Família na recuperação da desnutrição infantil: papel decisivo para a saúde

Descubra de que forma a família contribui para o ganho de peso e bem-estar das crianças, com ações simples que vão da higiene ao uso de tecnologias.

A desnutrição infantil ainda afeta muitas crianças no Brasil. A boa notícia é que a família pode fazer toda a diferença. Neste post, mostramos passos simples que pais, avós e cuidadores podem seguir para ajudar no ganho de peso e no crescimento saudável. Tudo é baseado em pesquisas recentes e práticas já usadas pelo SUS. Vamos juntos?

Por que a família é tão importante?

Quando a família participa das refeições e entende o plano alimentar, a criança ganha mais peso. Estudos mostram que quanto maior o envolvimento dos cuidadores, melhor o resultado.

Entenda o plano alimentar

  • Anote horários e quantidades em um diário simples. Esse hábito pode aumentar em 0,5 kg por mês o ganho de peso.
  • Use lembretes no celular ou na geladeira para não esquecer as refeições.

Mantenha o ambiente limpo

Casas sem água tratada dobram o risco de diarreia, o que faz a criança perder peso. Passos fáceis:

  • Lavar as mãos antes de preparar a comida.
  • Ferver a água por 1 minuto para eliminar germes.
  • Separar talheres da criança dos usados para limpar a casa.

Essas medidas reduzem quase pela metade os episódios de diarreia.

Participe das oficinas de cozinha do SUS

O Ministério da Saúde oferece aulas rápidas em que se aprende a fazer preparações simples e energéticas, como mingau de fubá com óleo e leite em pó. Quem participa de quatro oficinas ou mais recebe alta hospitalar 20 dias antes.

Cuide também do seu bem-estar

O estresse afeta o cuidado diário. Sessões de conversa com psicólogos ou por telefone ajudam a mãe ou o pai a ficarem mais calmos e atentos na hora da alimentação. Crianças cujos cuidadores recebem esse apoio crescem 1,2 cm a mais em três meses.

Use a tecnologia a seu favor

Aplicativos como o Crescer+ lembram datas de consulta e registram peso e altura. Municípios que usam o app tiveram 15% mais pontualidade nas visitas. Se o sinal de internet for fraco, anote tudo no caderno e mostre ao agente de saúde na próxima visita.

Respeite a cultura e envolva todos

Em algumas regiões, achar a criança “magrinha” é normal. Falar com líderes locais e convidar pais para as oficinas aumenta a aceitação do tratamento. Nutrição não é só “coisa de mãe”; toda a família pode participar.

Após a alta, continue firme por 6 meses

A maioria das recaídas acontece no primeiro semestre após a alta. Dicas:

  • Monte uma horta em casa ou participe de hortas comunitárias.
  • Troque receitas com vizinhos e grupos de apoio.

Quando o cuidado continua em casa, menos de 1 em cada 10 crianças volta a perder peso.

Perguntas que sempre aparecem

“Meu filho não come tudo, e agora?”
Ofereça a mesma comida em porções menores a cada 2 a 3 horas. Não force, mas mantenha a rotina.

“Preciso de alimentos caros?”
Não. Mingau de fubá, feijão, ovo e verduras já trazem energia e nutrientes. As oficinas ensinam a preparar.

“Posso parar o tratamento quando ele engordar?”
Não. Siga as consultas por no mínimo 6 meses para garantir que o ganho de peso se mantenha.

Conclusão

A família é o motor da recuperação nutricional. Com atenção às refeições, higiene simples, apoio emocional e uso de ferramentas como oficinas e aplicativos, o ganho de peso chega mais rápido e se mantém. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que pequenas ações diárias criam grandes resultados. Crescer com saúde é mais legal.


Referências

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