Entre políticas e pratos vazios: por que a fome infantil insiste em voltar

Saiba por que a fome infantil voltou a preocupar o mundo e o que especialistas apontam como caminhos para garantir comida no prato e saúde às crianças.

Você já se perguntou por que, mesmo com tanta informação, ainda existem crianças que não comem o suficiente para crescer fortes?

Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que entender o problema é o primeiro passo para resolver. Vamos falar, em linguagem simples, sobre os maiores desafios no combate à desnutrição infantil e sobre as lições que funcionaram em vários países. Vem com a gente!

Por que a desnutrição infantil ainda existe?

Dinheiro que vai e vem

Muitos programas de nutrição dependem de doações e recursos internacionais. Quando esse dinheiro é interrompido, falta comida especial — como os alimentos prontos para uso, que salvam vidas em emergências. É como fechar uma torneira: tudo seca rapidamente.

Setores que não conversam

Saúde, educação e agricultura, às vezes, funcionam de forma isolada. Sem integração, pode sobrar ajuda em um lugar e faltar em outro. É como um time de futebol em que cada jogador corre sozinho — a vitória fica mais distante.

Estradas quebradas e crises

Guerras, enchentes ou secas interrompem o transporte de alimentos e dificultam o acompanhamento das crianças. Durante a pandemia, milhões de alunos ficaram sem a merenda escolar diária, o que agravou casos de desnutrição.

Cultura e papel das mulheres

Em algumas comunidades, as mães não têm voz para decidir o que a família come. Sem o envolvimento delas, nenhuma ação se sustenta por muito tempo. Valorizar a autonomia feminina é parte essencial da solução.

Lições que já deram certo

Todos na mesma mesa

Países que criaram comitês de nutrição ligados diretamente a presidentes ou governadores conseguiram alinhar metas, recursos e resultados. O diálogo constante entre diferentes áreas reduziu drasticamente os índices de desnutrição.

Tecnologia na palma da mão

Aplicativos de celular ajudam a identificar rapidamente crianças em risco. Com esses alertas, governos conseguem agir antes que a desnutrição se agrave, levando comida e atendimento médico com mais agilidade.

Força da comunidade

Quando as soluções nascem dentro do bairro ou da aldeia, elas continuam mesmo sem ajuda externa. Agentes de saúde locais ensinam sobre amamentação exclusiva e alimentação complementar de forma simples e próxima das famílias.

Dinheiro de vários lugares

Combinar recursos públicos, ajuda internacional e parcerias com empresas cria uma base mais estável. No Brasil, essa combinação manteve programas de merenda escolar mesmo durante períodos de crise.

Plantar perto de casa

Hortas comunitárias com feijão, verduras e frutas reduzem a falta de nutrientes e diminuem a dependência de longos transportes de alimentos. Além disso, fortalecem os vínculos sociais e o aprendizado das crianças.

Perguntas que você pode ter

Existe desnutrição no Brasil?

Sim. Apesar de avanços, ela ainda afeta algumas regiões, especialmente onde há menos renda e infraestrutura. Programas de transferência de renda e alimentação escolar têm ajudado a mudar esse cenário.

Comida pronta para uso é segura?

Sim. É um alimento terapêutico, testado e indicado pela ONU para tratar desnutrição aguda em emergências e crises humanitárias.

Eu posso ajudar?

Pode! Participar de conselhos escolares, apoiar hortas comunitárias ou contribuir com programas sérios de alimentação já faz diferença.

Equívocos comuns

  • “Desnutrição só acontece onde falta comida.”
    Não. Falta de informação, doenças e má distribuição dos alimentos também causam desnutrição.
  • “É problema só do governo.”
    Não. Comunidades, empresas e famílias têm papel fundamental na solução.

Conclusão

Combater a desnutrição infantil parece uma missão difícil, mas as histórias de sucesso mostram que é possível. Quando setores se unem, a comunidade participa e o apoio financeiro é estável, as crianças têm a chance de crescer fortes e felizes.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, lembramos: crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Action Against Hunger. The State of Global Hunger and Nutrition 2022. Paris; 2022.
  2. Black, R. et al. Maternal and Child Undernutrition and Overweight in Low-income and Middle-income Countries.The Lancet, v. 382, n. 9890, p. 427–451; 2013.
  3. FAO; IFAD; UNICEF; WFP; WHO. The State of Food Security and Nutrition in the World 2023. Rome: FAO; 2023.
  4. Global Nutrition Report. 2021 Global Nutrition Report: The State of Global Nutrition. Bristol: Development Initiatives; 2021.
  5. Lancet Nutrition Series. How Can the World Combat Child Malnutrition? London: The Lancet; 2021.
  6. SUN Movement. Annual Progress Report 2022. Geneva: Scaling Up Nutrition; 2022.
  7. UNICEF; WFP; WHO. Nutrition, for Every Child: Progress Report 2022. New York: UNICEF; 2022.
  8. UNICEF. Community Engagement for Health and Nutrition: A Guidance Note. New York; 2020.