O cuidado vai à escola: a nova fronteira da saúde infantil no Brasil

Saiba como a integração entre educação e saúde melhora o atendimento a crianças com doenças crônicas e fortalece a prevenção dentro das escolas.

Você sabia que a sala de aula pode virar um lugar de cuidado de saúde? Quando escola e posto de saúde andam juntos, a criança com doença crônica (DCNT) falta menos, aprende mais e vive melhor. Vamos mostrar modelos simples que já funcionam no Brasil e no mundo. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos: crescer com saúde é mais legal!

O que são DCNTs e por que merecem atenção

DCNTs são doenças como asma, diabetes e obesidade. Elas não passam de pessoa para pessoa e duram muito tempo. No Brasil, muitas crianças têm uma dessas doenças. Se não cuidarmos bem, elas podem perder aulas e até ir mais vezes ao hospital.

Escola promotora de saúde: conceito em palavras simples

Imagine a escola como uma ponte: de um lado, o aprendizado; do outro, o cuidado. A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que toda escola deve:

  • Checar a saúde dos alunos de forma regular.
  • Ter um ambiente limpo e seguro.
  • Ensinar saúde nas aulas.
  • Chamar a família para participar.

Programa Saúde na Escola (PSE): o que é e como ajuda

No Brasil, o PSE existe desde 2007. Ele junta prefeitura, posto de saúde e escola no mesmo plano. Quase todas as cidades assinaram, mas só metade das ações sai do papel. Quando funciona, vemos menos faltas e crises de asma ou diabetes.

Equipes multiprofissionais: cada um com seu talento

Quanto mais profissões juntas, melhor o cuidado. Exemplo de Florianópolis:

  • Professores recebem teleconsultoria toda semana para tirar dúvidas.
  • Kit de emergência (glicose, bombinha, adrenalina) em todas as escolas.
  • Treino semestral de primeiros socorros para todo o pessoal.

Resultado: menos idas ao pronto-atendimento e mais presença na sala de aula.

Exemplo internacional: planos de cuidado em Toronto

Lá, enfermeiros, médicos e professores atualizam um “plano de saúde” do aluno a cada três meses. As notas dos alunos diabéticos subiram 11%. A lição é clara: conversar e planejar faz diferença.

Tecnologia que une: aplicativos e prontuário digital

Aplicativos como Scolaris Saúde mandam alerta quando uma criança tem pico de asma. Em Minas Gerais, 92% das crises foram tratadas rápido graças a esses avisos.

Dica importante: tudo deve seguir a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) para manter as informações seguras.

Dica prática para escolas pequenas

Mesmo sem muito dinheiro, a escola pode usar o sistema gratuito e-SUS Integrador. O enfermeiro atualiza vacinas e exames, e o professor recebe orientações simples para adaptar a aula.

Barreiras e soluções possíveis

  1. Troca de funcionários? Crie manuais curtos para passar o plano de cuidado.
  2. Falta de tempo para reuniões? Use videochamada rápida de 15 minutos.
  3. Pouco dinheiro? Estudos mostram economia de R$ 2,40 em hospital para cada R$ 1,00 investido em parceria.

Como pais e responsáveis podem ajudar

  • Entregue sempre receitas e o contato do médico à escola.
  • Participe das reuniões de saúde escolar.
  • Ensine a criança a falar dos seus sintomas em palavras simples, como “falta de ar” ou “tontura”.

Checklist rápido para escolas

☐ Tem kit de emergência guardado e fácil de pegar?

☐ Todos sabem usar o inalador e medir glicose?

☐ A família conhece o plano de saúde do aluno?

☐ Há registro digital ou caderno atualizado?

Conclusão

Quando educação e saúde caminham juntas, todo mundo ganha: a criança falta menos, aprende mais e se sente segura. Com pequenas ações – como kits de emergência, aplicativos simples e reuniões curtas – já dá para fazer a diferença. Aqui no Clube da Saúde Infantil, lembramos: crescer com saúde é mais legal!


Referências

  • BRASIL. Ministério da Saúde; Ministério da Educação. Programa Saúde na Escola: caderno de diretrizes, objetivos, metas e indicadores. Brasília, 2022.
  • COUTO, M.; OLIVEIRA, L.; SOUZA, G. Gestão intersetorial na atenção às DCNTs em ambiente escolar. Saúde & Sociedade, v. 30, e200567, 2021.
  • GARCIA, P.; MATTOS, V. Colaboração entre equipes multiprofissionais em escolas inclusivas. Educação & Pesquisa, v. 47, e235689, 2021.
  • ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Plano de ação para a prevenção e o controle das DCNTs nas Américas, 2020-2030. Washington, DC, 2020.
  • RINALDI, A.; SILVA, F. Interface saúde-educação: desafios na inclusão de crianças com DCNT. Revista Brasileira de Saúde Escolar, v. 4, n. 2, p. 45-58, 2022.
  • TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Relatório de Auditoria Operacional: Programa Saúde na Escola. Brasília, 2021.
  • WORLD HEALTH ORGANIZATION. Making every school a health-promoting school: global standards and indicators. Geneva, 2021.