Biomarcadores na dermatite atópica: tratamento sob medida
Medicina personalizada na dermatite atópica: o que são biomarcadores, por que cada paciente é diferente e como isso orienta terapias mais eficazes e seguras.

Você já ouviu falar que cada pele tem uma “impressão digital”? Na dermatite atópica grave isso é real: sinais no sangue, na pele e até nas bactérias que moram conosco ajudam o médico a escolher o melhor caminho para cada criança.
O que é dermatite atópica grave?
Dermatite atópica é uma inflamação crônica da pele com coceira intensa. Nos casos graves, as lesões ocupam áreas extensas e afetam sono, escola e brincadeiras.
Por que cada paciente é diferente?
Pense na doença como um quebra-cabeça com “endótipos”: combinações distintas de vias inflamatórias que explicam por que alguns respondem melhor a um remédio do que a outro.
Principais peças do quebra-cabeça
- Proteínas do sangue: TARC/CCL17, periostina e IgE costumam subir quando a pele piora.
- Citocinas tipo 2 (IL-4/IL-13): aumentam a inflamação e a coceira.
- Genes (FLG): alterações fragilizam a barreira cutânea e aumentam perda de água.
- Microbioma: excesso de Staphylococcus aureus pode preceder crises.
Como o médico usa esses sinais?
Como um “semáforo” terapêutico: perfis com sinal forte de tipo 2 favorecem bloqueadores de IL-4/IL-13 (ex.: dupilumabe). Quadros “mistos” podem se beneficiar de inibidores de JAK, que atuam em múltiplas vias. A decisão integra biomarcadores, exame clínico e histórico.
Ajuda da inteligência artificial
Modelos preditivos já conseguem estimar, com boa concordância, quem tem maior chance de responder a determinadas terapias em 16 semanas, apoiando escolhas mais assertivas.
Monitorar sem sair de casa

- Apps + câmera do celular: estimam área e gravidade do eczema com erro baixo em relação ao EASI.
- Sensores/adesivos: no futuro, poderão sinalizar aumento de mediadores da coceira (ex.: IL-31).
- Ferramentas não invasivas: espectroscopia portátil avalia a barreira cutânea sem agulhas.
Benefícios para a família e o sistema de saúde
Escolhas guiadas por biomarcadores reduzem tentativas e erros, encurtam o tempo até a resposta e podem diminuir gastos com medicação e consultas não planejadas.
Desafios que ainda precisamos vencer
- Acesso: testes avançados nem sempre estão disponíveis fora dos grandes centros.
- Diversidade: é essencial validar exames em crianças brasileiras de diferentes origens.
- Privacidade: dados sensíveis exigem proteção e uso responsável.
Perguntas que escutamos muito
Esses testes existem no SUS? Ainda não de forma rotineira; alguns marcadores estão disponíveis no setor privado.
Meu filho fará exame em toda consulta? Não necessariamente. O médico define a periodicidade, como se faz com pressão arterial.
Se o gene FLG estiver alterado, não tem cura? A alteração indica risco maior, mas cuidados de pele e terapia adequada controlam as crises.
Conclusão

A medicina personalizada mostra que cada criança com dermatite atópica grave é única. Ao combinar biomarcadores, avaliação clínica e tecnologia, é possível oferecer o remédio certo, na dose certa, no momento certo. Crescer com saúde é mais legal!
Referências
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