Quem escolhe a refeição do seu filho? O marketing já tem a resposta

Descubra de que forma o marketing influencia o que vai para o prato das crianças e veja como estimular escolhas mais saudáveis em casa.

Você já reparou como seu filho pede um lanche que viu na TV? Isso não é por acaso. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que informação simples e correta faz toda a diferença. Hoje vamos mostrar como o marketing de comida influencia o paladar dos pequenos e o que você pode fazer para ajudar.

O que é marketing infantil de comida

O marketing infantil usa desenhos, músicas e brindes para vender alimentos, principalmente os ultraprocessados. São lanches prontos, com excesso de açúcar, sal e gordura.

Como isso afeta o paladar dos pequenos

Exposição precoce e repetida

O cérebro da criança é como uma esponja. Antes dos 7 anos, grande parte das preferências alimentares já está formada. Quando a propaganda aparece muitas vezes, cria uma memória de prazer ligada ao produto. O resultado é que a criança passa a querer esse alimento sempre.

Consumo maior de ultraprocessados

Pesquisas mostram que crianças expostas a anúncios comem quase 50% mais ultraprocessados do que as menos expostas. No Brasil, o consumo desses produtos subiu mais de 20% na última década.

O que acontece no cérebro

Os comerciais associam personagens queridos aos alimentos. Isso ativa áreas de prazer no cérebro, como um botão de recompensa. Depois, fica mais difícil a criança apreciar comidas naturais, como frutas e legumes.

Quais são as consequências a longo prazo

Crianças que assistem a muitas propagandas têm maior chance de manter hábitos ruins na adolescência e na vida adulta. O paladar, assim como andar de bicicleta, se aprende cedo e acompanha por muito tempo. Quem gosta de ultraprocessados na infância tende a permanecer nesse ciclo.

Como podemos proteger as crianças

  • Ofereça alimentos frescos em casa com frequência. A repetição cria costumes saudáveis.
  • Assista à TV junto e converse sobre os anúncios. Pergunte: “Esse alimento faz bem?”.
  • Prefira canais e aplicativos sem propaganda ou com controle de anúncios.
  • Leia rótulos simples: listas de ingredientes longas são sinal de alerta.
  • Use exemplos lúdicos, como dizer: “Esta maçã é o lanche do super-herói de verdade”.

Quando procurar ajuda

Se a criança recusa sempre frutas e legumes ou só quer alimentos de propaganda, procure orientação de um nutricionista ou pediatra. É possível encontrar serviços de saúde próximos pelo Ministério da Saúde.

Conclusão

O marketing infantil influencia, e muito, o que nossos filhos comem. Mas com informação, rotina saudável e diálogo, podemos virar o jogo. Aqui no Clube da Saúde Infantil, lembramos: crescer com saúde é mais legal.


Referências

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