Lancheiras saudáveis entram na pauta das escolas públicas e particulares
Entenda como professores, pais e gestores estão se unindo para transformar a lancheira em uma ferramenta de educação alimentar e cidadania.

Você quer que seu filho leve uma lancheira gostosa, nutritiva e que respeite as regras da escola? Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que isso é possível com diálogo, planejamento e escolhas simples. Vamos mostrar o passo a passo para pais, professores e crianças trabalharem juntos pela saúde.
Conversa aberta: família e escola
Combine tudo no começo do semestre
Marque uma reunião para conversar sobre alergias, metas de aprendizado e tipos de alimentos permitidos. Leve laudos médicos se houver necessidade especial.
Coloque no papel
Formalize os acordos por e-mail ou formulário da escola. Assim ninguém esquece e tudo fica registrado.
Use um canal rápido
Aplicativos, agendas digitais ou grupos de mensagem facilitam ajustes semanais se algo mudar.
Dica: falar antes evita surpresas. Uma lancheira alinhada com a escola vira parte do projeto pedagógico, não motivo de estresse.
Regras de alimentação na escola
O que diz a lei
O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) determina que 30% dos alimentos venham da agricultura familiar e limita o uso de açúcares, sal e gordura. Mesmo em escolas particulares, essa norma serve de inspiração para práticas mais saudáveis.
Normas internas mais comuns
- Proibição de refrigerantes, balas e salgadinhos ultraprocessados.
- Uso do “guia de cores”: verde (sempre), amarelo (às vezes) e vermelho (evitar).
- Festas com frutas, bolos caseiros e sucos naturais.
Estudos apontam que o consumo frequente de ultraprocessados está ligado à menor atenção em aula e maior irritabilidade nas crianças.
Direitos de quem tem restrição
- A lei brasileira garante opções seguras para quem precisa de alimentação sem glúten ou lactose.
- As escolas devem treinar funcionários para evitar contaminação cruzada.
- Crianças com diabetes têm direito a opções de baixo índice glicêmico durante as atividades.
Exemplos que dão certo

Clube da Horta – Belo Horizonte
Alunos cultivam temperos e hortaliças na própria escola. O resultado foi a redução de quase 40% no consumo de snacks industrializados na cantina.
Dia do Ingrediente Local – Florianópolis
Produtores regionais visitam a escola e apresentam frutas e verduras típicas. Em poucos meses, o consumo de alimentos locais na lancheira praticamente dobrou.
Como adaptar:
- Crie um comitê com pais, alunos e nutricionistas.
- Mostre relatórios simples sobre metas nutricionais.
- Inclua atividades de leitura de rótulos nas aulas.
Passo a passo para montar a lancheira
- Escolha uma fruta ou legume fresco (maçã, cenoura, tangerina).
- Acrescente uma fonte de energia boa, como pão integral ou tapioca.
- Coloque uma proteína leve (queijo branco, ovo cozido ou pasta de grão-de-bico).
- Leve água ou suco natural sem açúcar.
Regra prática: metade da lancheira deve ser “cor de natureza” — frutas, legumes e verduras. O restante é composto por fontes de energia e proteína.
Perguntas frequentes
Meu filho acha o lanche saudável sem graça. O que fazer?
Varie texturas e cores. Use cortadores divertidos, formatos diferentes e recipientes coloridos.
Posso mandar biscoito recheado só na sexta?
Se a escola permitir o “dia amarelo”, pode ser ocasional. Prefira versões caseiras com menos açúcar.
Como evitar contaminação para quem tem alergia?
Use potes separados, lave bem os utensílios e informe a escola por escrito sobre as restrições.
Corrigindo ideias erradas
- “Suco de caixinha é igual fruta.” Não é. Ele tem muito açúcar e quase nenhuma fibra.
- “Todo produto sem glúten é saudável.” Alguns têm excesso de gordura ou sal — leia o rótulo.
- “Refrigerante zero está liberado.” Mesmo sem açúcar, contém aditivos. Água é sempre a melhor opção.
Conclusão

Uma lancheira saudável nasce do diálogo e de regras claras. Quando família e escola caminham juntas, a criança aprende, se sente segura e curte o recreio com mais energia. Aqui no Clube da Saúde Infantil, reforçamos: crescer com saúde é mais legal!
Referências
- MONTEIRO, C. A. et al. Recomendações para a prevenção da obesidade por meio da alimentação escolar. Revista de Nutrição, 2018.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Manual de alimentação. Rio de Janeiro: SBP, 2018.
- BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia alimentar para a população brasileira. Brasília, 2014.
- AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC nº 216. Brasília, 2004.
- BRASIL. Resolução CD/FNDE nº 6. Brasília, 2020.
- ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Modelo de perfil nutricional. Washington, 2016.
- COSTA, P. R. F. et al. Alimentos ultraprocessados e comportamento infantil. Revista Paulista de Pediatria, 2019.
- BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria nº 2.616. Brasília, 2011.
- BRASIL. Resolução CNE/CEB nº 2. Brasília, 2015.
- PREFEITURA DE BELO HORIZONTE. Relatório do Projeto Clube da Horta. Belo Horizonte, 2022.
- ESCOLA VIVA. Relatório interno de monitoramento nutricional. Florianópolis, 2021.