Radiografia, hormônios e genética: o que os exames contam sobre a puberdade

Descubra como análises hormonais, estudos de imagem e testes genéticos funcionam, por que são solicitados e como cada um contribui para identificar causas de maturação lenta.

Quando o corpo demora para iniciar as mudanças da adolescência, o pediatra investiga. Os exames permitem identificar se é apenas um atraso normal ou se existe algum problema hormonal ou genético. Aqui no Clube da Saúde Infantil explicamos, de maneira clara, como funciona cada etapa dessa avaliação.

Por que fazer exames?

O atraso puberal pode ser apenas uma fase do crescimento ou pode indicar que hormônios não estão funcionando como deveriam. Os exames ajudam o médico a “iluminar” o que está acontecendo no corpo e a escolher o melhor caminho para acompanhar ou tratar.

Exames de sangue: o primeiro olhar

Hormônios FSH e LH

FSH e LH são sinais enviados pelo cérebro para iniciar a puberdade.
• Quando estão muito baixos, pode haver falha no sinal cerebral.
• Quando estão altos, o corpo tenta funcionar, mas ovários ou testículos não respondem adequadamente.

Testosterona ou estradiol

Meninos dosam testosterona; meninas, estradiol. Esses valores funcionam como um “termômetro” da puberdade.

Exames gerais

Hemograma, função da tireoide, fígado e rins ajudam a detectar doenças que podem atrasar o crescimento.

Teste de estímulo com GnRH

É um teste dinâmico que avalia a resposta do cérebro.
• Se o LH sobe bastante após o estímulo, o sistema está funcionando.
• Se sobe pouco, é provável que haja falha no sinal cerebral.

Exames de imagem: ver para entender

Idade óssea pela radiografia da mão

Uma radiografia simples compara os ossos da criança com padrões de referência.
Se a idade óssea estiver atrasada, ainda há tempo para crescer.

Ressonância magnética da hipófise

Usada quando há suspeita de falhas nos hormônios produzidos no cérebro. A ressonância mostra alterações na hipófise com grande precisão.

Ultrassom pélvico em meninas

Avalia útero e ovários quando a menina não menstruou ou quando há suspeita de alteração no desenvolvimento pélvico.

Exames genéticos: o livro de receitas do corpo

Alguns casos de atraso puberal têm origem no DNA. O sequenciamento de nova geração analisa vários genes ao mesmo tempo e encontra a causa em parte dos casos estudados.

Identificar o gene ajuda a:
• confirmar o diagnóstico;
• escolher o melhor tratamento;
• oferecer orientação genética à família.

Dúvidas comuns

“O exame dói?” A maioria dos testes é feita com coleta de sangue ou exames de imagem, sem dor intensa.
“Vai precisar de todos os exames?” Não. O pediatra indica apenas os necessários.
“Demora para sair o resultado?” Exames de sangue saem em dias; testes genéticos podem levar semanas.

Mitos e verdades

Mito: “Puberdade atrasada sempre precisa de hormônio.”
Verdade: Em muitos casos, basta acompanhar o crescimento.

Mito: “Exame genético é só para quadros graves.”
Verdade: Ele ajuda quando há dúvida no diagnóstico e evita tratamentos desnecessários.

Quando procurar ajuda

• Meninas sem desenvolvimento das mamas até 13 anos.
• Meninos com testículos menores que 4 mL aos 14 anos.
• Presença de sinais de alerta, como crescimento muito lento ou doenças crônicas.

Conclusão

Exames de sangue, imagem e genética ajudam médicos e famílias a entender o atraso puberal e a planejar o cuidado certo para cada criança. Com informação e acompanhamento adequado, crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. PALMERT, M. R.; DUNKEL, L. Clinical practice: delayed puberty. New England Journal of Medicine, v. 366, n. 5, p. 443-453, 2012.
  2. LATRONICO, A. C.; BRITO, V. N.; CAREL, J. C. Causes, diagnosis, and treatment of central precocious puberty. The Lancet Diabetes & Endocrinology, v. 4, n. 3, p. 265-274, 2016.
  3. HARRINGTON, J.; PALMERT, M. R. Clinical review: distinguishing constitutional delay of growth and puberty from isolated hypogonadotropic hypogonadism. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, v. 97, n. 9, p. E1999-E2008, 2012.
  4. GREULICH, W. W.; PYLE, S. I. Radiographic atlas of skeletal development of the hand and wrist. Stanford: Stanford University Press, 1959.
  5. ABITBOL, L.; ZBOROVSKI, S.; PALMERT, M. R. Evaluation of delayed puberty: what diagnostic tests should be performed in the seemingly otherwise well adolescent? Archives of Disease in Childhood, v. 101, n. 8, p. 767-771, 2016.
  6. CASSATELLA, D. et al. Congenital hypogonadotropic hypogonadism and constitutional delay of growth and puberty have distinct genetic architectures. European Journal of Endocrinology, v. 178, n. 4, p. 377-388, 2018.
  7. LIMA AMATO, L. G.; LATRONICO, A. C.; GONTIJO SILVEIRA, L. F. Molecular and genetic aspects of congenital isolated hypogonadotropic hypogonadism. Endocrinology and Metabolism Clinics of North America, v. 46, n. 2, p. 283-303, 2017.