O marketing que entra pela TV e vai parar no prato das crianças
Saiba como o marketing de alimentos molda o paladar das crianças e aprenda estratégias simples para reduzir o impacto da desinformação em casa.

Você já percebeu como as crianças pedem certos lanches depois de verem um desenho ou um vídeo? Essa escolha não é ao acaso. Anúncios coloridos, brindes e músicas grudam na memória dos pequenos e podem levar a hábitos nada saudáveis.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, mostramos de forma clara como a publicidade e as fake news sobre comida afetam o prato do seu filho — e o que você pode fazer hoje mesmo.
Por que a propaganda mira as crianças
As crianças são altamente influenciáveis e costumam pedir aos pais o que veem na TV, no celular ou no tablet. Estudos mostram que mais de 80% dos comerciais voltados a elas promovem produtos ricos em açúcar, gordura ou sal.
No Brasil, usar personagens e brindes pode aumentar em quatro vezes a vontade de comprar refrigerantes entre alunos de 7 a 10 anos.
Truques de venda que parecem brincadeira
- Cores fortes que chamam atenção.
- Músicas fáceis de cantar.
- Histórias que ligam o alimento à diversão.
Esses truques “escapam” do filtro dos adultos, mas entram direto no universo infantil.
Filtro digital: anúncios que os pais não veem
No YouTube Kids e outras plataformas, os algoritmos mostram propaganda baseada no que a criança assiste e em sua localização. Assim, cada pequeno recebe anúncios diferentes, muitas vezes sem que o adulto perceba.
Embora exista a RDC nº 163/2006 da Anvisa, ainda faltam punições fortes: em 2020, apenas 12% das denúncias se transformaram em multas. Por isso, famílias e profissionais precisam ficar atentos.
Fake news sobre comida: como nasce o boato

Além das propagandas, há postagens nas redes sociais com informações erradas sobre alimentação infantil. A Sociedade Brasileira de Pediatria encontrou erros em 62% dos posts populares no Instagram sobre o tema.
Mitos que circulam muito
- “Toda criança deve fazer dieta sem glúten para ser mais inteligente.”
- “Suco detox pode substituir o almoço.”
Essas ideias não têm prova científica. Um visual bonito na internet não garante verdade.
Dicas simples para famílias e profissionais
No dia a dia de casa
- Assistam juntos aos desenhos e conversem sobre os anúncios.
- Mostre rótulos: o açúcar pode ter vários nomes — brinque de “detetive do rótulo”.
- Ofereça lanches naturais antes de ir ao mercado; barriga cheia evita compras por impulso.
No trabalho do nutricionista
- Use linguagem fácil, histórias curtas e jogos para ensinar.
- Monitore hashtags e responda dúvidas com rapidez e fontes confiáveis (como na campanha #VerdadeNoPrato).
- Participe de conselhos escolares e audiências para pedir leis que limitem brindes e personagens em embalagens.
Junte-se ao movimento por mudanças
Professores que falam sobre mídia em sala reduzem em 15% a compra de salgadinhos nas escolas. Quando nutricionistas, pais e educadores trabalham juntos, fica mais fácil separar informação de propaganda enganosa.
Quer entender mais sobre rotulagem? Para checar regras oficiais, acesse o site da Anvisa.
Conclusão

A propaganda infantil é poderosa e a internet espalha boatos em alta velocidade. Mas conhecer os truques, conversar em casa e buscar fontes seguras faz toda a diferença.
Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informar é cuidar. Compartilhe estas dicas, converse com seu filho e lembre-se: crescer com saúde é mais legal!
Referências
- WORLD HEALTH ORGANIZATION. A framework for implementing the set of recommendations on the marketing of foods and non-alcoholic beverages to children. Geneva: WHO, 2012.
- SILVA, M. R.; COLARES, T. M.; NOGUEIRA, S. Influência de estratégias de marketing na intenção de consumo de refrigerantes por crianças. Revista de Nutrição, Campinas, v. 34, e200207, 2021.
- FERREIRA, L. C.; ALMEIDA, A. P. Publicidade alimentar em plataformas digitais: análise do YouTube Kids.Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 37, n. 9, p. 1–13, 2021.
- BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública. Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor: relatório anual 2020. Brasília: MJSP, 2021.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Desinformação sobre alimentação infantil nas redes sociais: relatório técnico. Rio de Janeiro: SBP, 2022.
- OLIVEIRA, J. P. et al. Storytelling e gamificação em educação nutricional: ensaio clínico randomizado. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 97, n. 4, p. 453–461, 2021.
- CONSELHO REGIONAL DE NUTRIÇÃO – 3ª REGIÃO. Relatório da campanha #VerdadeNoPrato. São Paulo: CRN-3, 2022.
- AUSTIN, E. W.; CHEN, Y. Y. The impact of media literacy education on snack choices in children. Journal of Nutrition Education and Behavior, New York, v. 52, n. 1, p. 12–20, 2020.
- BENTLEY, F.; WATTERSON, R.; KELLY, B. Nutrition communication in the digital age: a consensus statement.Public Health Nutrition, Cambridge, v. 24, n. 5, p. 1122–1130, 2021.