Quem garante que a merenda chegue? A história por trás do SISAN
Saiba como o SISAN articula políticas públicas, escolas e famílias para fortalecer a segurança alimentar e combater a fome infantil no Brasil.

Você já pensou em quem garante a comida de qualidade no prato das nossas crianças? No Brasil, existe uma grande rede de proteção chamada SISAN. Ela une governo e sociedade para que ninguém fique sem alimento.
Vamos entender, de forma simples, como essa rede funciona e por que ela é tão importante para a saúde infantil.
O que é o direito à alimentação
Desde 2006, a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN) reconhece que comer bem é um direito de todos os brasileiros.
Assim como o direito à educação ou à saúde, o direito à alimentação saudável precisa de leis e programas para sair do papel e chegar à mesa das famílias.
Conheça o SISAN: a rede que protege
O Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) funciona como um grande guarda-chuva. Ele reúne várias áreas — saúde, educação, agricultura e assistência social — para trabalhar em conjunto por um mesmo objetivo: garantir comida de qualidade a todos.
Dentro dessa estrutura, existem dois pilares fundamentais:
- Conselhos de Segurança Alimentar (CONSEAs) – espaços de decisão com participação majoritária da sociedade civil. São a voz das comunidades nas políticas públicas.
- Câmaras Intersetoriais – grupos que conectam diferentes áreas do governo para criar e acompanhar planos de ação conjuntos.
Programas que chegam ao prato das crianças
- PNAE – Programa Nacional de Alimentação Escolar: criado em 1955, leva merenda a escolas públicas e compra boa parte dos alimentos diretamente da agricultura familiar.
- PAA – Programa de Aquisição de Alimentos: compra produtos de pequenos agricultores e distribui para creches, cozinhas comunitárias e bancos de alimentos.
- PNAN – Política Nacional de Alimentação e Nutrição: define metas para combater anemia, obesidade e outras deficiências nutricionais.
Esses programas são a base da política alimentar brasileira e mostram como o SISAN atua de forma prática, conectando campo, escola e comunidade.
Desafios que ainda precisamos vencer
Mesmo com avanços, o Brasil ainda tem milhões de pessoas em situação de fome — e muitas delas são crianças.
Estudos recentes apontam três grandes desafios:
- Setores que não conversam: saúde, educação e agricultura ainda funcionam de forma isolada, o que reduz o impacto das ações.
- Diferenças regionais: muitos municípios não têm Conselhos ou Câmaras ativas, o que impede o repasse adequado dos recursos.
- Barreiras nas doações de alimentos: embora uma nova lei tenha facilitado o processo, ainda há dúvidas e desigualdades na aplicação entre cidades.
O que os especialistas sugerem
Pesquisas e relatórios nacionais indicam três caminhos promissores:
- Retomar as compras públicas pelo PAA para abastecer cozinhas solidárias.
- Criar incentivos fiscais para hortas urbanas em terrenos ociosos.
- Unir dados de saúde e assistência social para identificar, em tempo real, onde está a fome.
Força da comunidade: exemplos que inspiram
- Belo Horizonte: o movimento Direito à Cidade que Alimenta garantiu uma lei para hortas coletivas em áreas públicas.
- Fortaleza: o programa Cozinhas Solidárias passou a receber verba fixa do governo estadual.
- Tecnologia: plataformas digitais ajudam Conselhos Municipais a monitorar leis e projetos de combate ao desperdício.
Essas experiências mostram que a segurança alimentar é mais forte quando a comunidade participa.
O que vem por aí
O novo Plano Nacional de Segurança Alimentar (2024–2027) e o Projeto de Lei 352/2023 prometem ampliar recursos e premiar cidades que reduzirem o desperdício de comida, inclusive com créditos de carbono.
Essas medidas podem acelerar a chegada de alimentos saudáveis à mesa das crianças e fortalecer o SISAN como política de Estado.
Conclusão

Garantir comida boa e suficiente para cada criança é possível. Com leis firmes, programas bem aplicados e participação da comunidade, o prato cheio deixa de ser sonho e vira rotina.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal — e isso começa com o direito de comer bem.
Referências
- Brasil. Lei nº 11.346, de 15 set. 2006. Cria o SISAN. Diário Oficial da União, 18 set. 2006.
- Brasil. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Resolução FNDE nº 26, 17 jun. 2013. Brasília; 2013.
- Brasil. Ministério da Saúde. Política Nacional de Alimentação e Nutrição. 2. ed. Brasília: MS; 2013.
- CONSEA. Regimento Interno do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Brasília; 2017.
- IPEA. Financiamento das Políticas de Segurança Alimentar: Evoluções e Desafios. Brasília: IPEA; 2022.
- IBGE. Insegurança Alimentar no Brasil: POF 2017–2018. Rio de Janeiro: IBGE; 2020.
- FAO; OPS; UNICEF; PMA. Panorama da Segurança Alimentar e Nutricional na América Latina 2022. Santiago: FAO; 2022.
- Rede PENSSAN. II Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar. São Paulo: Penssan; 2022.
- Brasil. Lei nº 14.016, de 23 jun. 2020. Dispõe sobre doação de alimentos. Diário Oficial da União, 24 jun. 2020.
- Prefeitura de Belo Horizonte. Plano Municipal de Agricultura Urbana. Belo Horizonte; 2022.
- Assembleia Legislativa do Ceará. Lei Orçamentária Anual 2023. Fortaleza; 2023.
- Martins, P. R.; Rocha, A. S. Transparência Legislativa e Segurança Alimentar. Cad Saúde Pública, v. 38, e00123421; 2022.
- HLPE. Food Losses and Waste in the Context of Sustainable Food Systems. Rome: FAO; 2019.