como um campo minado. Vamos entender por que isso acontece e o que podemos fazer para mudar essa realidade.
Por que a escola é um local de risco para crianças alérgicas
A escola é como uma grande casa com muitas crianças. E cada criança traz seu lanche, sua comida, seus hábitos. Para uma criança com alergia alimentar, isso pode ser muito perigoso.
Imagine o corpo de uma criança alérgica como um alarme muito sensível. Quando ela come algo que não pode, o alarme dispara forte. Na escola, esse alarme pode tocar sem que os adultos saibam como desligar.
O problema dos números no Brasil
No Brasil, temos um problema sério:
• 72% das escolas não têm regras para cuidar de crianças alérgicas.
• 45% das reações acontecem quando as crianças dividem comida.
• A maioria das reações graves acontece longe dos adultos que conhecem o problema.
É como se a maioria das escolas não soubesse que algumas crianças precisam de cuidado especial com a comida.
Os momentos mais perigosos na escola

Hora do lanche: o maior perigo
O recreio é o momento mais arriscado. As crianças:
• Dividem lanches entre si.
• Comem sem lavar as mãos.
• Misturam comidas diferentes.
• Brincam enquanto comem.
Festas e comemorações
Aniversários, festa junina, Dia das Crianças… Estes momentos são especiais, mas podem ser perigosos:
• Doces e salgados trazidos de casa.
• Receitas desconhecidas.
• Muita comida misturada.
• Crianças muito animadas para prestar atenção.
Atividades de culinária
Quando a escola faz atividades de cozinha, o perigo aumenta:
• Ingredientes variados.
• Crianças mexendo em tudo.
• Utensílios que podem estar sujos com alérgenos.
• Menos supervisão individual.
Cantina escolar
A cantina pode ser como uma fábrica onde se misturam muitos ingredientes. Mesmo quando preparam comida “segura”, pode haver contaminação cruzada – é quando um alimento “pega” um pouco do outro.
Como as escolas podem proteger melhor
Treinamento da equipe
Toda pessoa que trabalha na escola deveria saber:
• O que é alergia alimentar.
• Como reconhecer uma reação.
• O que fazer em emergência.
• Como usar medicamentos como a adrenalina.
Protocolos claros
Escolas com regras claras são muito mais seguras. Estudos mostram que escolas bem preparadas reduzem em 70% o risco de reações graves.
Um protocolo é como um manual de instruções que todos podem seguir:
• Lista de crianças alérgicas.
• Fotos das crianças.
• Alimentos proibidos para cada uma.
• Medicamentos de emergência.
• Telefones dos pais e médicos.
Comunicação com as famílias
A conversa entre família e escola deve ser constante. Como diz o ditado: “É preciso uma aldeia para criar uma criança” – e para protegê-la também.
Dicas práticas para os pais

Antes de matricular
• Visite a escola e converse sobre a alergia do seu filho.
• Pergunte se há protocolos específicos.
• Conheça a cantina e como preparam os alimentos.
• Veja se há outros pais na mesma situação.
Durante o ano letivo
• Mantenha contato regular com professores.
• Ensine seu filho a não aceitar comida de outros.
• Prepare lanches seguros e saborosos.
• Participe das reuniões escolares.
Medicamentos na escola
• Deixe sempre adrenalina autoinjetável na escola.
• Ensine funcionários a usar.
• Verifique as datas de validade.
• Tenha um plano de emergência claro.
O papel da educação
Ensinar outras crianças sobre alergias é fundamental. Quando os coleguinhas entendem, eles se tornam protetores também. É como criar uma rede de segurança humana.
Atividades simples podem ajudar:
• Palestras sobre diferenças alimentares.
• Jogos educativos sobre alergias.
• Projetos sobre alimentação saudável.
• Histórias que falam sobre inclusão.
Sinais de alerta que todos devem conhecer
Uma reação alérgica pode começar pequena e ficar grande rapidamente. Os sinais são:
Leves
• Coceira na boca.
• Manchas vermelhas na pele.
• Dor de barriga leve.
Graves
• Dificuldade para respirar.
• Inchaço no rosto ou garganta.
• Vômito.
• Desmaio.
Quando há sinais graves, é emergência! Ligue 192 (SAMU) imediatamente.
Conclusão

Proteger crianças com alergia alimentar na escola não é impossível – é questão de preparo e cuidado. Quando pais, escolas e comunidade trabalham juntos, criamos um ambiente onde todas as crianças podem crescer com segurança.
Lembre-se: seu filho merece estudar sem medo. Com as informações certas e o apoio adequado, a escola pode ser um lugar seguro e feliz para ele.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal quando todos estão protegidos e incluídos. Cada criança é especial e merece cuidado personalizado.
Dica final: converse hoje mesmo com a escola do seu filho sobre alergias alimentares. O diálogo é o primeiro passo para a segurança.
Referências
- Associação Brasileira de Alergia e Imunologia. Diretrizes para manejo de alergias alimentares em escolas. São Paulo: ASBAI; 2022.
- Ministério da Saúde (BR). Relatório Nacional sobre Segurança Alimentar em Escolas. Brasília: MS; 2023.
- Silva MJ, Santos AL. Alergias alimentares no contexto escolar brasileiro. Rev Bras Alerg Imunol. 2022;45(2):112-8.
- Oliveira PS, Costa RF. Gestão de riscos em cantinas escolares. J Pediatr (Rio J). 2023;99(1):45-52.
- Santos TC, Ferreira LM. Protocolos de segurança alimentar em escolas: análise de efetividade. Rev Saude Publica. 2023;57:23.