Estudos indicam que a hidratação adequada melhora a absorção de remédios na infância

A hidratação correta ajuda o organismo das crianças a responder melhor aos remédios. Veja orientações práticas para unir cuidado e prevenção.

Quando a umidade do ar cai, o corpo das crianças perde água mais rápido. Se elas usam remédios todos os dias, o cuidado precisa ser dobrado. Aqui no Clube da Saúde Infantil, vamos explicar de forma simples por que água e remédio devem andar juntos e o que fazer para evitar problemas nos meses mais secos.

Por que água e remédio caminham juntos

O sangue funciona como um suco em pó: se há pouca água, ele fica mais concentrado. O mesmo acontece com os medicamentos — quando o corpo está desidratado, o remédio pode circular em maior concentração e causar efeitos indesejados. Beber água suficiente ajuda o organismo a distribuir e eliminar as substâncias de forma equilibrada.

Remédios que exigem atenção especial

  • Diuréticos: usados para tratar problemas de coração ou rins, fazem o corpo eliminar mais água e sais minerais.
  • Corticóides: podem reter líquido e dar uma falsa impressão de hidratação adequada.
  • Antibióticos e quimioterápicos: exigem bom volume de água para proteger os rins durante o tratamento.

Riscos na estação seca

Durante o período seco — comum em regiões do Centro-Oeste e Sudeste — a umidade do ar pode cair abaixo de 30%. Nessa época, crianças com doenças crônicas, como diabetes ou asma, correm mais risco de desidratar. Com menos água no corpo, o sangue circula mais devagar e o metabolismo dos medicamentos fica alterado.

Sinais de alerta de desidratação

  • Boca e lábios secos.
  • Xixi escuro ou em pouca quantidade.
  • Cansaço, tontura ou sonolência fora do normal.

Como ajustar água e remédios com segurança

A dose do medicamento só pode ser ajustada pelo médico, mas a família pode ajudar com atitudes simples:

  1. Anote quanto a criança bebe de água de manhã, à tarde e à noite.
  2. Nos dias mais quentes, ofereça cerca de 10% a 20% a mais de líquidos, se o pediatra autorizar.
  3. Em caso de uso de diuréticos, siga as recomendações médicas e, se indicado, peça exames de controle.
  4. Use aplicativos ou lembretes para manter a regularidade dos goles.

Dicas práticas para casa

  • Ofereça frutas ricas em água, como melancia, melão e laranja.
  • Prefira garrafas pequenas, fáceis de segurar.
  • Monte um quadro na geladeira com quatro colunas: ingestão, xixi, efeitos adversos e pele.
  • Observe se os lábios estão rachados ou se a pele perdeu o brilho — são sinais iniciais de desidratação.

Quando procurar ajuda médica

Leve a criança ao pronto-socorro se ela:

  • ficar muito sonolenta ou sem reação;
  • vomitar várias vezes;
  • passar mais de oito horas sem urinar.

Hospitais que implementaram alertas sobre hidratação conseguiram reduzir internações prolongadas em pediatria. E lembre-se: este conteúdo é educativo e não substitui a consulta médica. Em caso de dúvida, procure o pediatra ou especialista responsável pelo tratamento.

Conclusão

Água e remédio devem andar lado a lado, especialmente na estação seca. Com ajustes simples, observação diária e apoio da família, é possível evitar a desidratação e manter o tratamento seguro. Aqui no Clube da Saúde Infantil, acreditamos que crescer com saúde é mais legal — e cada gole de água é um passo nessa direção.


Referências

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