Biológicos, apps e SUS: o amanhã do tratamento da asma

Saiba como biológicos, consultas por vídeo e dispositivos digitais prometem transformar o controle da asma e trazer mais qualidade de vida.

Você ou seu filho convivem com asma? Boas notícias vêm aí. Novos remédios, consultas on-line e aparelhos inteligentes já estão mudando o jeito de cuidar da doença. Neste post, explicamos essas novidades em linguagem simples.

Por que falar de futuro importa

A asma forte, também chamada de grave, ainda leva muitas pessoas ao pronto-socorro. Conhecer as novidades ajuda médicos, pacientes e famílias a escolher o melhor caminho de tratamento.

Novo tipo de remédio: os biológicos

O que são

São anticorpos feitos em laboratório que bloqueiam pontos-chave da inflamação. Exemplos já usados no Brasil atuam contra IgE, IL-5 e IL-4/IL-13. Outro, o tezepelumabe, mira o TSLP e já mostrou redução importante nas crises em estudos.

Para quem servem

São indicados para pacientes com asma forte que não melhoram com as bombinhas usuais. Para escolher o biológico adequado, o médico analisa marcadores como eosinófilos altos no sangue ou valores elevados de óxido nítrico exalado.

Vão substituir tudo

Não. O objetivo é encontrar o medicamento certo para cada paciente. Estudos também testam a possibilidade de suspender o uso após certo tempo, para reduzir custos.

Telemedicina: cuidado sem sair de casa

Durante a pandemia de COVID-19, as consultas por vídeo se popularizaram. No Brasil, pacientes que usaram telemedicina apresentaram melhor controle da asma e menos idas ao hospital.

Vantagens

  • Treinar o uso do inalador por vídeo.
  • Ajustar doses mais rapidamente quando há piora.
  • Reduzir deslocamentos e filas.

Dispositivos inteligentes

Como funcionam

  • Medidores de pico de fluxo com Bluetooth enviam resultados ao celular.
  • Sensores instalados nas bombinhas registram a frequência de uso.
  • Aplicativos reúnem esses dados com informações sobre clima e avisam quando há risco de crise.

Esses recursos funcionam como um “radar do tempo” para o pulmão.

Desafios no Brasil

Custo dos biológicos

Atualmente, esses medicamentos já representam grande parte dos gastos da farmácia de alto custo do SUS. Usar bons marcadores para selecionar pacientes pode aumentar a eficiência e reduzir desperdícios.

Internet e dados

Para que consultas on-line e dispositivos conectados funcionem, é preciso garantir internet estável e regras claras de segurança digital.

O que esperar nos próximos anos

  • Tratamento cada vez mais personalizado.
  • Uso de dados de exames, clima e até genética para prever crises antes que apareçam.
  • Modelos de parceria em que a indústria compartilha custos se os resultados não forem alcançados.

No Clube da Saúde Infantil, acreditamos que tecnologia só faz sentido se chegar a todas as famílias, não apenas a quem mora perto de grandes centros.

Conclusão

Novos remédios biológicos, consultas por vídeo e aparelhos que monitoram a respiração já desenham um futuro mais seguro para quem convive com asma. Com informação e acesso adequado, menos crises e mais brincadeiras ao ar livre tornam-se realidade. Crescer com saúde é mais legal.


Referências

  1. Menzies-Gow, A. et al. Tezepelumab in adults and adolescents with severe, uncontrolled asthma. New England Journal of Medicine, 384(19): 1800-1809, 2021.
  2. Chipps, B. E.; Parikh, N.; Banerji, A. Next-generation biologics for asthma. Annals of Allergy, Asthma & Immunology, 129(1): 28-41, 2022.
  3. Viegas, C. A. et al. Use of telemedicine for asthma follow-up during the COVID-19 pandemic in Brazil: a prospective study. J Bras Pneumol, 48(3): e20210425, 2022.
  4. Turner, S. W.; Thompson, P. J. Biomarkers and digital tools in asthma management. Curr Opin Allergy Clin Immunol, 23(1): 1-8, 2023.
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Informação e Saúde Digital. Estratégia de Saúde Digital para o Brasil 2020-2028. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
  6. Santos, C.; Oliveira, L. Economic impact of biologic therapies for severe asthma in the Brazilian public health system. Rev Saúde Pública, 56(7): 1-10, 2022.