Imunoterapia oral avança e muda o tratamento das alergias alimentares em crianças
Avanços científicos mostram resultados promissores em terapias que reduzem reações e melhoram a qualidade de vida de crianças com restrições alimentares.

Seu filho tem alergia a leite, ovo ou amendoim? A rotina de fugir de certos alimentos pode ser difícil. A imunoterapia oral, chamada de ITO, chega como um novo caminho. Ela “ensina” o corpo da criança a aceitar o alimento, reduzindo reações. Neste post, o Clube da Saúde Infantil explica de forma simples como a ITO funciona, seus resultados no Brasil e quando procurar ajuda.
O que é imunoterapia oral?
A ITO é um tratamento em que a criança ingere pequenas gotinhas ou pedacinhos do alimento que causa alergia. A dose é tão pequena que, na maioria das vezes, não provoca reação forte. Com o tempo, o corpo “aprende” a não entrar em pânico.
É como treinar um cachorrinho: começa devagar, com pequenas recompensas, até ele entender o comando.
Como a ITO funciona dentro do corpo?
- O sistema imunológico muda.
- Cai o famoso anticorpo IgE, que causa a reação alérgica.
- Sobe o IgG4, que age como “escudo protetor”.
- Células reguladoras aparecem e “acalman” a defesa do corpo.
Essas mudanças já foram confirmadas em diversos estudos científicos.
Fases do tratamento
- Início (fase de maior cuidado)
Doses mínimas, dadas no hospital ou em clínica especializada. - Construção
A dose aumenta devagar, a cada semana ou quinzena. - Manutenção
Quando a criança já tolera quantidades maiores, segue tomando a dose em casa todos os dias.
Se pensarmos em escalar uma montanha, a primeira fase é o trecho mais íngreme. Depois, o caminho fica mais tranquilo, mas ainda requer atenção.
Resultados e segurança no Brasil
- Estudos em vários países mostram sucesso em cerca de 7 em cada 10 pacientes.
- No Brasil, centros de referência apontam 75% de êxito para alergia ao leite de vaca.
- Protocolos “rush” (mais rápidos) podem durar semanas, mas apresentam risco maior de reação.
- Quando realizado em ambiente controlado e com equipe treinada, o tratamento é considerado seguro.
Perguntas comuns dos pais
1. Meu filho pode ter reações graves?
Pode acontecer, mas a equipe médica está preparada para agir rapidamente. O início do tratamento sempre ocorre em ambiente hospitalar.
2. O tratamento cura a alergia?
Ele induz tolerância. Em muitos casos, a criança passa a comer o alimento sem reação, mas deve seguir a fase de manutenção.
3. Quanto tempo dura?
Protocolos tradicionais levam de 6 a 12 meses, variando conforme o caso.
Mais dúvidas? Visite nossa seção de Alergias Infantis no site do Clube da Saúde Infantil.
Quando procurar ajuda especializada?
- Se a alergia impede a criança de ter uma vida normal.
- Se a família quer reduzir o medo de reações acidentais.
Procure um alergista. Consulte o site da Sociedade Brasileira de Pediatria para encontrar um especialista perto de você.
Derrubando mitos
Mito: “A ITO é apenas comer o alimento em casa.”
Fato: O tratamento exige protocolo médico e ajuste rigoroso de doses.
Mito: “Serve para qualquer idade.”
Fato: A maioria dos estudos é feita com crianças, mas cada caso precisa de avaliação individual.
Conclusão

A imunoterapia oral mostra que é possível conviver com menos medo da alergia alimentar. Com acompanhamento correto, muitas crianças passam a tolerar o alimento que antes causava reação.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação clara faz diferença na rotina das famílias. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
- Nowak-Węgrzyn A, Wood RA. Oral immunotherapy for food allergy. Nat Rev Immunol. 2018;18(11):751-765.
- Santos AF, Brough HA. Advances in food allergy diagnosis and treatment. J Allergy Clin Immunol.2017;140(6):1538-1550.
- Chinthrajah RS et al. Molecular and cellular mechanisms of food allergy and food tolerance. J Allergy Clin Immunol. 2016;137(4):984-997.
- Wood RA. Food allergen immunotherapy: Current status and prospects for the future. J Allergy Clin Immunol.2016;137(4):973-982.
- Pajno GB et al. EAACI Guidelines on allergen immunotherapy: IgE-mediated food allergy. Allergy.2018;73(4):799-815.
- Associação Brasileira de Alergia e Imunologia. Diretrizes brasileiras para o diagnóstico e tratamento das alergias alimentares. Rev Bras Alerg Imunopatol. 2020;43(1):1-45.
- Vickery BP et al. AR101 Oral Immunotherapy for Peanut Allergy. N Engl J Med. 2018;379(21):1991-2001.