Dos acampamentos ao acolhimento digital: novas formas de se sentir parte
Encontros, mentorias e redes digitais estão aproximando famílias e fortalecendo a autoestima de crianças com doenças crônicas. Veja histórias que inspiram.

Você já ouviu a frase “juntos somos mais fortes”? Ela é real para crianças que convivem com doenças crônicas visíveis. Quando elas se encontram com outras que passam pelo mesmo desafio, o medo diminui e a autoestima cresce. Hoje vamos falar sobre grupos de apoio, comunidades on-line e acampamentos que fazem toda a diferença no cuidado infantil.
O que é apoio entre pares
Apoio entre pares é quando crianças ou adolescentes com a mesma condição se ajudam — em encontros, aplicativos ou mentorias individuais. Estudos mostram queda de até 30% na ansiedade e melhora significativa na autoestima.
Por que isso ajuda tanto
- Modelo de identificação: a criança vê no colega um “futuro possível”.
- Aprendizagem vicária: aprende truques de quem já vive a situação.
- Pertencimento: sente que não está sozinha.
Comunidade on-line: apoio sem sair de casa
Com a internet, o grupo cabe no celular. Fóruns moderados por profissionais permitem perguntas e desabafos a qualquer hora. Em seis semanas, crianças com vitiligo relataram menos vergonha e mais segurança.
Pontos positivos
- Acesso fácil, mesmo longe dos grandes centros.
- Respostas rápidas de quem entende.
- Lives educativas sobre uso de bombas de insulina ou cuidados com a pele.
Atenção aos riscos
- Fake news sobre tratamentos.
- Possível cyberbullying.
A solução é ter mediadores treinados e regras claras de convivência.
Acampamentos de saúde: aprender brincando

Imagine um lugar onde todas as crianças usam curativos ou bombinhas sem olhares estranhos. Nos acampamentos terapêuticos, elas praticam esportes, aprendem sobre o corpo e fazem amigos. Seis meses depois, mostram melhor desempenho social e emocional na escola.
Como escolher um grupo de apoio seguro
- Defina o objetivo: emocional, educativo ou ambos.
- Verifique se há acompanhamento de profissionais de saúde.
- Pergunte sobre o treinamento dos mentores.
- Avalie se o grupo usa indicadores de qualidade de vida.
- Confira se há regras claras contra preconceito e exclusão.
Onde encontrar ajuda no Brasil
- Instituto Beaba: oficinas de arte para crianças em tratamento oncológico.
- ONG Procrin: grupos de WhatsApp para famílias de crianças com doenças renais.
- Projeto Vitamigos: comunidade on-line sobre vitiligo e autocuidado.
Mais de 80 organizações foram mapeadas no país — embora 60% estejam em grandes cidades. Procure orientação na Unidade Básica de Saúde (UBS): os profissionais podem indicar grupos ou programas locais.
Dúvidas comuns
“Meu filho é tímido. Ele vai falar?”
Sim. Ninguém é obrigado a falar logo. Só de ouvir, já se sente parte.
“Participar substitui o médico?”
Não. O grupo é complemento, não tratamento.
“E se ele sofrer bullying on-line?”
Procure grupos moderados e denuncie mensagens ofensivas imediatamente.
Resumo dos benefícios
- Menos ansiedade e isolamento.
- Mais autoestima e confiança.
- Menos idas ao pronto-socorro (em casos de asma).
- Melhor adesão ao tratamento — até 18% maior em dermatites crônicas.
Conclusão

Quando crianças se unem, o estigma perde força e nasce a coletividade. Incentive seu filho a conhecer um grupo seguro — presencial ou on-line. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que dividir histórias também cura. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
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- Santos MC, Reis AF. Grupos de apoio a crianças com doenças crônicas no Brasil: panorama e desafios. Revista de Saúde Pública, 55(supl 1):1–10, 2021.
- Wright E, et al. Online communities for paediatric chronic conditions: benefits and risks. Child: Care, Health and Development, 48(2):149–158, 2022.
- Camargo LK, Dias FR. Acampamentos especializados como estratégia de promoção da saúde mental em pediatria.Psicologia: Reflexão e Crítica, 34(18):1–12, 2021.
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- Instituto Desenhando o Futuro. Mapa das organizações brasileiras de apoio a doenças crônicas pediátricas. São Paulo, 2022.