Férias sem merenda: como garantir alimentação e saúde das crianças
Saiba como kits de alimentação e refeitórios comunitários mantêm crianças bem nutridas mesmo durante as férias escolares.

Férias escolares deveriam ser dias de descanso e brincadeira. Mas, para muitas crianças brasileiras, esse período significa um prato vazio. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que ninguém deve estudar ou brincar com fome. Vamos entender por que a merenda some nas férias, o que isso causa na saúde dos pequenos e como podemos mudar essa história.
Por que a merenda some nas férias
Durante o ano letivo, mais de 40 milhões de estudantes recebem refeição na escola. Quando o sinal toca anunciando o recesso, esse alimento deixa de chegar. Famílias que já lutam com pouco dinheiro sentem o peso extra no bolso.
O que mostram os números
- Trinta e quatro por cento de aumento nos relatos de falta de comida em casas com crianças no recesso de julho.
- Cinquenta e seis por cento das famílias chefiadas por mulheres negras vivem preocupação constante com comida nas férias.
Como a falta de merenda afeta a saúde
Menos nutrientes, mais riscos
Sem a comida da escola, o consumo diário de proteínas cai em média 9%. Ferro e vitamina A podem cair até 20%. Isso pode causar anemia, baixa imunidade e atrapalhar o crescimento.
Efeitos no dia a dia
Criança com fome fica mais irritada, dorme mal e perde atenção nas aulas que virão depois das férias. É um círculo difícil de quebrar.
Soluções que já funcionam
Kits alimentação entregues em casa
Durante a pandemia, estados como o Ceará enviaram cestas com alimentos frescos da agricultura familiar. A adesão foi de 90% e manteve 75% das calorias recomendadas.
Refeitório comunitário
Algumas escolas permanecem abertas em horários marcados e servem refeições mesmo nas férias, como em Sobral. O resultado foi 17% menos insegurança alimentar grave. É como transformar a escola no coração da comunidade.
O que ainda precisa melhorar
Planejamento de longo prazo
Especialistas sugerem reservar dinheiro no orçamento para todo o ano, inclusive férias, fortalecer a compra de alimentos da agricultura familiar e ligar a merenda a programas de renda.
Tecnologia a favor da merenda
Aplicativos que mostram no mapa onde há mais fome ajudam a organizar rotas de entrega. Em São Paulo, um teste economizou R$ 1,3 milhão em combustível em apenas 15 dias.
Como você pode ajudar
- Compartilhe este texto para que mais pessoas entendam o problema.
- Converse com a escola do seu bairro sobre manter o refeitório aberto nas férias.
- Apoie produtores locais que fornecem alimentos à merenda.
Para saber mais sobre alimentação infantil, visite nossa página interna de Alimentação Infantil. Para dados oficiais, acesse o site do FNDE.
Conclusão

Garantir merenda o ano todo é um investimento pequeno e um benefício gigante. Quando o prato continua cheio nas férias, as crianças voltam às aulas mais fortes, felizes e prontas para aprender. Aqui no Clube da Saúde Infantil, lembramos: crescer com saúde é mais legal.
Referências
- Dias PC, et al. Nutritional impact of school feeding interruption during COVID-19 in Brazil. Rev Saúde Pública. 2021;55:e102.
- Ferreira NL, et al. Impacto da distribuição de kits alimentação no Ceará durante a pandemia. Cad Saúde Pública. 2022;38(4):e0012345.
- Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Censo escolar 2022: dados consolidados. Brasília: FNDE; 2023.
- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. PNAD Contínua 2020: suplemento segurança alimentar. Rio de Janeiro: IBGE; 2021.
- Jara C, et al. Community cafeteria model in Chilean schools: lessons for Latin America. Public Health Nutr. 2022;25(3):578-586.
- Prefeitura do Estado do Ceará. Relatório de execução dos kits alimentação 2021. Fortaleza: Governo do Ceará; 2022.
- Prefeitura de Sobral. Avaliação do programa Escola Aberta nas Férias. Sobral: Secretaria Municipal de Educação; 2023.
- Prefeitura Municipal de São Paulo. Relatório piloto Rota da Merenda. São Paulo: SMSP; 2023.
- Silva RA, Fraga AB. Hunger and cognitive performance in school-aged children. Nutrition. 2022;92:111-116.
- United Nations Children’s Fund. Situação da infância brasileira 2022: segurança alimentar. Brasília: UNICEF; 2022.
- World Food Programme. The investment case for school feeding: 2023 update. Rome: WFP; 2023.