Ferramentas digitais ajudam a prevenir emergências e fortalecer vínculos na escola
Conheça as tecnologias que reduzem riscos e aproximam famílias, escolas e profissionais de saúde no cuidado diário de crianças com doenças crônicas.

Você já pensou em um pequeno relógio que avisa quando o açúcar no sangue sobe? Ou em um jogo que recompensa a criança por tomar o remédio na hora certa? Essas ideias já são realidade!
Aqui no Clube da Saúde Infantil, vamos mostrar como a tecnologia torna a escola mais segura, divertida e inclusiva para crianças com doenças crônicas (DCNTs).
Por que a tecnologia é importante na escola
Crianças com diabetes, asma, epilepsia e outras DCNTs precisam de cuidados contínuos, mesmo durante as aulas. Novos aparelhos e softwares ajudam a detectar alterações precoces, evitando crises e faltas. Assim, o aluno participa de todas as atividades e se sente parte do grupo.
Sensores que avisam na hora
Diabetes tipo 1
Sensores de glicose, como o Glic® e o LibreLink®, ficam colados na pele e medem o açúcar a cada minuto. Se o nível sobe ou desce demais, o aparelho vibra ou toca um alarme, avisando a criança, o professor e os pais pelo celular.
Asma
Pequenos dispositivos bluetooth encaixados no inalador registram cada aplicação. Eles cruzam os dados com a qualidade do ar e alertam quando há risco de crise.
Epilepsia
Pulseiras com acelerômetro detectam movimentos que lembram uma convulsão. O sinal chega ao celular do responsável em menos de 20 segundos, garantindo resposta rápida.
Apps e plataformas que apoiam o tratamento

Pausas inteligentes
Sistemas de ensino digital lembram o aluno de beber água, fazer fisioterapia respiratória ou checar a glicose — sem interromper o aprendizado.
Gamificação: aprender brincando
Cada remédio tomado no horário vira pontos em um jogo. Estudos brasileiros mostram aumento de até 30% na adesão ao tratamento com essa estratégia.
Realidade virtual e aumentada
• Realidade aumentada (RA): a criança “visita” museus sem esforço físico extra — ideal para quem se cansa rápido.
• Realidade virtual (RV): óculos especiais criam um ambiente lúdico durante exames ou coletas, diminuindo o medo e a dor.
Comunicação rápida de sintomas
Com poucos toques em um tablet, o aluno pode avisar sobre tontura, falta de ar ou aura epiléptica.
Isso evita constrangimentos e acelera o socorro.
Desafios que ainda existem
Custo dos aparelhos
Um sensor de glicose custa, em média, R$ 1.200, sem contar os insumos mensais. Parcerias entre governos, startups e escolas ajudam a reduzir os custos.
Treino para professores
Cerca de 68% dos docentes dizem não se sentir prontos para lidar com esses dados em sala de aula. Cursos curtos, presenciais ou on-line, resolvem essa lacuna de forma prática.
Proteção de dados
A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) exige consentimento claro para o uso de informações de saúde. Cada profissional deve ter acesso apenas ao que é essencial para cuidar do aluno.
Dicas para famílias e escolas começarem
• Peça receita e autorização médica antes de instalar qualquer sensor.
• Defina quem será responsável por monitorar os alertas — professor, coordenação ou enfermaria.
• Faça testes em casa, no fim de semana, como um “treino de segurança”.
• Revise o plano de cuidados a cada semestre para ajustar o que for necessário.
Conclusão

Sensores, aplicativos e jogos já fazem parte da rotina de muitas crianças com doenças crônicas no Brasil. Quando família, escola e profissionais de saúde trabalham juntos, a tecnologia se transforma em um escudo invisível que protege e inclui. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Brasil. Ministério da Saúde. Estratégias para cuidado de crianças com condições crônicas. Brasília, 2022.
- Gabriel, L. R. et al. Aplicativos móveis na gestão do diabetes infantil no contexto escolar. Revista Paulista de Pediatria, v. 39, e2020225, 2021.
- Queiroz, A. C.; Sousa, M. R. Dispositivos vestíveis e monitoramento de asma em escolares. Jornal de Pediatria, v. 97, n. 3, p. 321-328, 2021.
- Silva, P. T.; Almeida, R. Inclusão digital de crianças com epilepsia. Cadernos de Saúde Pública, v. 36, n. 9, e00123420, 2020.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de orientações para inclusão escolar de crianças com DCNTs. Rio de Janeiro, 2022.
- Brasil. Ministério da Educação. Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília, 2021.
- Ferreira, C.; Oliveira, F. Gamificação e adesão terapêutica em escolares com doenças crônicas. Educação & Sociedade, v. 43, e227845, 2022.
- UNESCO. Assistive Technology to Support Inclusive Education: Global Report. Paris, 2022.
- Organização Pan-Americana da Saúde. Tecnologias assistivas para crianças com deficiências e DCNTs.Washington, DC, 2020.
- ABNT. NBR 9050: Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, 2020.