Crises súbitas e sintomas vagos: os desafios do diagnóstico de insuficiência adrenal infantil
Descubra como reconhecer sinais pouco específicos, conhecer exames fundamentais e entender por que a investigação detalhada é tão importante para a segurança da criança.

Seu filho fica muito cansado, tem tontura ou desmaia quando passa algumas horas sem comer? Esses podem ser sinais de insuficiência adrenal, um problema raro, mas importante, em que o corpo produz pouco cortisol. Aqui no Clube da Saúde Infantil, explicamos de forma simples o que é essa condição, como reconhecer os sintomas e qual o tratamento indicado.
O que é insuficiência adrenal?
A insuficiência adrenal acontece quando as glândulas adrenais, que ficam acima dos rins, produzem menos hormônios do que o corpo precisa, especialmente o cortisol. Esse problema pode ser:
- Primário, quando a glândula não funciona bem.
- Secundário, quando há falta de ACTH produzido pela hipófise.
- Terciário, quando falta o hormônio CRH produzido no cérebro.
- Congênito, quando está presente desde o nascimento, como na hiperplasia adrenal congênita.
Por que o cortisol é importante?
O cortisol ajuda o corpo a manter o açúcar estável, a ter energia em momentos de estresse e a controlar a pressão e o equilíbrio de sal e água. Quando ele falta, o açúcar cai e a criança pode apresentar fraqueza, suor frio e até desmaiar.
Sintomas mais comuns em crianças
- Episódios de hipoglicemia, principalmente após longos períodos sem comer.
- Cansaço fácil e fraqueza muscular.
- Náuseas e vômitos.
- Pele mais escura, mesmo sem exposição ao sol, mais comum na forma primária.
- Pressão baixa e, em situações graves, sinais de choque.
Como é feito o diagnóstico?

O pediatra ou endocrinologista pode solicitar exames como:
- Cortisol coletado às oito horas da manhã.
- ACTH, quando disponível.
- Teste de estímulo com ACTH sintético, que avalia a resposta das adrenais.
- Eletrólitos, como sódio e potássio, além da glicemia.
Identificar o problema cedo reduz o risco de crises graves.
Tratamento: reposição de hidrocortisona
- A hidrocortisona é o principal tratamento em crianças, normalmente na dose de oito a doze miligramas por metro quadrado, dividida em duas ou três tomadas por dia.
- Em situações de febre, cirurgias ou acidentes, a dose deve ser aumentada por um período curto.
- Familiares, cuidadores e escola precisam reconhecer sinais de alerta e conhecer o plano de ação para emergências.
Dicas práticas para pais e cuidadores
- Ter sempre a medicação e uma seringa para emergências.
- Ensinar a criança, conforme a idade, a avisar quando precisa do remédio.
- Informar a escola sobre o ajuste de dose em atividades esportivas ou viagens.
- Manter consultas regulares para ajuste de dose conforme peso e crescimento.
Perguntas frequentes
Meu filho vai crescer normalmente?
Sim, quando a dose de hidrocortisona é adequada, o crescimento costuma ser normal.
Preciso restringir atividades físicas?
Não. As atividades são liberadas, mas a dose pode precisar de ajuste durante práticas muito intensas.
O tratamento é para sempre?
Na maioria dos casos, sim. Raramente a glândula volta a produzir cortisol suficiente.
Equívocos comuns
- O cortisol não é um vilão. Em dose certa, é essencial para a vida.
- Consumir açúcar não substitui o hormônio que falta. A hidrocortisona é necessária para corrigir o problema.
Quando procurar ajuda urgente?
Procure atendimento médico imediato se a criança apresentar:
- Vômitos persistentes.
- Desmaio ou sonolência excessiva.
- Dor abdominal intensa.
- Palidez ou coloração arroxeada na pele.
É importante que a equipe médica avalie a possibilidade de crise adrenal e aplique hidrocortisona injetável, se necessário.
Conclusão

A insuficiência adrenal pode assustar, mas com diagnóstico precoce, tratamento correto e informação de qualidade, a criança leva uma vida ativa e feliz. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que conhecimento dá segurança aos pais e protege as crianças. Crescer com saúde é mais legal.
Referências
- Charmandari E, Nicolaides NC, Chrousos GP. Adrenal insufficiency. Lancet. 2014.
- Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Diretrizes brasileiras para o diagnóstico e tratamento da insuficiência adrenal. 2017.
- Miller WL, Flück CE. Adrenal cortex and its disorders. In: Pediatric Endocrinology. Elsevier, 2014.
- Bornstein SR et al. Diagnosis and Treatment of Primary Adrenal Insufficiency. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism. 2016.
- Speiser PW et al. Congenital Adrenal Hyperplasia Due to Steroid 21-Hydroxylase Deficiency. Nature Reviews Disease Primers. 2018.