Merenda 360°: inovação, sabor e cuidado com a terra

Saiba como a merenda escolar do futuro combina nutrição, aprendizado e responsabilidade ambiental, beneficiando crianças e comunidades.

A merenda escolar é mais que um lanche. Ela pode ser a chave para crescer forte, aprender melhor e cuidar do planeta. Neste post, o Clube da Saúde Infantil mostra as novidades do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e como elas podem mudar a vida dos nossos pequenos.

Por que falar de merenda escolar

A merenda atinge quase todas as crianças do Brasil. Quando ela é boa, ajuda no peso saudável, no raciocínio e até na renda da família que fornece os alimentos. Por isso, entender o futuro do PNAE é essencial.

Três grandes mudanças que já batem à porta

Merenda o ano inteiro

Hoje, muitas escolas só servem comida nos dias de aula. Estudo do Chile mostra que manter a merenda nas férias evita perdas de nutrientes. É como não deixar o tanque do carro esvaziar: o corpo da criança também precisa de combustível sempre.

Gestão digital no celular

Cidades do Paraná e do Ceará testam aplicativos que controlam cardápio, estoque e peso dos alunos em tempo real. Isso reduz desperdício e dá transparência, como consultar o extrato do banco.

Comida boa também para o planeta

Cardápios com mais vegetais locais e plantas alimentícias não convencionais reduzem a poluição em até 12%. É como trocar um carro velho por uma bicicleta: menos fumaça, mais saúde.

Cinco passos para um PNAE mais forte

  1. Mais verba por aluno. Hoje o repasse cobre apenas 65% do custo ideal. Um reajuste anual ligado à inflação da comida é urgente.
  2. Capacitar nutricionistas. Faltam cerca de 4.400 profissionais, principalmente no Norte e Nordeste. Cursos on-line e bolsas de fixação podem ajudar.
  3. Monitorar a saúde em um painel público. Unir dados do SISVAN, Censo Escolar e prefeituras permite agir rápido diante de casos de anemia ou excesso de peso.
  4. Aproximar a agricultura familiar. Quando a compra local chega a 50%, o cardápio fica 18% mais rico em vitaminas.
  5. Transformar a merenda em aula viva. Hortas e cozinhas experimentais ensinam crianças e famílias a comer melhor. Em São Paulo, escolas com educação alimentar viram o consumo de hortaliças subir 22% em dois anos.

Quem paga a conta: novas ideias de financiamento

  • Fundos rotativos municipais: o dinheiro economizado com menor desperdício volta para a cozinha da escola.
  • Pagamento por desempenho: escolas que batem metas ganham bônus para melhorar a estrutura.
  • Parcerias com universidades e organismos internacionais: trazem alimentos fortificados e apoio técnico, alinhando o PNAE aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Olhando para frente: o ganho para as crianças

Se o plano sair do papel, a falta de crescimento pode cair 34% até 2035. As notas de matemática podem subir o equivalente a 0,2 ponto de desvio-padrão, o que equivale a passar do meio da classe para o grupo dos melhores.

Perguntas que você pode ter

A merenda vai mesmo melhorar nas férias?
Sim, a proposta é cobrir o ano todo.

Meu filho vai perder o arroz com feijão?
Não. A ideia é somar novos itens regionais, sem retirar o que já faz bem.

Quem controla a qualidade?
Nutricionistas e aplicativos que mostram tudo on-line.

Conclusão

Quando a merenda é contínua, bem gerida e sustentável, todos ganham: crianças, escolas, agricultores e o planeta. Fortalecer o PNAE é investir em saúde, aprendizado e futuro. Crescer com saúde é mais legal.


Referências

  1. Chile. Junta Nacional de Auxilio Escolar y Becas. Evaluación del Programa de Alimentación Escolar. Santiago; 2021.
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