O marketing velado: o que influenciadores de comida escondem nos stories das redes

Conheça o que estudos revelam sobre a diferença entre o que influenciadores mostram no feed e nos stories. Aprenda a reconhecer o marketing e proteger sua família.

Os influenciadores digitais fazem parte da rotina das famílias. Eles mostram receitas, produtos e momentos em casa. Mas será que tudo é tão saudável quanto parece? Uma análise recente de grandes perfis brasileiros traz alertas importantes. Aqui no Clube da Saúde Infantil explicamos, de maneira simples, o que foi encontrado — e como isso afeta quem cuida de crianças.

O que o estudo descobriu

1. Alimentos saudáveis no feed, ultraprocessados nos stories

O conteúdo fixo costuma trazer frutas, legumes e preparações caseiras. Já os stories, que somem em 24 horas, mostram com mais frequência biscoitos, sucos de caixinha e outros ultraprocessados. É como ter uma vitrine bonita e esconder guloseimas atrás do balcão.

2. Publicidade nem sempre é avisada

Menos da metade das postagens com parceria comercial sinaliza isso com #publi ou avisos semelhantes. Quando a propaganda se disfarça de dica de mãe, fica difícil saber que existe um acordo comercial por trás.

3. Experiência pessoal vira “prova”

Influenciadores sem formação recebem a maior parte do engajamento. Histórias do tipo “funcionou com meu filho” dobram os comentários, mesmo sem embasamento técnico.

4. Dicas fora das regras oficiais

Parte dos conteúdos traz sugestões que contrariam recomendações de órgãos oficiais, como oferecer mel antes de 1 ano ou restringir carboidratos na infância.

Como isso afeta você e seu filho

  • A criança pode desejar mais ultraprocessados vistos nos stories.
  • Pais podem confiar em orientações arriscadas, acreditando que vêm de especialistas.
  • Escolhas inadequadas podem virar rotina e prejudicar a saúde familiar.

Dicas rápidas para seguir influenciadores com segurança

  1. Procure o registro profissional (como CRN) quando o perfil fala de nutrição.
  2. Observe se #publi aparece sempre que há marca, cupom ou link.
  3. Desconfie de soluções milagrosas e de frases como “só hoje” ou “imperdível”.
  4. Compare as dicas com orientações oficiais, como o Guia do Ministério da Saúde.
  5. Prefira conteúdos permanentes: stories costumam ter mais propaganda e menos transparência.

Perguntas comuns

Posso dar mel antes de 1 ano?

Não. O mel pode conter bactérias perigosas para bebês, mesmo quando é “orgânico”.

Todo produto mostrado sem #publi é propaganda escondida?

Nem sempre. Mas se tiver marca em destaque, desconto ou link de compra, vale ficar atento.

É errado seguir influenciadores não profissionais?

Não. Eles podem inspirar. O cuidado é não substituir a orientação médica ou nutricional por essas dicas.

Equívocos que vale corrigir

  • “Se o influenciador usa com o filho, é seguro.” Cada criança tem necessidades diferentes.
  • “Industrializados de lancheira são inevitáveis.” Simples funciona: frutas, pão integral, água.
  • “Story some, então não influencia.” A mensagem fica na memória da criança — e dos pais.

Passo a passo para uma escolha informada

  1. Assista ao vídeo até o fim e busque sinais de parceria.
  2. Leia os comentários: perguntas de outros pais ajudam a identificar riscos.
  3. Salve o conteúdo útil e confirme depois em fontes confiáveis ou com profissional.
  4. Converse com a criança sobre o que aparece nos stories e explique por que alguns alimentos são mais exibidos que outros.

Conclusão

Influenciadores podem motivar, mas também podem estimular escolhas pouco saudáveis. Fique atento aos stories, observe sinais de publicidade e siga diretrizes oficiais. Informação clara ajuda famílias a fazerem escolhas melhores. Crescer com saúde é mais legal!


Referências

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