O fogo apaga, mas a tosse fica: queimadas e saúde respiratória infantil
A fumaça viaja quilômetros e atinge pulmões ainda em formação. Veja como proteger as crianças durante a temporada de queimadas no Brasil.

Você já sentiu o cheiro forte de fumaça no ar? Esse cheiro, vindo das queimadas, pode ser perigoso para o pulmão das crianças. Aqui no Clube da Saúde Infantil, vamos mostrar de forma simples por que isso acontece e como você pode proteger quem mais precisa.
Por que a fumaça das queimadas faz mal
O que tem na fumaça
A fumaça contém pequenas partículas chamadas PM2.5, invisíveis a olho nu, que entram fundo no pulmão — quase como poeira fina passando por um peneiro largo. Ela também carrega substâncias tóxicas que irritam as vias aéreas e agravam doenças respiratórias.
Por que as crianças sofrem mais
Os pulmões dos pequenos ainda estão crescendo, e qualquer irritação causa mais inflamação. Em períodos de muita fumaça, o número de internações infantis por problemas respiratórios chega a aumentar de forma expressiva.
Problemas que podem aparecer
Tosse, chiado e internação
Sinais comuns após exposição à fumaça:
- Tosse seca ou com catarro.
- Chiado no peito.
- Falta de ar ou cansaço rápido.
- Agravamento de asma ou bronquiolite.
Se os sintomas piorarem ou a criança ficar sonolenta, procure a emergência mais próxima.
A sobrecarga dos hospitais
Durante a época de queimadas, os hospitais costumam registrar muito mais atendimentos pediátricos por problemas respiratórios. Esse aumento sobrecarrega os serviços e amplia o risco de demora no atendimento.
Como se proteger na época de queimadas

Monitore a qualidade do ar
Use aplicativos ou sites como o INPE Queimadas para acompanhar os índices de poluição. Se o ar estiver ruim, mantenha as crianças dentro de casa.
Cuidados simples em casa
- Feche portas e janelas nas horas de fumaça intensa.
- Coloque toalhas úmidas nas frestas.
- Ofereça água com frequência — pulmões hidratados reagem melhor.
- Se possível, use purificador de ar ou improvise com uma bacia de água no quarto.
Quando buscar ajuda médica
Procure um posto de saúde ou emergência se a criança:
- tiver dificuldade para respirar;
- apresentar lábios ou dedos roxos;
- não conseguir mamar ou comer;
- estiver muito sonolenta.
Para mais orientações, consulte também o Ministério da Saúde.
Alertas antecipados salvam vidas
Sistemas que combinam dados de satélite e clima já conseguem prever picos de fumaça com antecedência. Fique atento às notícias locais e aos alertas no celular para agir rápido e proteger sua família.
Dúvidas comuns
Fumaça longe do fogo também faz mal?
Sim. As partículas podem viajar centenas de quilômetros e ainda causar irritação nas vias respiratórias.
Máscara caseira ajuda?
Máscaras de pano filtram apenas partículas grandes. Para crianças acima de dois anos, o ideal é a PFF2 infantil, mas o mais importante é evitar sair de casa quando o ar estiver ruim.
Posso usar incenso ou velas?
Não. Eles soltam mais fumaça e pioram a qualidade do ar no ambiente.
Conclusão

A fumaça das queimadas é um perigo real, mas você pode agir: acompanhe a qualidade do ar, feche a casa nos piores horários e procure ajuda se necessário.
Aqui no Clube da Saúde Infantil acreditamos que informação simples salva vidas. Compartilhe este texto com outros pais e cuidadores — juntos, podemos garantir que nossas crianças respirem melhor, porque crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Silva AM, et al. Respiratory effects of particulate matter from Brazilian forest fires. Environmental Research. 2020;185.
- Santos DB, et al. Impact of wildfires on children’s health in Brazil. Pediatric Pulmonology. 2021;56:1721-1730.
- Oliveira BFA, et al. Atmospheric pollutants from biomass burning and respiratory diseases. Revista de Saúde Pública. 2019;53:49.
- Brasil. Ministério da Saúde. Relatório de Impacto das Queimadas na Saúde Infantil. Brasília; 2022.
- Artaxo P, et al. Atmospheric aerosols in Amazonia and land use change. Revista Brasileira de Meteorologia. 2019;34:1-22.
- Rodrigues LC, et al. Early warning systems for respiratory health: evaluation of effectiveness. Journal of Environmental Health. 2021;83:8-15.