Entenda como identificar e diferenciar a neofobia da seletividade alimentar

Saiba distinguir fases comuns de recusa alimentar de sinais que indicam transtornos mais complexos e descubra quando é hora de buscar apoio especializado.

Seu filho fecha a boca quando vê um alimento diferente? Isso pode ser neofobia alimentar. Aqui no Clube da Saúde Infantil, explicamos de forma simples o que é neofobia, como ela se distingue de outros comportamentos e quando é hora de buscar ajuda. Vamos aprender juntos? Crescer com saúde é mais legal!

O que é neofobia alimentar

Neofobia alimentar é o medo ou recusa de provar alimentos novos. É como se a criança se sentisse insegura diante do desconhecido, mesmo sem saber se há algo ruim. Esse comportamento é comum na infância e afeta uma parcela importante das crianças em idade pré-escolar.

Neofobia x seletividade alimentar

Principais diferenças

  • Neofobia: a criança rejeita apenas o que é novo.
  • Seletividade alimentar: a criança também passa a rejeitar alimentos que já comia, reduzindo a variedade da dieta.

Reconhecer a diferença ajuda pais e profissionais a escolherem estratégias adequadas para lidar com cada caso.

Quando a preocupação é maior: ARFID

ARFID é a sigla em inglês para Transtorno de Evitação/Restrição da Ingestão Alimentar.
É uma condição mais séria do que a neofobia comum e pode causar:

  • desinteresse acentuado por comer;
  • evitação de alimentos por textura, cor ou cheiro;
  • medo de engasgar ou de passar mal.

O resultado pode ser baixo peso, carência de nutrientes e impacto no crescimento. Nesses casos, o acompanhamento com pediatra e nutricionista é essencial.

E no caso do Transtorno do Espectro Autista (TEA)?

Crianças com TEA podem apresentar maior sensibilidade a texturas, cheiros ou cores dos alimentos.
Isso pode parecer neofobia, mas há diferenças importantes:

  • Evitam alimentos com certas texturas (como os que “fazem barulho” na boca).
  • Mantêm rituais fixos na alimentação (mesmo prato, mesma cor, mesma ordem).
  • Demonstram forte resistência a mudanças.

Quando há TEA, o cuidado deve envolver uma equipe interdisciplinar, incluindo terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos especializados em alimentação infantil.

Por que identificar corretamente

Cada caso pede um tipo de cuidado. A neofobia leve costuma melhorar com paciência e exposição gradual. A seletividade intensa, o ARFID e situações ligadas ao TEA precisam de avaliação profissional mais ampla.

Para informações complementares sobre alimentação saudável, acesse o site do Ministério da Saúde. E aqui no Clube da Saúde Infantil, você também encontra nosso guia de introdução alimentar.

Perguntas que podem surgir

Meu filho vai superar a neofobia sozinho?
Muitos casos melhoram naturalmente, mas observe o crescimento e consulte o pediatra se houver dúvida.

É culpa dos pais?
Não. Questões biológicas e sensoriais têm grande influência. O papel da família é oferecer apoio e segurança.

Quando procurar ajuda?
Se houver perda de peso, pouca variedade mesmo em alimentos conhecidos ou ansiedade intensa durante as refeições.

Equívocos comuns

  • “É só frescura.”
    Não é. Trata-se de um comportamento estudado e reconhecido pela ciência.
  • “Forçar resolve.”
    Forçar pode aumentar o medo. O caminho mais eficaz é a exposição gradual e positiva.

Conclusão

A neofobia alimentar é comum e, na maioria dos casos, melhora com tempo e paciência. Já a seletividade ampla, o ARFID ou situações associadas ao TEA podem exigir acompanhamento profissional. Observar, compreender e agir com orientação faz toda a diferença. Aqui no Clube da Saúde Infantil, reforçamos: crescer com saúde é mais legal!


Referências

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