Quando o clima muda, o corpo sente: o impacto do pólen nas crianças
Mudanças de clima e aumento do pólen podem afetar a respiração infantil. Veja como proteger seu filho e evitar desconfortos sazonais.

Você sabia que o pólen no ar muda muito entre as regiões do Brasil? E que as mudanças do clima estão fazendo com que tenhamos mais pólen no ar? Se você ou alguém da sua família sofre com espirros, coceira no nariz ou olhos lacrimejando, este artigo vai te ajudar muito.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que entender quando o pólen está mais forte é o primeiro passo para proteger nossa família.
Como o pólen funciona em cada região do Brasil
Região Sul: primavera é a época mais difícil
No Sul do Brasil, o pólen que mais incomoda vem das gramas e dos plátanos — aquelas árvores grandes que vemos nas ruas. A época mais difícil vai de agosto até dezembro. É como se a natureza acordasse depois do inverno e começasse a “espirrar” pólen por toda parte.
Os números mostram que no Sul temos cerca de 120 grãos de pólen por metro cúbico de ar durante a primavera. Para imaginar, é como se em cada metro cúbico de ar — um cubo grande invisível — houvesse 120 grãozinhos flutuando.
Sudeste: setembro a novembro são os meses de alerta
No Sudeste, as gramas do tipo Lolium e Cynodon são as que mais soltam pólen. Elas ficam mais ativas entre setembro e novembro. Se você mora em São Paulo, Rio de Janeiro ou Minas Gerais, esses são os meses para ficar mais atento.
Nordeste: pólen o ano todo
Por causa do clima mais quente, o Nordeste tem pólen no ar praticamente o ano todo. Não há uma estação definida como no Sul e Sudeste. É como se fosse uma “chuva de pólen” constante, mas menos intensa.
Centro-Oeste: os números mais altos do Brasil
O Centro-Oeste é campeão em quantidade de pólen. A vegetação do cerrado faz com que chegue a até 200 grãos por metro cúbico nos períodos de pico — quase o dobro do que encontramos no Sul.
Horário do dia faz diferença

A concentração de pólen pode ser até cinco vezes maior nas primeiras horas da manhã, especialmente em dias secos e ensolarados.
Isso significa que se você precisa sair cedo, principalmente em dias de sol e sem chuva, o ar estará mais carregado. É como comparar um copo de açúcar com cinco — a diferença é enorme!
Dicas práticas para o dia a dia
- Evite atividades ao ar livre nas primeiras horas da manhã.
- Em dias secos e ensolarados, tenha mais cuidado.
- Depois da chuva, o ar fica mais limpo.
As mudanças do clima estão piorando o problema
Infelizmente, o aquecimento global está mudando tudo. Nos últimos 20 anos, a época do pólen ficou cerca de 20 dias mais longa — antes durava dois meses, agora quase três.
O monitoramento aerobiológico mostra um aumento de 30% na concentração de pólen atmosférico nos últimos 15 anos, diretamente ligado ao aumento das temperaturas médias.
Isso quer dizer que:
- As plantas estão produzindo mais pólen.
- A temporada de alergia está durando mais tempo.
- É provável que você precise de mais cuidados do que seus pais precisavam.
Como o Brasil monitora o pólen
O país está criando uma rede de estações que medem o pólen no ar, principalmente nas capitais do Sul e Sudeste. É como ter “termômetros de pólen” espalhados pelo território.
Essas estações:
- Medem o pólen no ar em tempo real.
- Enviam informações para aplicativos e sites.
- Ajudam as pessoas a se programarem melhor.
Tecnologia a seu favor
Hoje já existem aplicativos que mostram quanto pólen há no ar na sua cidade. É como consultar a previsão do tempo, mas voltada às alergias. Isso ajuda a planejar melhor o dia:
- Saber quando evitar exercícios ao ar livre.
- Escolher os melhores dias para passeios no parque.
- Decidir quando fechar as janelas de casa.
Conclusão

Entender o calendário do pólen no Brasil é fundamental para proteger você e sua família das alergias. Cada região tem suas particularidades, e as mudanças do clima estão tornando o problema mais sério.
Com informação e planejamento, é possível viver bem mesmo com sensibilidade ao pólen. Use a tecnologia a seu favor, fique atento aos horários de maior concentração e lembre-se: conhecimento é proteção.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, sabemos que crescer com saúde é mais legal quando entendemos como cuidar melhor de nós mesmos!
Referências
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