Gestantes que se exercitam têm bebês mais fortes, apontam pesquisas

Estudos mostram que a atividade física na gravidez melhora a oxigenação, fortalece a placenta e favorece o desenvolvimento do bebê.

Você está grávida e quer saber se pode – e deve – mexer o corpo? A ciência diz que sim! Exercícios leves a moderados, como caminhar ou pedalar devagar, fazem bem para o coração da mãe, deixam a placenta mais forte e ajudam o bebê a crescer no ritmo certo. Vamos entender, em linguagem simples, por que movimentar-se é um presente duplo: para você e para quem está chegando.

Por que o corpo da grávida muda tanto?

Durante a gestação, o coração da mulher bombeia até 40% mais sangue. É como se o motor de um carro ganhasse mais potência para levar nutrientes ao bebê. A frequência cardíaca também sobe um pouco, algo normal.

O que acontece quando a gestante faz exercício?

  • Mais sangue circula para músculos, pele e coração.
  • O útero continua bem irrigado: mantém 70–80% do fluxo normal.
  • Vasos do útero relaxam graças a substâncias como óxido nítrico, permitindo que o bebê receba oxigênio suficiente.

Em exames Doppler, a velocidade do sangue na artéria uterina sobe só 3–5 cm/s durante caminhada leve, valor seguro para o feto.

Placenta turbinada: como o exercício ajuda?

A placenta é a “central de trocas” entre mãe e bebê. Quando a grávida se exercita:

  • Surgem 15% mais vasinhos na placenta.
  • Aumenta o transporte de oxigênio e glicose, como abrir mais janelas para o ar entrar.
  • Ela fica um pouco mais pesada (+20 g), mas mais eficiente.
  • Genes que formam vasos (VEGF) e canais de açúcar (GLUT-1) funcionam melhor.

Reflexo no bebê

Em exames de batimento fetal, o coração do bebê acelera apenas 10 bpm durante o esforço da mãe e volta ao normal rapidamente, como um “treino suave” dentro da barriga.

Benefícios vistos no nascimento e depois

  • Menos risco de restrição de crescimento intrauterino: queda de 31%.
  • Peso ao nascer dentro do ideal, sem casos de bebês muito grandes ou pequenos.
  • Aos 5 anos, filhos de mães ativas apresentam vasos sanguíneos mais saudáveis e melhor resposta à insulina.

Qual é o limite seguro?

Mantenha-se na faixa de 60–80% da frequência cardíaca máxima (verifique com seu médico). Atividades acima de 90% podem reduzir o fluxo uterino em até 25% por alguns minutos. Portanto, evite exercícios extenuantes.

Dicas práticas para mover o corpo com segurança

  1. Converse sempre com seu obstetra antes de iniciar.
  2. Prefira caminhada, natação ou bicicleta ergométrica leve.
  3. Use roupas leves e hidrate-se bem.
  4. Pare se sentir tontura, falta de ar ou dor.
  5. Três sessões de 30 minutos por semana já fazem diferença!

Perguntas que ouvimos muito

  • “E se eu nunca treinei antes?”
    Comece devagar, com 10 minutos de caminhada, e aumente aos poucos.
  • “Posso fazer musculação?”
    Sim, mas com carga leve e supervisão.
  • “Gestação gemelar permite exercício?”
    Geralmente sim, se não houver restrição médica. Sempre confirme com seu médico.

Equívocos comuns

  • “Exercício rouba oxigênio do bebê.” – Falso. O útero mantém a maior parte do fluxo.
  • “Ficar parada é mais seguro.” – Pelo contrário. Sedentarismo aumenta risco de pré-eclâmpsia e diabetes gestacional.

Conclusão

Exercício moderado na gravidez melhora a circulação, fortalece a placenta e favorece o crescimento equilibrado do bebê. Com orientação médica e intensidade adequada, você cuida do coração, da placenta e do futuro cardiometabólico do seu filho. Lembre-se: crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. MELZER, K. et al. Effects of recommended levels of physical activity during pregnancy on maternal heart rate, fetal heart rate, and neonatal birth weight. American Journal of Obstetrics and Gynecology, St. Louis, 202, n. 5, p. 467.e1-467.e6, 2010.
  2. ACOG. Physical activity and exercise during pregnancy and the postpartum period: Committee Opinion No. 804. Obstetrics and Gynecology, Philadelphia, 135, n. 4, p. e178-e188, 2020.
  3. BOBRICK, T. N. et al. Exercise alters uterine artery blood flow during pregnancy. American Journal of Obstetrics and Gynecology, St. Louis, 217, n. 2, p. 173.e1-173.e8, 2017.
  4. MAY, L. E. et al. Impact of exercise during pregnancy on fetal heart response. Early Human Development, Amsterdam, 109, p. 7-10, 2017.
  5. WANG, H.; FENG, L. Maternal physical activity and placental angiogenesis: a randomized controlled trial. Medicine & Science in Sports & Exercise, Indianapolis, 52, n. 5, p. 942-950, 2020.
  6. CLAPP, J. F. The effect of maternal exercise on fetal placental growth. Placenta, Oxford, 27, n. 6-7, p. 548-557, 2006.
  7. RAHNAMA, N.; ZAREAN, E.; AHMADI, S. Influence of maternal exercise on placental weight and thickness. Placenta, Oxford, 61, p. 1-5, 2017.
  8. POUDEVIGNE, M. S.; ORMANNI, A. Physical activity and fetal well-being: a systematic review. Journal of Reproductive Medicine, Santa Barbara, 64, n. 3-4, p. 55-63, 2019.
  9. CLAPP, J. F.; CAPLESS, E. L. The effect of physical activity on the outcome of pregnancy. Clinical Obstetrics and Gynecology, Philadelphia, 37, n. 3, p. 528-541, 1994.