Da merenda ao acolhimento psicológico: a nova abordagem da saúde infantil no país

Entenda como o Brasil avança na integração entre nutrição e saúde mental infantil, com ações conjuntas que fortalecem o corpo e o bem-estar emocional das crianças.

Você já pensou que o cérebro também sente fome? No Clube da Saúde Infantil, acreditamos que boa comida e um bom cuidado emocional andam de mãos dadas. Neste post, mostramos como programas no Brasil e no mundo juntam nutrição e saúde mental para ajudar nossas crianças a crescerem mais fortes.

Por que corpo e mente caminham juntos

Um prato colorido não alimenta só o estômago. Nutrientes como ferro e zinco ajudam o cérebro a pensar, brincar e aprender. Quando faltam, a criança pode ficar mais triste, cansada ou com dificuldade na escola.

Como o Brasil cuida hoje

Programas que já existem

  • PNAE: garante merenda com mais frutas, legumes e feijão nas escolas públicas.
  • PAA: compra alimentos de pequenos agricultores e leva comida fresca para famílias.
  • RAPS: oferece atenção em saúde mental perto de casa.

Onde ainda falta ligação

  • Nutricionistas das escolas conversam pouco com equipes dos CAPS.
  • Não há exame que observe, ao mesmo tempo, o peso da criança e seu bem-estar emocional.
  • Cerca de 38% dos municípios não têm equipe treinada para identificar falta de vitaminas e sinais de tristeza ou ansiedade.

Inspirações lá de fora

Chile

O programa Chile Crece Contigo acompanha peso, altura e emoção das crianças de 0 a 4 anos. Resultado: redução de 15% no atraso de desenvolvimento em famílias vulneráveis.

Reino Unido

O Healthy Start oferece vouchers para frutas e leite e promove rodas de conversa sobre saúde mental de gestantes. Cada real investido economiza o dobro em internações psiquiátricas.

Três passos para avançar no Brasil

1. Sistemas que falam a mesma língua

Adicionar perguntas simples sobre humor e sono ao SISVAN pode revelar, em tempo real, se o suplemento de ferro melhora a atenção das crianças.

2. Equipes treinadas

Quando médicos, psicólogos e agentes de saúde aprendem juntos, a anemia associada ao cansaço mental cai 40% em seis meses.

3. Dinheiro que premia resultado

Municípios que reduzirem, ao mesmo tempo, casos de desnutrição e internações psiquiátricas podem economizar até R$ 210 milhões por ano.

Dicas rápidas para família e escola

  • Ofereça arroz, feijão e verdura todo dia — é o “combo” de força para o corpo e calma para a mente.
  • Observe mudanças de humor: irritação e choro fácil podem sinalizar falta de nutrientes.
  • Procure a UBS se a criança estiver sempre cansada; peça exame de sangue e conversa com psicólogo.
  • Professores podem anotar concentração em sala após a merenda; isso ajuda a mostrar resultados do PNAE.

Perguntas que recebemos

Suplemento de ferro engorda?
Não. Ele apenas repõe o mineral que o sangue usa para levar oxigênio ao cérebro.

Meu município não tem CAPS infantil. O que fazer?
Procure a UBS e peça encaminhamento. Muitos casos leves podem ser acompanhados ali mesmo.

Vale a pena insistir nas frutas se meu filho não gosta?
Sim! Ofereça em pedaços pequenos e varie cores. A repetição ajuda o paladar a se adaptar.

Combate a mitos comuns

  • “Tristeza infantil passa sozinha.” — Não. Pode ser sinal de carência nutricional ou depressão e precisa de atenção.
  • “Só comida resolve tudo.” — A mente também precisa de conversa, brincadeira e apoio emocional.

Conclusão

Corpo saudável e mente tranquila formam a dupla perfeita para aprender, brincar e sonhar alto. Integrar nutrição e saúde mental nas políticas públicas e no dia a dia da família é possível e traz resultados rápidos. Aqui no Clube da Saúde Infantil, lembramos: crescer com saúde é mais legal!


Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Política Nacional de Alimentação e Nutrição. Brasília, DF, 2021.
  2. Organização Pan-Americana da Saúde. Relatório sobre integração de nutrição e saúde mental na atenção primária latino-americana. Washington, DC, 2022.
  3. Martínez, V. et al. Impacto del programa Chile Crece Contigo en el desarrollo cognitivo infantil. Revista Chilena de Pediatría, v. 92, n. 3, p. 345-354, 2021.
  4. National Institute for Health and Care Excellence. Healthy Start: cost-effectiveness evidence review. London, 2020.
  5. Fundação Oswaldo Cruz. Saúde mental e segurança alimentar: recomendações de políticas públicas. Rio de Janeiro, 2022.
  6. Costa, J. R.; Almeida, L. B. Capacitação multiprofissional em triagem nutricional e mental: resultados preliminares. Cadernos de Saúde Pública, v. 38, n. 4, e00123421, 2022.
  7. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Custos e benefícios da integração de políticas de nutrição e saúde mental no SUS. Brasília, DF, 2023.