Hipotireoidismo congênito: sinais que aparecem devagar no bebê

Conheça os indícios discretos que podem indicar hipotireoidismo e entenda por que o teste do pezinho protege o desenvolvimento infantil.

Você sabia que 95% dos bebês com problema na tireoide desde o nascimento parecem completamente normais? Isso pode assustar os pais, mas tem uma explicação simples. Aqui no Clube da Saúde Infantil, vamos explicar por que isso acontece e quais sinais você deve observar no seu pequeno.

Por que meu bebê parece normal se tem problema na tireoide?

Quando o bebê ainda está na barriga da mãe, ele recebe uma “proteção especial”. Os hormônios da tireoide da mãe passam para o bebê através da placenta. É como se fosse um escudo protetor que dura algumas semanas após o nascimento.

Por isso, mesmo bebês com hipotireoidismo congênito parecem saudáveis quando nascem. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a ausência de sintomas evidentes ao nascimento não indica ausência de doença, tornando a triagem neonatal universal uma ferramenta indispensável para o diagnóstico precoce.

Quais sinais podem aparecer no recém-nascido?

Mesmo que a maioria dos bebês pareça normal, alguns sinais podem aparecer nas primeiras semanas:
Fontanela posterior maior – a moleira de trás da cabeça fica maior que meio centímetro
Hérnia umbilical – pequena saliência no umbigo
Língua grande – a língua pode parecer maior que o normal
Pele fria e manchada – a pele fica fria e com manchas
Amarelão que demora para sair – a cor amarela da pele dura mais tempo
Músculos moles – o bebê fica mais “molinho” que o normal

Importante: Estes sinais podem ser sutis ou até não aparecer, mesmo em casos graves. Por isso, não dá para confiar só no que vemos.

Como os sintomas aparecem com o tempo

2 a 4 semanas de vida

• Dificuldade para mamar
• Bebê muito sonolento
• Choro mais rouco

1 a 3 meses

• Prisão de ventre
• Músculos mais fracos
• Atraso para sorrir e levantar a cabeça

3 a 6 meses

• Crescimento mais lento
• Rosto com características típicas
• Demora para sentar e rolar

O reconhecimento da progressão temporal dos sintomas é crucial para profissionais de saúde, pois pode alertar para a necessidade de investigação mesmo em casos inicialmente não detectados pela triagem.

Por que é difícil descobrir só olhando?

Descobrir o hipotireoidismo congênito apenas pelos sintomas é como tentar adivinhar o que tem dentro de uma caixa fechada. É muito difícil porque:
• Cada bebê pode ter sintomas diferentes
• Muitos sinais são parecidos com coisas normais de recém-nascido
• A gravidade varia de bebê para bebê
• Os hormônios da mãe ainda estão protegendo

No Brasil, estudos mostram que apenas 5% dos casos são descobertos pelos médicos antes do resultado do teste do pezinho.

A importância do teste do pezinho

O teste do pezinho (triagem neonatal) é como um detetive super eficiente. Ele consegue descobrir o problema mesmo quando o bebê parece normal. Por isso é obrigatório e gratuito em todo o Brasil.

Este teste simples, feito entre o 3º e 5º dia de vida, pode salvar o futuro do seu bebê. Quando descobrimos e tratamos cedo, a criança cresce e se desenvolve normalmente.

Fatores que tornam o diagnóstico complicado

Cada bebê é único: os sintomas variam muito de uma criança para outra
Sintomas comuns: muitos sinais são parecidos com coisas normais de bebê
Gravidade diferente: alguns bebês têm problemas leves, outros mais graves
Proteção da mãe: os hormônios maternos ainda estão no organismo do bebê

Conclusão

Descobrir o hipotireoidismo congênito é como resolver um quebra-cabeças complexo. Por isso, o teste do pezinho é fundamental – ele é nosso melhor aliado para garantir que todos os bebês tenham a chance de crescer saudáveis.

Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que todo bebê merece o melhor começo de vida. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, crianças com hipotireoidismo congênito crescem e se desenvolvem normalmente.

Lembre-se: se o teste do pezinho do seu bebê der alterado, não se desespere. Com tratamento, seu pequeno terá todas as chances de um desenvolvimento saudável. Afinal, crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria. Diretrizes para o diagnóstico e tratamento do hipotireoidismo congênito. São Paulo: SBP; 2018.
  2. Maciel LMZ, Kimura ET, Nogueira CR, et al. Congenital hypothyroidism: recommendations of the Thyroid Department of the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2013;57(3):184-92.
  3. Nascimento ML, Rabello FH, Ohira M, et al. Programa de triagem neonatal para hipotireoidismo congênito de Santa Catarina, Brasil: avaliação etiológica no primeiro atendimento. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2012;56(9):627-32.